“Ao menos ainda temos a Lua” – de Marcelo de Andrade

Lua

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Pegaram o vagão da pós-modernidade e chacoalharam forte. E, no meio de fragmentos, messias, correrias, Internet, pastores e saudades, alguém gritou que, já que não podia fazer o metrô a um real, pelo menos que o fosse rosa com pompom.

Em meio à enxurrada conservadora sobre nosso governo, dito, de esquerda, o Bolinha achou que poderia ser Jesus Cristo e tentou a multiplicação das ONGs. Mas se a maioria da imprensa é conservadora, ao menos ainda não é burra, a despeito da unanimidade que credita às suas “opiniões”. Acharam o fio da meada e num puxão só derrubaram o pré-candidato messias. Então, o garotinho Jesus olhou para o período da vida de Cristo que a bíblia omite e resolver virar Gandhi. Pobre ilusão de um político que, fisicamente, está mais para Ganesha (o deus elefante hindu).

Decretou greve de fome e expôs o ridículo de nossa sociedade moderna construída em pleno arcaísmo coronelista. O presidente operário se enrola no aparelhismo de um partido que sempre quis ser trotskista (e, por isso mesmo, caiu no stalinismo). O ex-presidente que loteou o país e comprou deputados para conseguir sua reeleição é o patrono da democracia. A burguesia conservadora paulista acha que vai conseguir votos chorando a morte do catolicismo aristocrático na política. E o ex-governador messias resolve que a Índia é aqui, achando que um povo em greve de fome forçada vai elegê-lo caso perca alguns quilos. Será que ele acha mesmo que acreditamos nessa história de que, logo ele, vai fechar a boca? Além de subestimar a inteligência alheia, aposto que come escondido uns bombons que ganhou das ONGs na Páscoa.

Resta ligar a TV ou ler um jornal e ser obrigado a ter contato com a esquizofrenia jaboriana ou com as bobagens apocalípticas do gordo. Isso me faz pensar no período de miséria intelectual em que vivemos. Faz procurar algum alento que só vem quando lembramos da greve de fome, tendo certeza que ao menos esse messias não ressuscitará no terceiro dia.

Enquanto isso, em um país etéreo, um índio revolucionário resolve que pode enfrentar o Tio Sam com esperança, gás e flechas. Seus amigos ditadores morrem de rir, lhe dão tapinhas nas costas e o presidente operário suja nove dedos de petróleo. Se as coisas continuarem como estão e o governo francês mantiver o sonho de ser, ao mesmo tempo, democracia social e neoliberal, periga a Torre Eiffel sumir em chamas e, então, nem Paris teremos mais.

Bem fez o astronauta que, às custas de impostos pagos por um povo em greve de fome, pode plantar feijões no espaço. Só não entendi porque ele voltou. Eu estou de partida pra Lua para plantar não feijões, mas batatas. Valei-me, São Jorge!

Marcelo de Andrade
Marcelo é Historiador, Roteirista e Contista.

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