“Batman – O Cavaleiro das Trevas” – Christopher Nolan

Pra quem achava que não existia vida inteligente no cinemão, assista ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Esse comentário não é meu, e sim de um dos maiores pensadores e críticos de cinema no Brasil, Luiz Carlos Mertem.

Apesar das críticias sobre supostos furos de roteiro, achei o roteiro muito bem amarrado. A fotografia noir de Wally Pfister muito bem realizada, com detalhes surpreendentes, como ser mais escura nas bordas que no centro por exemplo.

O filme conta com ótimos atores, Christian Bale (Bruce Wayne / Batman), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Tenente James Gordon) que também trabalharam no ótimo “Batman – Begins”.

Mas esse novo filme da série Batman, conta com um plus. A presença e surpreendente interpretação de Heath Ledger como o Coringa. Digamos que na minha opinião, não temos um vilão como esse desde o Hannibal Lecter interpretado por Anthony Hopkins. Ledger realmente foi uma perda monstruosa para o cinema. E nesse filme isso fica muito claro. É de emocionar, o fato de que não teremos mais o prazer de vê-lo na tela. Não teremos mais novos filmes com esse, que até então, foi com certeza, o maior ator de sua geração.

A conversa dos “Batmans” de Nolan com a realidade é uma das principais armas do filme. Não há como assistir os filmes e não lembrar de uma grande cidade. Algumas críticas em SP e no Rio por exemplo compararam os criminosos de Batman com o PCC ou Comando Vermelho, assim foi também em “Batman – Begins”, onde Gotan foi nos foi apresentada como uma cidade sem lei e ordem, a polícia corrupta e políticos mais ainda. Gotan então poderia se chamar Rio de Janeiro não? É difícil não se identificar com um cidadão de Gotan.

 

 

Um detalhe. Acho que o filme ficou tão bom, como ficou por um motivo muito importante. Nolan, além de roteirista e diretor, é o produtor do filme. Ou seja, o filme com isso torna-se autoral. Algo cada vez mais dificil principalmente nos EUA, mais principalmente ainda no cinema Hollywoodyano. Nolan por ser também o produtor, tem poder absoluto sobre o filme, e isso é o verdadeiro cinema. O produtor não é um artista, o diretor sim.

Fica agora, a espera de um próximo Batman de Nolan. Qual será o vilão que ele irá enfrentar? Será que ainda podemos esperar mais um Batman? Será que ainda cabe mais um Batman depois desse que foi surpreendentemente maravilhoso?

Jair Santana

“Sexy and the city – O Filme” – Michal Patrick King

cartaz sexySinceramente. Me surpreendi.

A pesar de gostar, nunca fui de assistir muito “Sexy and the city” a série. Texto interessante, bons personagens, mas…eu assistia ocasionalmente.

O filme porém agrada, talvez principalmente, a esse público. Que não conhecia tanto assim a série. Explica inicialmente a psicologia de cada personagem, e depois nos coloca na estória, de maneira que se torna um filme realmente independente da série.

Michael Patrick King apresenta boa direção em seu primeiro longa metragem. Porém, Michael ja dirigiu, produziu e roteirizou vários episódios da série, e também fez o mesmo na série “Will & Grace” durante alguns anos, oque o deixou mais a vontade na direção de seu longa.

Fui esperando um filme mais bobo.. Mas “Sexy and the City” se mostrou ser mais que isso. De maneira leve coloca em cheque alguns assuntos bem atuais, não só assuntos de “mulherzinha” como muitos falam sobre o filme, mas de relacionamento, consumo, sexo, amizade.

Não é um filme que venha apresentar algo de novo em questões estéticas, dramatúrgicas ou filosóficas. Um filme que pode parecer igual a muitos outros, mas como falei, por não ser bobo, já se sobressai aos demais.

Interpretações naturais e convincentes, e ja conhecido de boa parte do público, um bom  roteiro, porém faço uma observação sobre o roteiro. Chego a pensar que Carrie, a personagem vivida por Sarah Jessica Parker, no fim, é só uma menininha, e não A MULHER, moderna e auto-suficiente que ela tentou provar ser o filme e talvez a série toda. Ou seja, fui contra o final “muito” feliz. Gostava da personagem Carrie, até ela se render  ou se vender sentimentalmente à alguém que a fez tanto mal. A personagem perde sua força e fica um tanto inverossímil ao contexto de tudo que se passou. Sua redenção ao sentimentalismo não combina com a personagem. Nada que estrague o filme de vez. Mas, eu pessoalmente adoraria que tivessem feito outro final. Com uma Carrie mais forte.

Figurino ora acerta, ora erra demais, fotografia bonita mas, no mesmo estilo, “O Diabo Veste Prada” é bem mais trabalhada. A música também tem bons acertos, mas nem sempre também.

O filme vale o ingresso, diverte, fala de amor, consumo, trabalho e amizade. Fala de um mundo contemporanêo. Algumas coisas reais e outras nem tanto. Talvez um retrato da geração de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha, cada uma do seu jeito, seja romântica, moderna, ou uma compulsiva sexual. Todos os tipos, em maior ou menor tamanho, estão ali.

Jair Santana