“Noel – O Poeta da Vila” – Ricardo Van Steen, 2006

Noel - O Poeta da Vila

Noel - O Poeta da Vila

O filme “Noel – O Poeta da Vila”, é o primeiro longa de Ricardo van Steen. É mais um desses projetos, assim como “Cinema, Aspirinas e Urubús” de quase 10 anos de luta para sua realização.

Ricardo van Steen, é paulista,  conhecido diretor de publicidade em São Paulo, e também um apaixonado pela obra de Noel Rosa.

Curioso esse filme, é não ter sido iniciativa de um carioca, cidade natal de Noel, cidade que se orgulha tanto do samba e de seus compositores. Mas é também uma cidade, que não resgata esses valores, e aí, sobrou pra um paulista.

O filme tem um peso muito grande. Retratar a vida, curta porém hiper produtiva, de um dos maiores compositores de toda historia musical brasileira. Noel morreu com apenas 26 anos, e apesar da pouca idade, nos deixou mais de 200 composições.

Baseado na biografia de João Máximo, infelizmente, “Noel- O Poeta da Vila” não arrastou multidões ao cinema como aconteceu com os dfilmes “Cazuza” e “Dois Filhos de Francisco”, filmes também biográfico, de compositores brasileiros. Apesar de se fazer presente sim, em várias regravações, o brasileiro é um povo que não tem apego histórico cultural, e Noel Rosa não é contemporâneo dessa geração.

“Noel” é um filme leve, gostoso, reune comédia, romance, drama, reune tudo isso, assim como a vida do compositor. As vezes formal, as vezes explicativo demais, mas acima de tudo, um belo filme.

Porém essas explicações talvez viessem melhor colocadas de maneira cinematográfica, ou seja, deixar o filme se explicar, falar através das imagens e dos acontecimentos, e não verbalizar simplesmente.

A fotografia de Paulo Vainer é um show a parte. Um textura de fotografia de época, cores lavadas, deixam a fotografia sofisticada que impressiona pela beleza e técnica. A maquiagem e o figurino impecáveis. A direção de arte de uma maneira geral está afinadissíma.

O filme conta ainda com interpretações memóraveis principalmente de Rafael Raposo que interpreta o Noel. Rafael torna-se então nossa maior referência visual de Noel Rosa, já que não existem muitas, e a criação do personagem é muito bem realizada. 

Temos ainda Carol Bezerra como Aracy de Almeida, apesar da participação restrita de Carol Bezerra, sua participação realmente foi ótima. Fiquei realmente impressionado com esses dois. Mas não se pode deixar de citar outras ótimas participações como Flávio Bauraqui, Supla. Paulo Cesar Pereio e  Camilia Pitanga, que fez uma “Ceci” inesquecivel. Ceci, foi o grande amor da vida de Noel.

“Noel – O Poeta da Vila” é um filme historicamente e culturalmente importante. Diria até mais que isso, é importante para nova geração, que precisa conhecer não somente historia de Noel Rosa, mas da música brasileira

O filme merecidamente Ganhou os prêmios de Melhor Direção de Arte, Melhor Edição de Som e o Prêmio Especial “Orgulho de Ser Brasileiro”, no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Também ganhou o prêmio de Melhor Filme – Júri Popular, na Mostra de Tiradentes.

Jair Santana

“Blind” – Hercules and Love Affair

Música: “Blind”
Album: “Hercules And Love Affair”
Ano: 2008

“Frank Capra”, 1897 – 1991

Frank Capra

Frank Capra

Quem disse que comédias românticas tem que ser melosas ou bobas, nunca assistiu um filme de Capra na vida. Triste mesmo é Frank Capra ter caído no esquecimento da maioria. Apesar de clássicos como “Felicidade Não se Compra” ou “Adorável Vagabundo”.

Diretor italiano naturalizado americano, sua extensa obra, com mais de 40 filmes, entre filmes para o cinema, tv e documentários para o governo americano, vai de 1922 a 1961. Seus filmes são leves, gostosos, apaixonantes e até, mesmo que sutilmente, questionadores. Sejam essas questões, morais ou sociais.

Talvez sua origem humilde influenciado suas obras, fazendo com que Capra se voltasse para filmes meio fábulas. Mas eles negava a dizer isso. É dele a frase: “Porque tudo na vida pode ser um filme, tudo na vida pode ser como no Cinema”

Frank Capra produziu a maioria de seus filmes, roteirizou uma boa parte, o que deu a seus filmes, mesmo em Hollywood, uma identidade própria, com ares de cinema autoral.

Seus filmes em grande maioria, falavam de amor e amizade,. Também fez filmes de natal, de ação de graças, fez filmes para nos olharmos mais. Frank Capra, acima de tudo fez filmes sensíveis.Deliciosas comédias românticas como “Aconteceu Naquela Noite” ou “Do mundo nada se leva”, ou mesmo o clássico de todos os clássicos de natal “A Felicidade Não se Compra”, já citado aqui.

Recebeu 6 indicações ao Oscar, na categoria de Melhor Diretor, por “Lady for a Day” (1933), “Aconteceu Naquela Noite” (1934), “O Galante Mr. Deeds” (1936), “Do Mundo Nada se Leva” (1938), “A Mulher Faz o Homem” (1939) e “A Felicidade Não se Compra” (1946). Ganhou 3, por “Aconteceu Naquela Noite” (1934), “O Galante Mr. Deeds” (1936), “Do Mundo Nada se Leva” (1938), o ultimo também ganhou melhor filme.

Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Diretor, por “A Felicidade Não se Compra” (1946) e em 1982, recebeu um Leão de Ouro em 1982, do Festival de Veneza, por reconhecimento à sua carreira.

Capra morreu em 1991, nos EUA, La Quinta, Califórnia, de um ataque cardíaco, enquanto dormia.

Jai Santana

FILMOGRAFIA:

1961 – Dama por um dia (Pocketful of miracles)
1959 – Os viúvos também sonham (A hole in the head)
1958 – Unchained goddess, The (TV)
1957 – Strange case of the cosmic rays, The (TV)
1957 – Hemo the magnificent (TV)
1956 – Our Mr. Sun (TV)
1951 – Órfãos da tempestade (Here comes the groom)
1950 – Nada além de um desejo (Riding high)
1948 – Sua esposa e o mundo (State of the union)
1945 – A felicidade não se compra (It’s a wonderful life)
1945 – Know your enemy: Japan
1945 – Your job in Germany
1945 – War comes to America
1945 – Two down and one to go
1944 – Battle of China, The
1944 – Este mundo é um hospício (Arsenic and old lace)
1944 – Tunisian victory
1943 – Battle of Britain, The
1943 – Divide and conquer
1943 – Nazis strike, The
1943 – Battle of Russia, The
1943 – Prelúdio de uma guerra (Prelude to war)
1941 – Adorável vagabundo (Meet John Doe)
1939 – A mulher faz o homem (Mr. Smith goes to Washington)
1938 – Do mundo nada se leva (You can’t take it with you)
1937 – Horizonte perdido (Lost horizon)
1936 – O galante Mr. Deeds (Mr. Deeds goes to town)
1934 – A vitória será tua (Broadway bill)
1934 – Aconteceu naquela noite (It happened one night)
1933 – A dama por um dia (Lady for a day)
1933 – O último chá do General Yen (Bitter tea of General Yen, The)
1932 – Loucura americana (American madness)
1932 – Mulher proibida (Forbidden)
1931 – Loira e sedutora (Platinium blonde)
1931 – A mulher miraculosa (Miracle woman, The)
1931 – Dirigível (Dirigible)
1930 – Chuva ou sol (Rain or shine)
1930 – A flor dos seus sonhos (Ladies of leisure)
1929 – Asas do coração (Fight)
1929 – Na trama das paixões (Donovan affair, The)
1929 – As duas gerações (Younger generation, The)
1928 – Burglar, The
1928 – Mocidade audaciosa (Power of the press, The)
1928 – Submarino (Submarine)
1928 – O que a lei não castiga (Say it with sables)
1928 – Os predestinados (Way of the strong)
1928 – Esta vida é uma canção (Matinee idol, The)
1928 – Defende o teu amor (So this is love?)
1928 – O meu segredo (That certain thing)
1927 – O filho da fortuna (For the love of Mike)
1927 – Pinto calçudo (Long pants)
1926 – O homem forte (Strong man, The)
1922 – Fultah fisher’s boarding house (curta-metragem)

“Paciência” – Lenine

Música: “Paciência”
Disco: “Na Pressão”
Ano:
2000

“Psicose” – Alfred Hitchcock, 1960

Psicose

Psicose

“Psicose” é um dos mais audaciosos filmes de Alfred Hitchcock, quando se fala de roteiro. O roteiro é de Joseph Stefano, baseado em livro de Robert Bloch. A coragem de oferecer ao espectador um personagem principal, e aproximadamente meia hora depois, matar esse personagem e deixar o espectador totalmente abandonado é contra todas as regras clássicas de roteiro.

A secretária Marion Crane (Janet Leigh) rouba 40 mil dólares para se casar, e no meio do caminho hospeda-se em um motel de beira de estrada e é assassinada.

“Psicose” é de 1960, uma época em já se filmava em cores, mas foi realizado em preto e branco por opção do próprio Alfred Hitchcock, que considerava que as cores no filme o deixaria ensanguentado demais. E como o filme é preto e branco, o sangue usado no filme na verdade é calda de chocolate.

O filme custou apenas US$ 800 mil para os Estúdios Shamley Productions, e faturou mais d US$ 40 milhões de bilheterias só nos EUA. Para economizar nos custos de produção, Hitchcock resolveu  utilizar em Psicose boa parte do elenco de sua série exibida na TV americana “Além da Imaginação”.

Recebeu quatro indicações ao Oscar, foram elas, a de Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Janet Leigh), Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte – Preto e Branco. Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante (Janet Leigh).

É sem dúvida um dos maiores clássico de suspense da história do cinema. A música de Bernard Herrmann virou referência, e apesar do filme já ter completado mais de 40 anos, é uma das mais conhecidas trilhas da historia. Hitchcock queria filmar a cena do assassinato na banheira em total silêncio, mesmo sem o som ambiente, até Hermann apresenta a trilha pra ele.

Um dos filmes mais cultuados e conhecidos no mundo todo, “Psicose” ainda hoje, alcança audiências altíssimas em todas as suas reprises na televisão.

O final do filme, que na época de seu lançamento foi surpreendente, ainda hoje causa espanto a cada nova geração de espectadores, que se deliciam com o sarcasmo do bom e velho mestre Hitchkcock.

Jair Santana