“Persépolis”, Marjane Satrapi, 2007

Persépolis

Persépolis

Apesar de um inicio confuso, com um certo aglomerado de explicações, pois precisa nos localizar historicamente, “Persepolis”, é uma animação para adulto, de primeira categoria.

O filme ganhou o Oscar de melhor filme de animação em 2008, também ganhou Premio de juri em Cannes, Prêmio do Público e o Prêmio MovieZone, no Festival de Roterdã. e Melhor Filme Estrangeiro na Mostra de Cinema de São Paulo.

“Pesépolis” é sem dúvida, um ótimo filme. Apesar de realizado em animação, não tem nada infantil. A história de Marji, voz de Chiara Mastroianni, uma garota sonha em se tornar uma profetisa para salvar o mundo. Mas, quando o novo regime no Irã a obriga a usar véu, ela decide se tornar uma revolucionária.

O filme causou protestos do Governo do Irã, que enviou uma carta à embaixada da França em Teerã protestando contra Persépolis, além de pressionar os organizadores do Festival de Bangkok a retirá-lo de sua programação.

A historia, que acontece inicialmente no Irã, é curiosa por sí só e, depois de bem localizados historicamente, nos prende, intensamente em seus 95 min de filme. Posteriormente por culpa de um governo ditador, Marji sai de seu país e do colo familiar, em busca de liberdade e conhecimento, sem perder os vínculos com sua terra natal.

“Persépolis” consegue ser um filme crítico, triste, ao mesmo tempo poético e delicado. Não absorve o peso da trajetoria de Marji. Tem lindos momentos e mantem um ár singelo, dificil de se manter num filme como esse.

Na verdade essa história é uma auto-biografia de Marjane Satrapi. O Roteiro de Vincent Paronnaud é inspirarado no livro auto-biográfico de Marjane Strapi, e o filme, dirigido por ela e Vincent Paronnaud.
Sua estética nos remete a desenhos infantis, mas ao mesmo tempo apresenta uma sobriedade e um certo melancolismo bem adultos. A excelente música de Olivier Bernet é outro grande acerto. Oliver em seu segundo filme apenas, faz um ótimo trabalho, casando imagem e som.

Entre as vozes estão Catherine Deneuve dublou a Sra. Satrapi nas versões em francês e em inglês e de Sean Penn, Gena Rowlands e Iggy Pop dublaram personagens na versão americana do filme.

Jair Santana

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“Me Diga” – Nando Reis

Música: Me Diga
Disco: 12 de Janeiro
Ano: 2000

“Viðrar Vel Til Loftárasa” -Sigur Ros

 
Música: Viðrar Vel Til Loftárasa
Album: Ágætis Byrjun
Ano: 1999
 

“Bizarre Love Triangle” – Frente!

Música: Bizarre Love Triangle
Album: Marvin the Album
Ano: 1992

“Segue o Seco” – Marisa Monte

Música: Segue o Seco
Disco: Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Roa e Carvão
Ano: 1994

“A Goiabeira” – Edi Lopez

A Goiabeira

A Goiabeira

Sinopse

Sebastiana e Joaquim fazem uma promessa perante uma de goiabeira. Ele está indo para o Rio de Janeiro a procura de trabalho, mas promete voltar e se casar com ela. Joaquim viaja e Sebastiana fica anos esperando por ele debaixo da goiabeira costurando seu vestido. Joaquim volta, mas trazendo uma surpresa.

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Ed Lopez
Ass. de Direção: Cedric
Produção Executiva: Aleques Eitere
Produção: Samuel Strappa
Ass. de Produção: Fernanda Lima e Anna Bastos
Fotografia: Heloisa Hurahy
Câmera: Heloisa Ururahy (Serinha)
Som Direto: Michael Warmann
Música: Marcelo Doca
Montagem: Luiza Marques, Fernando Secco, Raphael Mesquita
Maquiagem: Juka Goulart, Raquel Araújo
Figurino: Ligia e Larissa Rovertal
Continuidade: Natacha Marcato
Cenografia: Gianna Laroca e Detinho
Produtora: FBCU

Prêmios

Melhor Filme no Curta Noite 2006
Melhor Roteiro Original no Festival de Gramado 2006
Melhor Atriz no Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora 2006
Curta convidado para mostra Internacional de Las Palmas en Granária – Espanha. Só foram dois filmes brasieiros selecionados, “A Goiabeira” e o “Cão Sem Dono” do Beto Brant.

“Do Outro Lado”, Fatih Akin – 2007

Do Outro Lado

Neste seu segundo filme,  Fatih Akin , diretor de “Contra Parede”“Soul Kitchen”,  retrata o comportamento da “nova” comunidade europeia e também, de um modo geral, do mundo globalizado. Um mundo onde se perdeu a identidade nacionalista, e continua-se buscando e falsamente se lutando por ela.

“Do outro lado” conta com bom roteiro, apesar de as vezes tornar-se um pouco confuso, do também diretor Fatih Akin. Vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes e também do European Film Awards, além de indicações de melhor filme e direção. Foi representante da Alemanha no Oscar de melhor filme estrangeiro.

O filme conta com ótimas interpretações. Principalmente dos coadjuvantes, como a mãe alemã, interpretada pela ótima atriz alemã Hanna Schygulla e o pai turco. Em especial a cena de Susane, a mãe, no quarto do hotel na Turquia ao ir buscar a filha, é antológica.

A fotografia de Rainer Klausmann é um tanto simplória e pouco trabalhada, mas ainda assim não chega a comprometer. Rainer Klausmann é em sua maioria fotografo de TV. Ta aí a explicação.

Os personagens sofrem de um falta de identidade e objetivos por conta do caótico mundo moderno em que vivem, ou seria melhor dizer, em que vivemos. Não se enxergam uns aos outros, procuram algo que não sabem ao certo o que é, e morrem de medo de a nova geração cairem em seus memos erros.

Pode-se dizer que o filme tem um “q” de auto-biografia. Fatih Akin, que é alemão de descendência turca. Seu personagem principal, Ayten ( Nurgül Yesilçay) é turco, professor em uma Universidade na Alemanha. Volta para Turquia, para ser dono de uma livraria alemã na Turquia. E são esses entrelaces que centralizam o roteiro.

Outro acerto que merece destaque no filme é a belíssima trilha sonora. O responsável por ela, é o compositor Shante, em sua primeira composição para o cinema.

“Do Outro Lado” é um filme de relaçoes humanas, crítico e acima de tudo atual. Perde um pouco pelo tempo do filme, que talvez pudesse ser um pouco menor. É um filme de que esta perdido no mundo, sem nacionalidade, pois pertencer ao mundo hoje é mais complicado do que se pode imaginar.

Jair Santana