“Nossa Vida não Cabe num Opala” – Reinaldo Pinheiro

Nossa Vida Nabe Num Opala

Nossa Vida Nabe Num Opala

Com o roteiro do experiente Di Moretti (“Cabra Cega” e “Filhas do Vento”), baseado em peça teatral de Mário Bertolotto, o filme “Nossa Vida não Cabe num Opala” chega ao cinema, beirando a ser constrangedor.

Direção visivelmente solta e perdida. Com interpretações exageradas acaba-se perdendo ótimo elenco. Talvez vindas da referência teatral do texto, o diretor estreante em longa, realizador do ótimo curta “BMW Vermelho”, Reinaldo Pinheiro esquece que há vários tipos de interpretações, e que cinema não é teatro. O diretor simplesmente se perde nessas referências e não decide oque quer assumir. Se o teatro ou o cinema.

Dialogos fracos, onde o próprio autor da peça Mário Bartolotto descordou do tratamento dado ao texto pelo roteirista, acabam por deixar o filme sem sentido, acompanhado de uma motagem, que parece ter sido realizada de maneira equivocada, fazendo o filme, se perder mais ainda.

Maria Luiza Mendonça ganhou prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Recife. A atriz realmente é muito boa, mas seu papel é fraco e perdido. Realmente não dá pra entender o porque do prêmio, se a participação de Maria Luiza Mendonça é mínima no filme. Suas três cenas não chegam a dez minutos, dos mais de 100 minutos que tem o filme.

O filme também ganhou como melhor filme, roteiro e trilha. Trilha essa, também sem sentido, e não dialoga em momento algum com o filme Parece mais uma sequência de experimentações sonoras sem sentido.

A fotografia do experiente Jacob Solitrenick, fotografo de filmes como “As Filhas do Vento”, “Antonia” e “Saneamento Básico”, erra, inexplicavelmente, realizando uma fotografia pobre, suja e feia. Luz dura  em algumas cenas, e pouca luz em outras, Jacob, erra feio, e realiza uma fotografia com cara de cinema experimental universitário. Oque com toda certeza não é a proposta do filme.

Não atoa, “Nossa Vida não Cabe Num Opala” não foi sequer selecionado pra absolutamente nada em Gramado. O Festival de Gramado que por sua vez, tem a frente em 2008, José Carlos Avelar e o Sérgio Sanz, tentando assim recuperar o respeito pelo festival.

Triste ver como mesmo com parte da equipe, formada por ótimo profissionais, entre atores e roteirista, o cinema brasileiro ainda fez um grande equivoco como “Nossa Vida Não Cabe Num Opala”. O filme é uma montanha de erros.

Jair Santana

Anúncios