“Persépolis”, Marjane Satrapi, 2007

Persépolis

Persépolis

Apesar de um inicio confuso, com um certo aglomerado de explicações, pois precisa nos localizar historicamente, “Persepolis”, é uma animação para adulto, de primeira categoria.

O filme ganhou o Oscar de melhor filme de animação em 2008, também ganhou Premio de juri em Cannes, Prêmio do Público e o Prêmio MovieZone, no Festival de Roterdã. e Melhor Filme Estrangeiro na Mostra de Cinema de São Paulo.

“Pesépolis” é sem dúvida, um ótimo filme. Apesar de realizado em animação, não tem nada infantil. A história de Marji, voz de Chiara Mastroianni, uma garota sonha em se tornar uma profetisa para salvar o mundo. Mas, quando o novo regime no Irã a obriga a usar véu, ela decide se tornar uma revolucionária.

O filme causou protestos do Governo do Irã, que enviou uma carta à embaixada da França em Teerã protestando contra Persépolis, além de pressionar os organizadores do Festival de Bangkok a retirá-lo de sua programação.

A historia, que acontece inicialmente no Irã, é curiosa por sí só e, depois de bem localizados historicamente, nos prende, intensamente em seus 95 min de filme. Posteriormente por culpa de um governo ditador, Marji sai de seu país e do colo familiar, em busca de liberdade e conhecimento, sem perder os vínculos com sua terra natal.

“Persépolis” consegue ser um filme crítico, triste, ao mesmo tempo poético e delicado. Não absorve o peso da trajetoria de Marji. Tem lindos momentos e mantem um ár singelo, dificil de se manter num filme como esse.

Na verdade essa história é uma auto-biografia de Marjane Satrapi. O Roteiro de Vincent Paronnaud é inspirarado no livro auto-biográfico de Marjane Strapi, e o filme, dirigido por ela e Vincent Paronnaud.
Sua estética nos remete a desenhos infantis, mas ao mesmo tempo apresenta uma sobriedade e um certo melancolismo bem adultos. A excelente música de Olivier Bernet é outro grande acerto. Oliver em seu segundo filme apenas, faz um ótimo trabalho, casando imagem e som.

Entre as vozes estão Catherine Deneuve dublou a Sra. Satrapi nas versões em francês e em inglês e de Sean Penn, Gena Rowlands e Iggy Pop dublaram personagens na versão americana do filme.

Jair Santana

“Me Diga” – Nando Reis

Música: Me Diga
Disco: 12 de Janeiro
Ano: 2000

“Viðrar Vel Til Loftárasa” -Sigur Ros

 
Música: Viðrar Vel Til Loftárasa
Album: Ágætis Byrjun
Ano: 1999
 

“Bizarre Love Triangle” – Frente!

Música: Bizarre Love Triangle
Album: Marvin the Album
Ano: 1992

“Segue o Seco” – Marisa Monte

Música: Segue o Seco
Disco: Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Roa e Carvão
Ano: 1994

“A Goiabeira” – Edi Lopez

A Goiabeira

A Goiabeira

Sinopse

Sebastiana e Joaquim fazem uma promessa perante uma de goiabeira. Ele está indo para o Rio de Janeiro a procura de trabalho, mas promete voltar e se casar com ela. Joaquim viaja e Sebastiana fica anos esperando por ele debaixo da goiabeira costurando seu vestido. Joaquim volta, mas trazendo uma surpresa.

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Ed Lopez
Ass. de Direção: Cedric
Produção Executiva: Aleques Eitere
Produção: Samuel Strappa
Ass. de Produção: Fernanda Lima e Anna Bastos
Fotografia: Heloisa Hurahy
Câmera: Heloisa Ururahy (Serinha)
Som Direto: Michael Warmann
Música: Marcelo Doca
Montagem: Luiza Marques, Fernando Secco, Raphael Mesquita
Maquiagem: Juka Goulart, Raquel Araújo
Figurino: Ligia e Larissa Rovertal
Continuidade: Natacha Marcato
Cenografia: Gianna Laroca e Detinho
Produtora: FBCU

Prêmios

Melhor Filme no Curta Noite 2006
Melhor Roteiro Original no Festival de Gramado 2006
Melhor Atriz no Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora 2006
Curta convidado para mostra Internacional de Las Palmas en Granária – Espanha. Só foram dois filmes brasieiros selecionados, “A Goiabeira” e o “Cão Sem Dono” do Beto Brant.

“Do Outro Lado”, Fatih Akin – 2007

Do Outro Lado

Neste seu segundo filme,  Fatih Akin , diretor de “Contra Parede”“Soul Kitchen”,  retrata o comportamento da “nova” comunidade europeia e também, de um modo geral, do mundo globalizado. Um mundo onde se perdeu a identidade nacionalista, e continua-se buscando e falsamente se lutando por ela.

“Do outro lado” conta com bom roteiro, apesar de as vezes tornar-se um pouco confuso, do também diretor Fatih Akin. Vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes e também do European Film Awards, além de indicações de melhor filme e direção. Foi representante da Alemanha no Oscar de melhor filme estrangeiro.

O filme conta com ótimas interpretações. Principalmente dos coadjuvantes, como a mãe alemã, interpretada pela ótima atriz alemã Hanna Schygulla e o pai turco. Em especial a cena de Susane, a mãe, no quarto do hotel na Turquia ao ir buscar a filha, é antológica.

A fotografia de Rainer Klausmann é um tanto simplória e pouco trabalhada, mas ainda assim não chega a comprometer. Rainer Klausmann é em sua maioria fotografo de TV. Ta aí a explicação.

Os personagens sofrem de um falta de identidade e objetivos por conta do caótico mundo moderno em que vivem, ou seria melhor dizer, em que vivemos. Não se enxergam uns aos outros, procuram algo que não sabem ao certo o que é, e morrem de medo de a nova geração cairem em seus memos erros.

Pode-se dizer que o filme tem um “q” de auto-biografia. Fatih Akin, que é alemão de descendência turca. Seu personagem principal, Ayten ( Nurgül Yesilçay) é turco, professor em uma Universidade na Alemanha. Volta para Turquia, para ser dono de uma livraria alemã na Turquia. E são esses entrelaces que centralizam o roteiro.

Outro acerto que merece destaque no filme é a belíssima trilha sonora. O responsável por ela, é o compositor Shante, em sua primeira composição para o cinema.

“Do Outro Lado” é um filme de relaçoes humanas, crítico e acima de tudo atual. Perde um pouco pelo tempo do filme, que talvez pudesse ser um pouco menor. É um filme de que esta perdido no mundo, sem nacionalidade, pois pertencer ao mundo hoje é mais complicado do que se pode imaginar.

Jair Santana

Jorge Furtado, 1959 –

Jorge Furtado

Jorge Furtado

O diretor, roteirista e produtor Jorge Furtado, nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde começou sua carreira como diretor. Inicialmente na televisão na década de 80, Furtado ingressa na TV educativa, onde foi um dos criadores do programa “Quizumba”. Mistura de ficção e documentário. Algo inovador pra época em uma TV Pública.

Ainda na década de 80 começa a roteirizar e dirigir curtas, e em 84 lança “Temporal”, seu primeiro trabalho, onde ganhou Festival de Gramado de Melhor Curta e Melhor Diretor.

Em 1987, foi um dos fundadores da “Casa de Cinema de Porto Alegre”, que em um primeiro momento funcionava como uma Cooperativa, e hoje se tornou uma Produtora Independente. Jorge Furtado continua como um dos sócios da Produtora hoje.

Com o curta “Ilha das Flores” em 89, o diretor ganha novamente o Festival de Cinema de Gramado com os prêmios de Melhor Curta, Roteiro, Montagem e Crítica, ganhou ainda festivais na Franca e Berlim.
Em 2002, estreou como diretor de longas, em “Houve uma vez dois Verões”, gravado totalmente em câmera digital. Depois de seu primeiro longa, que apesar de fraca distribuição, teve relativo sucesso, Jorge Furtado não parou mais de realizar longas.

Logo em seguida, em 2003, é lançado “O Homem que Copiava”, onde Furtado roteiriza e dirige. Com um elenco mais conhecido do grande público ( Luana Piovane, Leandra Leal, Lázaro Ramos e Pedro Cardoso) e uma melhor distribuição, o filme fez sucesso de público e crítica. Ganhando 6 prêmio no Grande Prêmio de Cinema Brasil e mais dois no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

Com uma filmografia de longas, ainda curta, mas segura, Jorge Furtado é um dos diretores mais promissores do país. Com um trabalho continuo, agradando público e crítica, o diretor constrói uma filmografia que já tema de mostras e homenagem em vários países: em Hamburgo (1994), Rotterdam (1995), São Paulo (1997), Santa Maria da Feira (1998), Goiânia (2002), Toulouse (2004), Paris (2005), Londres (2006) e Bruxelas (2006). Em março de 2008, o Harvard Film Archive, ligado à Universidade de Harvard, promoveu a mostra “Jorge Furtado’s Porto Alegre”, com a exibição de 2 longas e 7 curtas.

Seus roteiros em sua maioria, apresentam temas críticos-sociais, como gravidez, desemprego, entre outros. Mas acima de tudo, seus filmes não tem a intenção de serem demagógicos. Os assuntos são tocados de maneira sutil, totalmente condizente com o roteiro e não aleatoriamente para ser apenas politicamente correta e educativa.

Seu ultimo longa, “Saneamento Básico” por exemplo, apresentava um tema muito delicado e discutível. Uma cidade, do interior, procurava dinheiro para melhorar o esgoto, mas a prefeitura só oferecia dinheiro para a produção de cinema. A maneira como são colocadas as situações em seu roteiro, levantam questões delicadas, mas muito bem conduzidas.

Seus filmes, entre curtas e longas, hoje somam aproximadamente 130 prêmios em festivais do Brasil e exterior. É hoje um dos mais conhecidos e respeitados diretores do país e está apenas no quarto longa metragem.

Filmografia de Jorge Furtado

2007 – Saneamento básico, o filme
2004 – Meu tio matou um cara
2003 – O homem que copiava
2002 – Houve uma vez dois verões
2000 – O sanduíche (curta-metragem)
1997 – Ângelo anda sumido (curta-metragem)
1995 – Felicidade é… (curta-metragem)
1994 – A matadeira (curta-metragem)
1994 – Veja bem (curta-metragem)
1991 – Esta não é a sua vida (curta-metragem)
1989 – Ilha das flores (curta-metragem)
1988 – Barbosa (curta-metragem)
1986 – O dia em que Dorival encarou a guarda (curta-metragem)
1984 – Temporal (curta-metragem)

“Nome Próprio” – Murilo Salles, 2008

Nome Próprio

Nome Próprio

“Nome Próprio” é um filme acima de tudo inquietante.

Murilo Salles (de “Faca de Dois Gumes” e “Como Nascem os Anjos”) demonstra ser corajoso ao realizar esse filme. Vencedor, merecidademente, do 36° Festival de Gramado, o filme tem cara de cinema de vanguarda, universal, atual e autoral.

Leandra Leal está totalmente entregue para a personagem Camila. Na verdade, Leandra Leal empresta seu corpo, a essa outra pessoa que é a personagem Camila. Uma garota, difícil, egocêntrica, confusa, arrogante com seus conceitos e sentimentos, aproveitadora, ou seja, praticamente insuportável. Mas, acima de tudo, curiosamente atual.

Camila parece aquela garota que mora ao lado e conhecemos pouco. Tem cara de “gente comum da Augusta”. Tem cara de uma garota, ou melhor, tem a cara da uma geração que está na rua, enchendo os bares, boates e blogs.

Uma geração individualista, que não tem medo ou vergonha de se expor (nos orkuts, fotologs e blogs), mas não quer ser lembrada por ninguém de sua exposição. E tem receio e até raiva quando, ou opinam ou a criticam por isso.

Camila quer demonstrar, para os outros pra si mesma, ser auto-suficiente, autoconfiante, independente, principalmente emocionalmente, e com isso, comporta-se como o centro do mundo de todos que a cercam. Mas na verdade, depende de todos. Inclusive para ter um teto. É carente, e procura mais que uma estabilidade, uma dependência emocional. A personagem, dentro do seu universo, é totalmente antagônica, paradoxal, mas real.

Não se coloca algo na internet, se não for para ser lido por outras pessoas. Mas Camila, assim como Clarah Averbuck, a garota real que serviu de inspiração para personagem, negam isso com toda veemência que podem.

Clarah Averbuck é escritora dos livros, “Vida de Gato” e “Máquina Pinball”, além de bloguista claro. E em seu blog, Clarah escreve seus pensamentos, suas angustias, sua vida. Assim como a personagem Camila.

Leandra Leal levou o prêmio de melhor atriz em gramado. É o reconhecimento de um trabalho difícil, de entrega e construção de personagem muito bem realizada.

Fotografia ora suja, ora rebuscada, conversa muito bem com o filme, e a câmera é um show a parte. Os movimentos de câmera entram totalmente na diegese do filme, tornando-se fundamental ao que ele se propõe.

O filme ganhou ainda, Prêmio de Direção de Arte em Gramado. Se vê um trabalho de pesquisa muito bem realizado realmente. Murilo Salles, apesar de ser um diretor carioca, transpôs um universo paulista real. Sem caricaturas. Desde de a escolha de locações ao figurino. Algo próximo do que foi realizado em “Nina”, de Heitor Dhalia.

Apesar de ser um filme atual, jovem, e ter inúmeras qualidades, “Nome Próprio” não tem sido um sucesso de público. Talvez pela personagem dificil. Talvez pela baixa divulgação do filme, ou pelo preço do cinema, ou ainda, porque o filme exija demais seu público. Talvez ainda, porque, grande parte do público de cinema no país, seja exatamente como Camila. E o incomodo de se ver na tela, os fazem sentir, como Camila se sente ao ser criticada em seu blog.

O que fica para o para o público, é um cinema de qualidade, “Nome Próprio” tem cara de cineasta streante. No melhor que isso possa significar. Pois, como ja foi dito, é um filme corajoso, ousado e barato. Filme com cara de cinema brasileiro, cara de um bom cinema latino. Novo, autêntico,visceral. “Nome Próprio” tem cima de tudo, cara de cinema, e posiciona bem nisso. Não quer ser visto como uma adaptação da literatura. E em momento algum se propõe a se confundir em ser literatura, teatro ou novela. É CINEMA.

Jair Santana

“Nossa Vida não Cabe num Opala” – Reinaldo Pinheiro

Nossa Vida Nabe Num Opala

Nossa Vida Nabe Num Opala

Com o roteiro do experiente Di Moretti (“Cabra Cega” e “Filhas do Vento”), baseado em peça teatral de Mário Bertolotto, o filme “Nossa Vida não Cabe num Opala” chega ao cinema, beirando a ser constrangedor.

Direção visivelmente solta e perdida. Com interpretações exageradas acaba-se perdendo ótimo elenco. Talvez vindas da referência teatral do texto, o diretor estreante em longa, realizador do ótimo curta “BMW Vermelho”, Reinaldo Pinheiro esquece que há vários tipos de interpretações, e que cinema não é teatro. O diretor simplesmente se perde nessas referências e não decide oque quer assumir. Se o teatro ou o cinema.

Dialogos fracos, onde o próprio autor da peça Mário Bartolotto descordou do tratamento dado ao texto pelo roteirista, acabam por deixar o filme sem sentido, acompanhado de uma motagem, que parece ter sido realizada de maneira equivocada, fazendo o filme, se perder mais ainda.

Maria Luiza Mendonça ganhou prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Recife. A atriz realmente é muito boa, mas seu papel é fraco e perdido. Realmente não dá pra entender o porque do prêmio, se a participação de Maria Luiza Mendonça é mínima no filme. Suas três cenas não chegam a dez minutos, dos mais de 100 minutos que tem o filme.

O filme também ganhou como melhor filme, roteiro e trilha. Trilha essa, também sem sentido, e não dialoga em momento algum com o filme Parece mais uma sequência de experimentações sonoras sem sentido.

A fotografia do experiente Jacob Solitrenick, fotografo de filmes como “As Filhas do Vento”, “Antonia” e “Saneamento Básico”, erra, inexplicavelmente, realizando uma fotografia pobre, suja e feia. Luz dura  em algumas cenas, e pouca luz em outras, Jacob, erra feio, e realiza uma fotografia com cara de cinema experimental universitário. Oque com toda certeza não é a proposta do filme.

Não atoa, “Nossa Vida não Cabe Num Opala” não foi sequer selecionado pra absolutamente nada em Gramado. O Festival de Gramado que por sua vez, tem a frente em 2008, José Carlos Avelar e o Sérgio Sanz, tentando assim recuperar o respeito pelo festival.

Triste ver como mesmo com parte da equipe, formada por ótimo profissionais, entre atores e roteirista, o cinema brasileiro ainda fez um grande equivoco como “Nossa Vida Não Cabe Num Opala”. O filme é uma montanha de erros.

Jair Santana

Woody Allen – 1935 –

woody allen

woody allen

Woody Allen é, acima de tudo, um diretor raro, principalmente nos EUA. Ao todo, suas obras já concorreram a 18 Oscars, entre as categorias melhor direção, roteiro, filme e ator. Aliás, o próprio cineasta já concorreu como diretor, roteirista, produtor (filme) e ator. Ele disputou as estatuetas, por exemplo, de melhor filme, roteiro e diretor por “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. Mesmo assim, tendo Oscar’s, Palmas e Ursos de Ouro em sua prateleira, o mestre é avesso a premiações.

Passeando muito bem entre o drama, a comédia e o policial, algo raro entre a maioria dos diretores, Woody consegue, desde de 1982, fazer um filme por ano, e, em alguns anos, até três filmes. O exemplo foi o caso de 1887, quando o cineasta produziu e dirigiu ”Setembro”, “Rei Lear” e “A Era do Rádio” – na verdade, três ótimos filmes.

Nascido em Nova York, no bairro do Brooklin, Allan Stewart Konigsberg, “vulgo” Woody Allen, é com toda certeza o mais nova-iorquino dos diretores de Hollywood: sempre produz e usa a cidade como locação na maioria de seus filmes.

Woody já passou por várias Majors, como Columbia, Miramax, Paramount, DreamWorks e nunca deixou de ser um cineasta de cinema autoral, algo cada vez mais raro nos EUA, principalmente entre os grandes estúdios.

Porém seus filmes nunca foram grandes sucessos de público nos EUA, causando certo incômodo nas distribuidoras. Woody Allen costuma fazer muito mais sucessos em países como França, Inglaterra, Espanha e Brasil.

O cineasta começou escrevendo comédia para TV NBC e atuando em standup’s comedian, tipo de apresentação típica nos EUA, onde comediantes ficam sozinhos a frente de show em boates. Woody Allen foi assistido por Shirley MacLaine, que convenceu o produtor Charles Feldman (que estava ao seu lado) a contratá-lo para escrever o roteiro e atuar no filme ”O que é que Há Gatinha?”.

Em média, hoje seus filmes custam entre 5 e 20 milhões de dólares. Grandes atores trabalham em seus filmes e cobram o mínimo do sindicado, como Natalie Portam, Julia Roberts, Edward Norton, Meryl Streep, sem falar em suas musas como Diane Keaton, Mia Farrow e a ultima delas, Scarlett Johansson. A única a qual não foi casado.

Amante do jazz, o diretor geralmente usa como trilha, clássicos do gênero em seus filmes. Amor esse que usou como desculpa para não receber alguns de seus prêmios, como o Oscar, que justificou sua ausência na cerimônia, dizendo que tinha que tocar trompete no Michael’s Pub, um tradicional bar de Jazz na Zona Leste de Nova York.

Desestimulado a produzir filmes nos EUA, Woody realizou seu primeiro filme Europeu em 2005, “Match Point” pela BBC Films. Filme em que o diretor retorna ao drama policial. O filme concorreu ao Oscar de melhor roteiro Original, e também o Goya de Melhor Filme Europeu.

Depois desse, foram produzidos mais dois filmes Ingleses, “Scoop” e “Sonho de Cassandra”. Em 2008, está produz seu primeiro filme com dinheiro de produção Espanhola, filmado em Barcelona, “Vicky Cristina Barcelona”.

Ao todo, com sua ultima produção espanhola, Woody Allen chega ao total de 45 filmes como diretor. Sem contar em participações como ator em outros filmes, como “Cenas em um Shopping” dirigidor por Paul Mazursky em 1991, onde atua ao lado de Bette Midler, e ainda “Formiguinhaz” dirigido por Eric Darnell e Tim Johnson,animação, onde faz par romântico com Sharon Stone.

O grande trunfo dos filmes do diretor é justamente seus roteiros, a liberdade cinematográfica que tem o cinema de autor, e a linha de “cinema independente” que mantêm, não importando em qual produtora realiza seus filmes. Woody Allen não precisa de muito dinheiro ou de atores famosos para chamar atenção. A noticia de estar dirigindo um novo filme, não importa com quem ou sobre o que, vira automaticamente noticia para sites, jornais e revistas especializadas em cinema no mundo todo.

Filmografia de Woody Allen

2008 – Vicky Cristina Barcelona
2007 – Sonho de Cassandra (Cassandra Dreans)
2006 – Scoop – O grande furo (Scoop)
2005 –Ponto Final (Match Point)
2004 – Melinda e Melinda ( Melinda and Melinda)
2003 – Igual a Tudo na Vida (Anything else)
2002 – Dirigindo no escuro (Hollywood ending)
2001 – O escorpião de jade (Curse of Jade Scorpion, The)
2001 – Company man
2000 – Recolhendo as peças (Picking up the pieces)
2000 – Trapaceiros (Small time crooks)
1999 – Poucas e Boas (Sweet and lowdown)
1998 – FormiguinhaZ (Antz) (voz)
1998 – Os impostores (Impostors, The)
1998 – Wild man blues
1997 – Desconstruindo Harry (Desconstructing Harry)
1996 – Todos dizem eu te amo (Everyone says I love you)
1995 – Poderosa Afrodite (Mighty Aphrodite)
1995 – Feitos um para o outro (Sunshine Boys, The) (TV)
1994 – Don’t drink the water (TV)
1993 – Um misterioso assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mystery)
1992 – Neblina e sombras (Shadows and fog)
1992 – Maridos e esposas (Husbands and wives)
1991 – Cenas em um shopping (Scenes from a mall)
1989 – Crimes e pecados (Crimes and misdemeanors)
1989 – Contos de Nova York (New York Stories)
1987 – King Lear
1987 – Setembro (September)
1987 – A era do rádio (Radio Days) (voz)
1986 – Hannah e suas irmãs (Hannah and her sisters)
1984 – Broadway Danny Rose (Broadway Danny Rose)
1983 – Zelig (Zelig)
1982 – Sonhos eróticos numa noite de verão (A midsummer night’s sex comedy)
1980 – Memórias (Stardust memories)
1979 – Manhattan (Manhattan)
1977 – Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall)
1976 – Testa-de-ferro por acaso (Front, The)
1975 – A última noite de Boris Grushenko (Love and death)
1973 – O dorminhoco (Sleeper)
1972 – Sonhos de um sedutor (Play it again, Sam)
1972 – Tudo o que você queria saber sobre sexo, mas tinha medo de perguntar (Everything you always wanted to know about sex (but were afraid to ask) )
1971 – Bananas (Bananas)
1971 – Men on Crisis: The Harvey Wallingher story (TV)
1969 – Um assaltante bem trapalhão (Take the money and run)
1969 – Quase um Sequestro (Don`t drink the water )
1967 – Cassino Royale (Cassin Royale)
1966 – What’s up, Tiger Lily?
1965 – O que é que há, gatinha? (What’s new, pussycat?)

“WALL-E”, Andrew Stanton, 2008

waal-e

waal-e

“WALL-E”, na minha opinião, é sem dúvida o melhor filme da Pixar até hoje. Eu iria até mais longe, e diria que “WALL-E” é a melhor animação em 3D realizada até hoje.

Não somente pelos bons efeitos, que imitam movimentos de câmera, não somente pelas boas piadas, mas acima de tudo, pela inteligência do roteiro. Que vai além de tudo isso, mas pensamos sempre o contrario quando se fala em  ”cinema infantil”. mas “WALL-E” é acima de tudo, um cinema sério, obscuro, sombrio e crítico. Nos levando a um planeta Terra devastado pelo próprio homem, onde mesmo depois de 700 anos, ainda encontramos um planeta praticamente inóspito para vida.

Andrew Stanton foi diretor de bons filmes de animação, como “Vida de Inseto” e “Procurando Nemo”, mas WALL-E tem algo a mais. Não somente mensagens politicamente corretas, como existiam também em seus filmes anteriores (superação, preconceito), mas acima de tudo pela crítica que o filme faz a sociedade moderna e em especial, à própria sociedade americana.

No filme, as pessoas não são obrigadas a nada, mas são induzidas a se comportarem de maneira tal, que param de pensar, de agir por conta própria, e através da publicidade e do governo, que dizem como devem se comportar, o que devem vestir, devem pensar, então essas pessoas começam a agir como zumbis.

E o personagem, “WALL-E”, é quem começa a “pensar” e agir de forma diferente da que lhes foi designada. Parece, ao primeiro contato, uma historia repetida, dessas que  ja ouvimos falar, lemos e assistimos várias vezes, mas “WALL-E” é profundo, sensível, e realizada de uma maneira deliciosamente divertida.

Pode-se dizer inclusive, que “WALL-E” é acima de tudo um projeto ousado. Os primeiros 30 minutos do filme por exemplo não tem uma só palavra. E para a grande maioria do público, que esta acostumada com cinema auto-explicativo, que usa mais que a imagem, mas também palavra para se explicar as ações, essa ausência de palavras, causará com toda certeza, certo estranhamento.

 

 

Existe ausência de palavras, mas não de dramaticidade e ação. “WALL-E” foi uma ótima surpresa. Foi vendido sim, como um produto infantil, mas engana-se, quem equivale o infantil, com algo ingênuo, bobo ou menor.

O filme, ”WALL-E”, apresenta um tema que está na agenda do dia, que é o cuidado com o planeta, e passa longe de ser um “ecochato”. Além da luta por nossas convicções, Concordo com a citação o crítico Diego Assunção para Revista Cinética, sobre o gênero infantil: “Infantil está mais para uma denominação que, consigo, leva a arte para aquilo que deveria ser o seu real objetivo: um instrumento de libertação”.

Difícil também não identificar algumas referências, como, talvez a principal delas. A semelhança do robô Wall-e, com o outrora, símbolo de toda uma geração de crianças. O “E.T. – O Extraterrestre”. Toda sua expressão esta centrada naqueles grandes olhos, seu pescoço longo, e toda representação do amor, está concentrada em suas mãos. Assim como o dedo do ET acendia e curava, as mãos do Wall-e “ligam” e “curam” de uma dormência sentimental. As mãos do ET e do Wall-e, são sínteses e símbolos de seus sentimentos.

Jair Santana

“Ninguém Pode Saber”, Hirokazu Koreeda – 2004

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“Ninguem Pode Saber” é realmente um filme imperdível. Indicado a Palma de Ouro em Cannes, perdeu para o filme belga “A Criança” dos irmãos Dardenne. É o segundo filme do diretor a concorrer a Palma de Ouro, o primeiro foi “Tão Distante”, que perdeu para o filme italiano “O Quarto do Filho”, de Nanni Moretti

O diretor Hirokazu Koreeda, tem uma carreira variada. Conhecido no Japão, além de diretor de cinema, também como diretor de documentários e filmes para a TV Japonesa. Se baseou em fatos reais para esse filme, mas criou todo um lado psicológico forte para cada personagem.

Longe da maioria dos dramas ocidentais, onde tudo vem mastigado, e as historias são feitas pra fazer chorar. “Ninguém pode Saber” é diferente. O roteiro te envolve mas não se transforma em um dramalhão. Mostra os fatos e ai você decide o que quer fazer com eles. É como se o filme não te permitisse chorar, nos deixando com o choro preso, nos fazendo engolir a seco absurdos da sociedade contemporânea.

O garoto Yuya Yagira de 12 anos, que interpreta o personagem Akira, ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. Com certeza um dos filmes mais bonitos do ano de 94. Também mais sérios, mais verdadeiros, mais emocionantes.

O filme conta ainda com uma fotografia, bem trabalhada, sempre valorizando o que mais se aproxima da luz natural, direção de arte minuciosa, detalhista, e interpretações contidas, mas realistas. A decupagem da direção é outro chamariz no filme. Sempre atento a tudo, detalhes de mãos trabalhando ou brincando no vídeo-game, detalhes do olhar, mas sem nos aproximar demais dos personagens. Sempre nos mantendo apenas como observadores.

Esse mundo nos é apresentado no filme, através dos olhos de Akira, um garoto de 12 anos, que se vê obrigado, a tomar pra si, a responsabilidade de cuidar dos irmãos menores, das contas da casa, e de uma mãe desprovida de amor pelos seus filhos. Apesar de o filme acontecer em Tóquio, podemos identificar estórias bem parecidas aqui mesmo no Brasil, ou em qualquer grande cidade.

Com certeza, o filme causará certo incômodo em sua narrativa, principalmente, para quem está acostumado com ritmo de vídeo-clip que o cinema americano nos acostumou. A ficção, mas com premissa baseada em fatos ocorridos em Tóquio, é apresentada gradualmente ao espectador. Tudo é muito explicado através das imagens, buscando assim, trazer mais atenção do espectador. As primeiras cenas por exemplo, na chegada dos personagens a sua nova casa, nada é explicado com palavras, mas sim, somente através das imagens.

A mudança do estilo de vida, degradação financeira, e mesmo “moral” nos é contada também através dessas imagens. Essa degradação moral chega junto com a necessidade financeira, e por isso, perdoada pelo espectador, mas ainda assim, nos é colocada de maneira fria e real.

A delicadeza, sutileza e firmeza do diretor no filme é chave principal, para “Ninguém pode Saber”, ter se tornado esse grande filme a qual se tornou. Como falei, um filme imperdível. Social, sensível, inteligente, crítico e acima de tudo, emocionante.

Jair Santana