“WALL-E”, Andrew Stanton, 2008

waal-e

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“WALL-E”, na minha opinião, é sem dúvida o melhor filme da Pixar até hoje. Eu iria até mais longe, e diria que “WALL-E” é a melhor animação em 3D realizada até hoje.

Não somente pelos bons efeitos, que imitam movimentos de câmera, não somente pelas boas piadas, mas acima de tudo, pela inteligência do roteiro. Que vai além de tudo isso, mas pensamos sempre o contrario quando se fala em  ”cinema infantil”. mas “WALL-E” é acima de tudo, um cinema sério, obscuro, sombrio e crítico. Nos levando a um planeta Terra devastado pelo próprio homem, onde mesmo depois de 700 anos, ainda encontramos um planeta praticamente inóspito para vida.

Andrew Stanton foi diretor de bons filmes de animação, como “Vida de Inseto” e “Procurando Nemo”, mas WALL-E tem algo a mais. Não somente mensagens politicamente corretas, como existiam também em seus filmes anteriores (superação, preconceito), mas acima de tudo pela crítica que o filme faz a sociedade moderna e em especial, à própria sociedade americana.

No filme, as pessoas não são obrigadas a nada, mas são induzidas a se comportarem de maneira tal, que param de pensar, de agir por conta própria, e através da publicidade e do governo, que dizem como devem se comportar, o que devem vestir, devem pensar, então essas pessoas começam a agir como zumbis.

E o personagem, “WALL-E”, é quem começa a “pensar” e agir de forma diferente da que lhes foi designada. Parece, ao primeiro contato, uma historia repetida, dessas que  ja ouvimos falar, lemos e assistimos várias vezes, mas “WALL-E” é profundo, sensível, e realizada de uma maneira deliciosamente divertida.

Pode-se dizer inclusive, que “WALL-E” é acima de tudo um projeto ousado. Os primeiros 30 minutos do filme por exemplo não tem uma só palavra. E para a grande maioria do público, que esta acostumada com cinema auto-explicativo, que usa mais que a imagem, mas também palavra para se explicar as ações, essa ausência de palavras, causará com toda certeza, certo estranhamento.

 

 

Existe ausência de palavras, mas não de dramaticidade e ação. “WALL-E” foi uma ótima surpresa. Foi vendido sim, como um produto infantil, mas engana-se, quem equivale o infantil, com algo ingênuo, bobo ou menor.

O filme, ”WALL-E”, apresenta um tema que está na agenda do dia, que é o cuidado com o planeta, e passa longe de ser um “ecochato”. Além da luta por nossas convicções, Concordo com a citação o crítico Diego Assunção para Revista Cinética, sobre o gênero infantil: “Infantil está mais para uma denominação que, consigo, leva a arte para aquilo que deveria ser o seu real objetivo: um instrumento de libertação”.

Difícil também não identificar algumas referências, como, talvez a principal delas. A semelhança do robô Wall-e, com o outrora, símbolo de toda uma geração de crianças. O “E.T. – O Extraterrestre”. Toda sua expressão esta centrada naqueles grandes olhos, seu pescoço longo, e toda representação do amor, está concentrada em suas mãos. Assim como o dedo do ET acendia e curava, as mãos do Wall-e “ligam” e “curam” de uma dormência sentimental. As mãos do ET e do Wall-e, são sínteses e símbolos de seus sentimentos.

Jair Santana

Uma resposta

  1. Maravilhosa Crítica a respeito do filme Wall.e. Concordo em tudo o que vc disse.
    Parabéns.

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