” O Diabo Veste Prada” de David Frankel , 2006

https://i2.wp.com/www.adorocinema.com/filmes/diabo-veste-prada/diabo-veste-prada-poster01.jpgNão sabia que ia me surpreender tanto com esse filme, visto preconceituosamente como “filme de mulher” ou um “cinemão bobo”. Fui assistir mais em função da Meryl Streep, que dispensa apresentações e comentário, que qualquer outra coisa. Também pela curiosidade de se tratar de uma adaptação de um bestseller mundial. Depois tive a grata surpresa de reencontrar nas telas, a maravilhosa Anne Hathaway, que deu um belo show em “Brokeback Mountain”. Reunindo essas duas, fazer um filme ruim passar um atestado de incapacidade.

O diretor David Frankel, diretor de poucos filmes para o cinema e de séria para TV, surpreende, pela sutileza, pela boa administração do filme, pra objetividade, leveza e por aparentemente, conhecer o que esta dizendo.

Com roteiro do filme de Aline Brosh McKenna, baseado em livro de Lauren Weisberger, conta mais do que aparentemente se esta vendo em primeiro plano. “O mundo fútil da moda”. Sim, fala um pouco sobre isso, mas isso é apenas a grande vitrine do filme. O filme fala muito mais sobre a geração workaholic, do eterno debate de “moda arte” e “moda futilidade”, de relacionamentos, de lobbys, enfim…o filme é muito mais sério do que se pode observar a primeiro plano. Mas compsem perder a leveza como já falei.

E o melhor do filme está em perceber o que compõe esse plano de fundo. Suas sutilezas, seus desdobramentos, tentar chegar na profundidade do filme. Não se prendendo apenas ao que o filme nos mostra mastigado, sim o que ele nos trás nas entrelinhas.

“O Diabo Veste Prada” é uma boa surpresa. Um filme de domingo, com alguns vacilos na trilha sonora, mas ainda assim, uma boa trilha sonora. Com uma fotografia inteligente, grandiosa e muito funcional ao que o filme se propõe, com atores e atrizes perfeitos para os seus papéis, Meryl Streep merecia levar mais um Oscar, acabou não levando, seria seu quarto ou quinto, mas levou o Globo de Ouro e recebeu ainda indicação ao Bafta e ao MTV Movie Awards.

Sua personagem é deliciosamente má, com um momento único de humanidade, que não dura mais que 2 ou 3 segundos, com um sorriso de ponta de boca, mas que diz muito sobre o que passa pela cabeça da poderosa empresária Miranda Priestly. E essa é a maior prova de uma boa atriz….falar com os olhos, com o corpo, sem precisar somente usar palavras.

“O Diabo Veste Prada” surpreende, faz pensar, é agradável aos olhos, diverte, ou seja, é um filme que vale a pena. David Frankel, prova com o filme, que é de uma nova geração de diretores que chega pra se fazer “filmes de domingo” com algo a dizer.

Jair Santana

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