“Paris, Te Amo” – Direção Coletiva

Paris, Te amo

Paris, Te amo

Direção: Olivier Assayas (segmento “Quartier des Enfants Rouges”), Frédéric Auburtin e Gérard Depardieu (segmento “Quartier Latin”), Gurinder Chadha (segmento “Quais de Seine”), Sylvain Chomet (segmento “Tour Eiffel”), Joel Coen e Ethan Coen (segmento “Tuileries”), Isabel Coixet (segmento “Bastille”), Wes Craven (segmento “Père-Lachaise”), Alfonso Cuarón (segmento “Parc Monceau”), Christopher Doyle (segmento “Porte de Choisy”), Richard LaGravenese (segmento “Pigalle”), Vincenzo Natali (segmento “Quartier de la Madeleine”), Alexander Payne (segmento “14th Arrondissement”), Bruno Podalydès (segmento “Montmartre”), Walter Salles e Daniela Thomas (segmento “Loin du 16ème”), Olivier Schmitz (segmento “Place des Fêtes”), Nobuhiro Suwa (segmento “Place des Victoires”), Tom Tykwer (segmento “Faubourg Saint-Denis”), Gus Van Sant (segmento “Le Marais”) e Emmanuel Benvihy (Transições)

A prova que os curtas estão em alta é esse filme. Adoro curtas. De assistir, fazer, ler roteiros, pena que não há noticias de nem um diretor que viva de curtas. Muitos acham que Curta é apenas um meio para se chegar ao longa. Eu discordo. Curta Metragem é um tipo linguagem. Assim como um Longa ou um Documentário.

Vou comentar aqui, alguns dos curtas que mais me chamaram atenção:

O filme “Paris, Te Amo” é composto por 21 curtas, de 21 diretores diferentes, 21 visões e declarações diferentes a cidade de Paris.

O filme do Walter Salles é o da mãe que deixa o filho, atravessa a cidade pra criar o filho da patroa O filme tem uma bela da música de ninar, com atriz Catalina Sandino Moreno de “Maria Cheia de Graça”. É o mais crítico e social de todos os curts do filme. É talvez, o mais surpreendente, e o mais puramente cinema. Realizado quase somente com imagens, que explicam toda estória.

Afonso Cuaron, diretor Afonso Cuaron, mesmo do Filhos da Esperança”, preferiu se utilizar de um longo e único plano sequência para contar sua trama. Uma conversa entre pai e filho, Conta com a participação de Nick Nolte. A sequência é ótima e os atores maravilhosos, mas filme é frio.

Natalie Portman, participa de uma das historia. Foi na minha opinião, o melhor de todos os curtas. O curta é do diretor Tom Tykwer, diretor alemão, que fez o “Corra Lola, Corra”. O roteiro é maravilhoso e sutil. Um romance entre uma atriz e um estudante cego. O acaso de se conhecerem, os conflitos e mal entendidos, fazem desse curta uma deliciosa comédia romântica.

Paris é uma cidade romance, mas também de separações. No filme, há um curta, cuja historia é de um casal conversando, em típico café parisiense, sobre a separação. Eles conversam sobre o passado friamente, também sobre as novas expectativas e vão, cada um pra sua casa solitariamente. É de um diretor francês, chamado Frédéric Auburtin, que assinou a direção junto com o Gérard Depardieu. Frédéric Auburtin ganhou Cannes já, com o filme “Sob o sol de satã” em 87. Talvez por ser Francês e viver em Paris, saiba que em Paris romances começam e terminam como qualquer outro lugar.

O curta que conta a historia de um entregador de drogas, para uma atriz que está filmando em Paris é de outro frances, bem novo por sinal e que vem chamando atenção da crítica, “Paris, Te Amo” é apenas o terceiro filme dele, o nome é Olivier Assayas, diretor de “Clean”.

Há um curta no cemitério, mas, apesar da locação, o filme é bem romântico.É do diretor Wes Craven, diretor de “Pânico 1 e 2”, mas Wes Craven tem um filme, “Música do Coração” que foi o que o consagrou como um diretor sério. A atriz que faz o curta é a Emily Mortimer que fez “Match point” do Wood Allen. Seu curta é uma bela fábula de amor.

O filme com a participação de Elijah Wood, conto de terror é do diretor Vincenzo Paris foi o mais fraco. O curta é de Vincenzo Natali, diretor do filme “Cubo”. Achei a fotografia linda, ele tem clima, mas não acontece. Parece meio “piada” de si mesmo, porém, sem querer.

Do diretor Gus Van Sant, é bem interessante. A história de um amor a primeira vista, uma confissão de amor, que vai além dos padrões e da língua. “

Temos ainda, um curta irmãos Joan e Ethan Coen. A estória se passa em um metro. Uma estória de ciúme, olhares e violência. É bem interessante e bem louco. Como os irmão Coen. Simplório porém instigante.

Bom, “Paris, Te Amo” é um desses filmes pra ter em casa para ver e rever. Sem contar a bela música tema do filme.

Jair Santana

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“Ao menos ainda temos a Lua” – de Marcelo de Andrade

Lua

Lua

Pegaram o vagão da pós-modernidade e chacoalharam forte. E, no meio de fragmentos, messias, correrias, Internet, pastores e saudades, alguém gritou que, já que não podia fazer o metrô a um real, pelo menos que o fosse rosa com pompom.

Em meio à enxurrada conservadora sobre nosso governo, dito, de esquerda, o Bolinha achou que poderia ser Jesus Cristo e tentou a multiplicação das ONGs. Mas se a maioria da imprensa é conservadora, ao menos ainda não é burra, a despeito da unanimidade que credita às suas “opiniões”. Acharam o fio da meada e num puxão só derrubaram o pré-candidato messias. Então, o garotinho Jesus olhou para o período da vida de Cristo que a bíblia omite e resolver virar Gandhi. Pobre ilusão de um político que, fisicamente, está mais para Ganesha (o deus elefante hindu).

Decretou greve de fome e expôs o ridículo de nossa sociedade moderna construída em pleno arcaísmo coronelista. O presidente operário se enrola no aparelhismo de um partido que sempre quis ser trotskista (e, por isso mesmo, caiu no stalinismo). O ex-presidente que loteou o país e comprou deputados para conseguir sua reeleição é o patrono da democracia. A burguesia conservadora paulista acha que vai conseguir votos chorando a morte do catolicismo aristocrático na política. E o ex-governador messias resolve que a Índia é aqui, achando que um povo em greve de fome forçada vai elegê-lo caso perca alguns quilos. Será que ele acha mesmo que acreditamos nessa história de que, logo ele, vai fechar a boca? Além de subestimar a inteligência alheia, aposto que come escondido uns bombons que ganhou das ONGs na Páscoa.

Resta ligar a TV ou ler um jornal e ser obrigado a ter contato com a esquizofrenia jaboriana ou com as bobagens apocalípticas do gordo. Isso me faz pensar no período de miséria intelectual em que vivemos. Faz procurar algum alento que só vem quando lembramos da greve de fome, tendo certeza que ao menos esse messias não ressuscitará no terceiro dia.

Enquanto isso, em um país etéreo, um índio revolucionário resolve que pode enfrentar o Tio Sam com esperança, gás e flechas. Seus amigos ditadores morrem de rir, lhe dão tapinhas nas costas e o presidente operário suja nove dedos de petróleo. Se as coisas continuarem como estão e o governo francês mantiver o sonho de ser, ao mesmo tempo, democracia social e neoliberal, periga a Torre Eiffel sumir em chamas e, então, nem Paris teremos mais.

Bem fez o astronauta que, às custas de impostos pagos por um povo em greve de fome, pode plantar feijões no espaço. Só não entendi porque ele voltou. Eu estou de partida pra Lua para plantar não feijões, mas batatas. Valei-me, São Jorge!

Marcelo de Andrade
Marcelo é Historiador, Roteirista e Contista.

Alfred Hitchcock, 1899 – 1980

Alfred Hitchcock

Alfred Hitchcock

Filho do casal William e Emma Hitchcock, Alfred Hitchcock nasceu em 13 de agosto de 1899 e teve uma educação rigidamente católica, tendo estudado em um colégio jesuíta toda sua infância.

Seu interesse pela Sétima Arte veio em 1915, junto com o seu primeiro emprego fora da família, na Henley Telegraph and Cable Company.

Em 1920, ingressou para Lasky que acabara de abrir um estúdio em Londres. Pelos dois anos seguintes foi o responsável por criar todos os títulos dos filmes do estúdio. Em 1923 veio a sua primeira chance de dirigir um filme quando o diretor de “Always Tell Your Wife” Hugh Croise ficou doente. Hitchcock terminou o filme mas seu trabalho não foi creditado.

Impressionados com o excelente trabalho no filme, o estúdio acabou o contratando diretor para “Number 13”, mas antes que o filme pudesse ser finalizado o estúdio fechou suas operações britânicas. Foi então contratado como diretor-assistente por Michael Balcon para empresa que seria conhecida como Gainsborough Pictures.

Depois de muitos trabalhos para a companhia, ele teve em 1925 a chance de dirigir seu primeiro filme, uma co-produção entre Inglaterra e a Alemanha chamada “The Pleasent Garden”. Sua carreira de diretor renomado estava apenas começando. O suspense só foi integrar suas obras a partir de seu próximo filme “O Inimigo das Loiras” (The Lodger) em 1926, gênero que o diretor nunca mais abandonou.

Hitchcock realmente dominava a arte de se fazer cinema, pois seu caminho dentro da sétima arte, ele conhecia bem quase todas as funções, de roteirista, produtor, diração de arte, câmera, e por fim, a direção.

Radicou-se nos Estados Unidos, onde fez a maioria de seus filmes e refilmou alguns. Hitchcock é considerado até os dias de hoje, o “Mestre Suspense”, posição essa inquestionável seja pela crítica ou pelo público.

Ao mesmo tempo em que Hitchcock gostava de nos meter medo, ou nos deixar nervosos, ele tinha um humor absurdo. Seus filmes em sua maioria, nos oferecem medo e alegria, com seu sarcásmo e ironia. “O Terceiro Tiro” é um bom exemplo disso, ainda temos o “Intriga Internacional” e tantos outros exemplos dessa mistura.

Recebeu 5 indicações ao Oscar e nunca ganhou nem um. Curiosamente, desde “The Lodger”, filme de 1926, Hitchcock faz ao menos uma aparição em seus filmes. Sempre surgindo como um figurante comum. Até no seriado “Os Simpsons” já fizeram uma referencia a ele, quando logo após uma cena de suspense, Hitchcock passa na frente da familia Simpsons levando seu cachorro pra passear.

Em Hollywood, suas produções causavam curiosidade entre produtores e atores. Todos queriam trabalhar com Hitchcock, mesmo ele citando a famosa e polêmica frase “Ator tem que ser tratado como gado”, todos queriam fazer parte de seu rebanho.

Hitchcock fascinava, encantava, ao público e a quem trabalhava com ele. O set de filmagens de “Janela Indiscreta” por exemplo, era o mais curioso e disputado para se visitar na época das filmagens. Todos em Hollywood queriam conhecer o set do filme, até então o mais caro construido pelas majors.

Alfred Hitchcock ficou conhecido no mundo inteiro, seu cinema virou referência, e mesmo quando em 29 de abril de 1980 se noticiou que o “Mestre do Suspense” falecera em Los Angeles, ninguém negou que sua obra continuaria cada vez mais viva com o passar dos anos.

Jair Santana

 

 

Filmografia de Hitchcock

Trama Macabra (Family Plot, 1976)
Frenesi (Frenzy, 1972)
Topázio (Topaz, 1969)
Cortina Rasgada (Torn Curtain, 1966)
Marnie, Confissões de uma Ladra (Marnie, 1964)
Os Pássaros (The Birds, 1963)
Psicose (Psycho, 1960)
Intriga Internacional (North by Northwest, 1959)
Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958)
O Homem Errado (The Wrong Man, 1956)
O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much, 1956)
O Terceiro Tiro (The Trouble with Harry, 1955)
Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955)
Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)
Disque M para Matar (Dial M for Murder, 1954)
A Tortura do Silêncio (I Confess, 1953)
Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1951)
Pavor nos Bastidores (Stage Fright, 1950)
Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn, 1949)
Festim Diabólico (Rope, 1948)
Agonia de Amor (The Paradine Case, 1947)
Interlúdio (Notorious, 1946)
Quando Fala o Coração (Spellbound, 1945)
Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat, 1944)
Bon Voyage (1944)
A Sombra de uma Dúvida (Shadow of a Doubt, 1943)
Sabotador (Saboteur, 1942)
Suspeita (Suspicion, 1941)
Um Casal do Barulho (Mr. & Mrs. Smith, 1941)
Correspondente Estrangeiro (Foreign Correspondent, 1940)
Rebecca, a Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940)
A Estalagem Maldita (Jamaica Inn, 1939)
A Dama Oculta (The Lady Vanishes, 1938)
Jovem e Inocente (Young and Innocent, 1937)
O Marido era o Culpado (Sabotage, 1936)
Agente Secreto (Secret Agent, 1936)
Agente Secreto (Secret Agent, 1936)
O Marido era o Culpado (Sabotage, 1936)
Os 39 Degraus (The 39 Steps, 1935)
O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much, 1934)
Waltzes from Vienna (1933)
O Mistério do nº 17 (Number Seventeen, 1932)
Rich and Strange (1932)
Mary (1930)
The Skin Game (1931)
Assassinato (Murder!, 1930)
Juno and the Paycock (1930)
An Elastic Affair (1930)
Elstree Calling (1930)
The Manxman (1929)
Chantagem e Confissão (Blackmail, 1929)
Champagne (Champagne, 1928)
A Mulher do Fazendeiro (The Farmer’s Wife, 1928)
Downhill (1927)
Easy Virtue (1927)
O Ringue (The Ring, 1927)
O Inimigo das Loiras (The Lodger, 1926)
The Mountain Eagle (1926)
The Pleasure Garden (1925)
Always Tell Your Wife (1923)
Number 13 (1922)

“Born Slippy” – Unduerwold

Música: Born Slippy
Album: Second Toughest in the Infants
Ano:
1996