“Ninguém Pode Saber”, Hirokazu Koreeda – 2004

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“Ninguem Pode Saber” é realmente um filme imperdível. Indicado a Palma de Ouro em Cannes, perdeu para o filme belga “A Criança” dos irmãos Dardenne. É o segundo filme do diretor a concorrer a Palma de Ouro, o primeiro foi “Tão Distante”, que perdeu para o filme italiano “O Quarto do Filho”, de Nanni Moretti

O diretor Hirokazu Koreeda, tem uma carreira variada. Conhecido no Japão, além de diretor de cinema, também como diretor de documentários e filmes para a TV Japonesa. Se baseou em fatos reais para esse filme, mas criou todo um lado psicológico forte para cada personagem.

Longe da maioria dos dramas ocidentais, onde tudo vem mastigado, e as historias são feitas pra fazer chorar. “Ninguém pode Saber” é diferente. O roteiro te envolve mas não se transforma em um dramalhão. Mostra os fatos e ai você decide o que quer fazer com eles. É como se o filme não te permitisse chorar, nos deixando com o choro preso, nos fazendo engolir a seco absurdos da sociedade contemporânea.

O garoto Yuya Yagira de 12 anos, que interpreta o personagem Akira, ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. Com certeza um dos filmes mais bonitos do ano de 94. Também mais sérios, mais verdadeiros, mais emocionantes.

O filme conta ainda com uma fotografia, bem trabalhada, sempre valorizando o que mais se aproxima da luz natural, direção de arte minuciosa, detalhista, e interpretações contidas, mas realistas. A decupagem da direção é outro chamariz no filme. Sempre atento a tudo, detalhes de mãos trabalhando ou brincando no vídeo-game, detalhes do olhar, mas sem nos aproximar demais dos personagens. Sempre nos mantendo apenas como observadores.

Esse mundo nos é apresentado no filme, através dos olhos de Akira, um garoto de 12 anos, que se vê obrigado, a tomar pra si, a responsabilidade de cuidar dos irmãos menores, das contas da casa, e de uma mãe desprovida de amor pelos seus filhos. Apesar de o filme acontecer em Tóquio, podemos identificar estórias bem parecidas aqui mesmo no Brasil, ou em qualquer grande cidade.

Com certeza, o filme causará certo incômodo em sua narrativa, principalmente, para quem está acostumado com ritmo de vídeo-clip que o cinema americano nos acostumou. A ficção, mas com premissa baseada em fatos ocorridos em Tóquio, é apresentada gradualmente ao espectador. Tudo é muito explicado através das imagens, buscando assim, trazer mais atenção do espectador. As primeiras cenas por exemplo, na chegada dos personagens a sua nova casa, nada é explicado com palavras, mas sim, somente através das imagens.

A mudança do estilo de vida, degradação financeira, e mesmo “moral” nos é contada também através dessas imagens. Essa degradação moral chega junto com a necessidade financeira, e por isso, perdoada pelo espectador, mas ainda assim, nos é colocada de maneira fria e real.

A delicadeza, sutileza e firmeza do diretor no filme é chave principal, para “Ninguém pode Saber”, ter se tornado esse grande filme a qual se tornou. Como falei, um filme imperdível. Social, sensível, inteligente, crítico e acima de tudo, emocionante.

Jair Santana

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