“Quase Dois Irmãos”, Lúcia Murat – 2004

Quase Dois Irmãos

"Quase Dois Irmãos"

Mais um bom filme brasileiro, e com esse,temos mais uma mulher no comando de um bom filme brasileiro. Somando-se à Eliane Café e Sandra Werneck, Lucia Murat está entre as grandes diretoras do cinema nacional.

“Quase Dois Irmão”, retrata o antagonismo, mais que entre os dois personagens, mas sim entre a classe média brasileira “politizada” e a classe marginalizada. Algo como, que dissesse que estamos mais próximos do que podemos imaginar um do outro.

O filme é uma revisão na historia social e política do Brasil, da aproximação dessas duas classe na década de 50 feita através do samba, na década de 70 através da ideologia política. E hoje, quando se nega essa aproximação, é tarde demais para dar as costas para o problema social que envolve à todos.

Miguel é um Senador da República que visita seu amigo de infância Jorge, que se tornou um poderoso traficante de drogas do Rio de Janeiro, para lhe propor um projeto social nas favelas. Apesar de suas origens diferentes eles se tornaram amigos nos anos 50, pois o pai de Miguel tinha paixão pela cultura negra e o pai de Jorge era compositor de sambas. Nos anos 70 eles se encontram novamente, na prisão de Ilha Grande.

Ali na prisão, as diferenças raciais e sociais eram mais evidentes: enquanto a maior parte dos prisioneiros brancos estava lá por motivos políticos, a maioria dos prisioneiros negros era de criminosos comuns.

O filme é uma mistura de realidade e ficção com a história recente do país. Tem boas interpretações do elenco principal, Caco Ciocler (Miguel – anos 70) e Flávio Bauraqui (Jorginho – anos 70). Além de participações como de Luiz Melodia, atuando pela primeria vez no cinema, e Marieta Severo. Tem ainda uma ótima trilha sonora, assinada por Naná Vasconecelos. Tem ainda uma fotografia primorosa, do diretor de fotografia Jacob Sarmento Solitrenick, que trabalhou diferenciando épocas através da textura do filme.

É uma aula de historia, não da contada em livros, porém, sem ser chato, sem ser didático. Narra a historia amigos de classes sociais diferente. E essas diferenças culturais e comportamentais, através do roteiro ficional, nos trás a historia recente de um pais segregador, que é o Brasil. A violência que vivemos hoje não nasceu do dia pra noite. Foi construída por nossos pais e avôs.

O Roteiro é da Lúcia Murat , que foi militante da guerrilha durante a ditadura militar e ex-presa política, somado à Paulo Lins, que é autor do livro “Cidade de Deus” .

Jair Santana

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“Hyper-ballad” – Bjork

Música: Hyper Ballad
Album: “Post”
Ano:
1995

Lars Von Trier, 1956 –

Lars Von Trier

Lars Von Trier

Nascido na Dinamarca, Lars Von Trier é um dos diretores mais vissérais que tive contato nos ultimos anos. E adoro esse reflexo no seu cinema.

Lars é diretor do espetacular “Dogville”, e de um dos mais emocionantes e tristes filmes que já assisti na vida que é “Dançando no Escuro”, com a cantora, e maravilhosa atriz, Bjork, interpretando o personagem principal.

Seu filme, “Dançando no Escuro” recebeu um dos mais importantes e respeitados prêmios do cinema mundial, a Palma de Ouro em Cannes em 2000, que também recebeu o Goya de melhor filme Europeu.

Dogvillefaz parte de uma trilogia, que segundo o próprio Lars Von Trier, é sobre os EUA, ou melhor, sobre a cultura norte americana. Dois filmes da trilogia já foram lançados,Dogvillee “Manderlay”, o terceiro será “Wasington” ( Não, não está escrito errado, é assim mesmo), está em fase de pré-produção.

Lars von Trier é o diretor que gosta de incomodar, tocar, brincar ou brigar com o espectador. Sua filmografia e diversificada, sem uma linha só de trabalho. Um dos fundadores do “Dogma 95” uma experimentação visual que pregava o “cinema puro”, sem luz de artificial, sem mixagem, sem trilha sonora, sem cenários.

O Dogma 95, seja talvez, o ultimo grande movimento do cinema mundial desde a Nouvelle Vague e o próprio Cinema Novo. No fundo, Dogma 95, somente que prega um cinema mais simples e mais natural.

Trabalha em um projeto pessoal em que roda 3 minutos de filme todo dia em diferentes locações da Europa. Sua intenção é realizar este trabalho durante 33 anos e, como ele teve início em 1991, a previsão é que o filme seja lançado apenas em 2024.

Lars Von Trier é assim. Criativo, ousado, meio louco, capaz de despertar sentimentos fortes em seus espectadores e seus colegas de trabalho. O diretor e a cantora-atriz Björk tiveram sérias desavenças, com Björk chegando ao ponto de abandonar os sets por duas semanas. Além disto, um dos produtores executivos do filme, numa crise nervosa, quebrou alguns computadores e chegou a ser internado no hospital.

Após o término das filmagens de “Dançando no Escuro”, Björk declarou que esta seria sua primeira e última participação como atriz em um filme.

Posteriormente realizou dois outros grandes e polêmicos filmes “Anticristo”“Melancolia, os dois, vencedores da Palma de Ouro de melhor atriz, para Charlotte Gainsbourg e Kirsten Dunst respectivamente. Mais uma prova de sua excelência direção de atores.

Filmografia:

2011 – Melancolia
2009 – Anticristo
2007 – Cada um com seu cinema (Chacun son cinéma ou Ce petit coup au coeur quand la lumière s’éteint et que le film commence)
2006 – O grande chefe (Direktoren for det hele)
2005 – Manderlay
2003 – Dogville
2000 – Dançando no escuro (Dancer in the dark)
2000 – D-dag (TV)
2000 – D-dag-Lise (TV)
1998 – Os idiotas (Idioterne)
1996 – Ondas do destino (Breaking the waves)
1991 – Europa (Europa)
1988 – Epidemic
1987 – Medea (TV)
1984 – Forbrydelsens element
1981 – Den sidste detalje
1979 – Menthe – la bienheureuse
1977 – Orchidégartneren