“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, Jean-Pierre Jeunet – 2001

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Esse é um desses filmes, que surpreendentemente, e despretensiosamente, conquistou o mundo e consequentimente uma legião de fãs. Jean-Pierre Jeunet é um diretor francês com uma carreira curiosa. Realizou o mais trash dos filmes da série “Alien’s”, é diretor também do curioso “Delicatesen”, mas se destacou no cinema mesmo foi com o “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”.

Feito para cumprir tabela como falou o próprio Jeunet. “Amelie” foi realizado porque o diretor tinha um prêmio em dinheiro, para utilizar até aquele ano, com a produção de um filme. Pegou um roteiro engavetado, chamou seu amigo Guillaume Laurant para ajuda-lo a terminar, alguns outros amigos pra produzir, fazer a fotografia… e assim nasceu o filme.

Segundo próprio diretor, talvez o filme tenha dado certo como deu, pela leveza com que tudo foi realizado. Pela despretensão, e também pelo compromisso e paixão de sua equipe pelo cinema.

O filme é uma grande fábula, de como podemos ser felizes, procurando fazer outras pessoas felizes. Uma gostosa e inteligente comédia romântica, que nos faz lembrar os bons filmes de Frank Capra. Pela inteligência de roteiro (indicado a vários prêmios, incluindo Oscar), pelo acerto do elenco, e pelo, apesar de parecer clichê, bem realizado final feliz.

Impossível imaginar a Amelie, sem o doce e expressivo rosto de Audrey Tautou. O filme por sua vez, deu a Audrey, o presente de se tornar uma atriz mundialmente conhecida. Depois desse filme a atriz foi chamada para realizar vários trabalhos em Hollywood, que todos sabem, é o mais bem sucedido, financeira e popularmente falando, mercado cinematográfico que existe.

A fotografia é um outro show a parte. Suas cores fortes, vemos uma Paris colorida, alegre e ao mesmo tempo, pouco óbvia. E esse espetáculo de imagens ficou a cargo de Bruno Delbonnel, diretor de fotografias de filmes como “Paris, Te amo” e “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”.

Da direção de arte de Volker Schäfer, ao figurino da dupla Madeline Fontaine e Emma Lebail, tudo no filme é muito bem realizado. Outro ponto muito importante em qualquer filme, e que aqui nos chama muito atenção é  a maravilhosa trilha de Yann Tiersen, responsável também por trilhas de filmes como “Adeus Lênin” e “A Vida Sonhada dos Anjos”.

Yann Tiersen realmente é um ótimo compositor de trilhas sonoras, e não somente de trilhas. É um compositor que vale a pena pesquisar e escutar. A trilha sonora de “Amelie” fez um enorme sucesso. Foi indicada ao BAFTA e ao Cesar como melhor trilha do ano. E foi a trilha mais vendida na frança em 2001.

“O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” é um filme que vale a pena ver e rever. Não é um filme difícil para o grande público, mas é um filme inteligente e feliz, sem ser bobo. Desses que nos faz acreditar nas pessoas e no mundo. Ver beleza em coisas simples, como a personagem Amelie. É acima de tudo, um filme apaixonante.

Jair Santana

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“Thriller”, Michael Jackson

Música: “Thriller”
Disco: Thriller
Ano: 1982

“Conduta de Risco”, Tony Gilroy – 2007

Conduta de Risco

Conduta de Risco

Tony Gilroy, apesar de um ótimo roteirista, leia-se filmes como “O Advogado do Diabo”, “Eclipse Total”, entre os filmes da série “Bourne’s”, se da mal em sua estréia como diretor. Por ser um ótimo roteirista, acredito que errou na sua forma de narrar visualmente, ou seja direção mesmo.

“Conduta de Risco” é um filme confuso, pretencioso, sem ritimo. Sim, tem boa premissa mas mas não decola . Apesar de concorrer ao Oscar de melhor roteiro original e ser vencedor do BAFTA na mesma categoria.

O roteiro realmente é interessante mas contado de maneira equivacoda. O filme só realmente acontece nos últimos 20 minutos. E por causa desses últimos 20 minutos não saímos com raiva do cinema.

Não tem uma narrativa envolvente, que faça com que nos, os espectadores, se aproximem do personagem principal, Michael Clayton, vivido pelo ótimo, mas frio, George Clooney. É fato que o personagem pede certa frieza, mas a Catherine Tramell, em “Instinto Selvagem”, vivida pela então desconhecida do grande público, Sharon Stone , era fria e nem por isso, deixava de fascinar o público.

 

“Conduta de Risco” é um filme que não nos envolve. Nos deixa distantes mesmo. Faz com que o espectador fique perdido o tempo todo em suas supostas intrigas e traições. Parece que o que realmente importa é “parecer” ter algo a desvendar. E tenta se prender a isso.

Orçado em 25 milhões de dólares, e agradando boa parte da crítica, o filme não acontece. Não tem o clima de suspense que se propõe, nem um grande final, nem um grande herói e muito menos um grande vilão. Tudo é morno. Tudo é um equívoco.

Vamos torcer, para que Tony Gilroy volte a fazer o que realmente ele faz de bem, ficar atrás do computador e de suas pesquisas e ficar apenas no roteiro. Na verdade, Tony Gilroy, teve a idéia de conduta de risco quando ainda pesquisava entre os grandes escritórios de direito, para “Advogado do Diabo”. Talvez se tivesse sido dirigido por um verdadeiro diretor, o roteiro tivesse sido um grande filme.

Jair Santana