“Control”, Anton Corbijn , 2007

https://i1.wp.com/i264.photobucket.com/albums/ii191/jairsantana/control_04.jpgRealizado apartir da biografia de Ian Curtis, escrito por sua viúva Deboraoh Curtis e o produtor do Joy Division, Tony Wilson,”Control” , do estreante diretor Anton Corbijn, é uma das mais fieis e sérias filmografias realizadas até hoje, acredito eu.

A distancia e a frieza do filme, que é denso e nostálgico mas não chega a ser triste, chega muito perto do que foi seu personagem. Ian Curtis, aqui interpretado magistralmente por San Riley. Falo que o filme não chega a ser triste, pois, mesmo com sua morte, o que impera é o sentimento do protagonista, sentimento de distanciamento, inquietação, desconforto.

A fotografia em preto e branco de Martin Ruhe, aliada a direção de arte, trabalharam numa palheta de cor cinza que nos remete aquela Manchester sem perspectivas, e a vida deprimente e introspectiva de Ian Curtis.

Um dia desses li algo que dizia, “para entrar pra historia, não se precisa ser forte, e Ian Curtis é a maior prova disso”. Concordo plenamente. Ian Curtis, era fraco, com seus relacionamentos, com o que realmente queria deles, era fraco com ele mesmo, talvez por isso em momento nem um lutou com sua doença. Não mais suportando a falta de domínio de sua vida, ou apenas por não saber lidar, Ian se matou as 23 anos de idade.

Apesar de tudo isso, fraqueza, frieza, distanciamento, ele nos deixou um legado maravilhoso. E a música de Ian Curtis, influência músicos até os dias de hoje, nos deixou o New Order e mil outros bons seguidores.

O filme é tão real, que por vezes, parece um documentário. Mas talvez essa frieza, ou melhor, um pouco menos dela, nos fizesse nos envolver mais com o personagem, e conseqüentemente com o filme. Mas essa foi a opção do diretor, esse foi o estilo assumido por ele. Corajoso diga-se de passagem, pois é muito mais fácil fazer um “dramalhão”.

Jair Santana

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“Na Natureza Selvagem”, Sean Penn, 2007

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Na Natureza Selvagem

“Fuga do mundo ou talvez de si mesmo”. Se tivesse que sintetizar seria essa a frase principal pra resumir a vida do personagem Christopher McCandless vivido no aqui por Emile Hirsch, no filme “Na Natureza Selvagem”, ultimo filme de Sean Pean como diretor.

O filme é de uma sutileza poética e é tão denso quanto os outros filmes do diretor, mas se perde um pouco na construção narrativa. Sean Peen parece parece estar se especializando sua filmografia em filmes densos, seja atuando ou dirigindo.

Mais que um road movie,o filme é uma forte crítica ao socialmente aceito ou o socialmente certo. O famoso “american way of life”, que aqui, é revisto e julgado pela nova geração, no caso, representado pelo personagem principal, Christopher, que foge, não como o Renton em Trainspotting” de Danny Boyle, que fugia por simplesmente se revoltar contra a sociedade, mas aqui, Cristopher foge dos falsos valores, da construção de uma falsa imagem de uma família feliz, do “ter” que é agregado a felicidade americana, e que sem saber como se portar diante de tanta hipocrisia, ele se retira de um mundo que conclui que não pode mudar.

Apesar de muitos acertos, o filme tem erros também. Como talvez na questão do tempo do filme, que poderia em vez de 240 minutos, ser um pouco mais sucinto, e permanecer nos tradicionais 90 ou 120 minutos. O filme poderia ser contato sim com menos tempo, pois vê-se muito tempo se perder em imagens que não acrescentam.

Identico também como um problema, mas isso uma opinião bem pessoal, o excesso de flashbacks. Diz-se entre os roteirista que “flashbacks” são os últimos refúgios de uma historia que não se explica. Então usa-se o argumento do flashback para se explicar o que a historia linear não conseguiu.

 

 

Algo muito positivo no filme é a belíssima fotografia de Eric Gautier, fotografo dos ótimos “Medos Privados em Lugares Públicos” e “Paris, Te amo”. A fotografia de paisagens, são as mais difíceis de se realizar, acertar a luz natural com o rosto do ator, enfim…é uma fotografia difícil, mas quando acertada, muito confortável e agradável aos olhos. E esse foi o caso de “Na Natureza Selvagem”.

Outro acerto muito claro foi a trilha do filme de Michael Brook, Kaki King e Eddie Vedder,que não atoa, foi ganhadora do Oscar de melhor trilha sonora de 2008. Uma trilha sensível, melancolia e bem casada na proposta do filme.

O filme que apesar seu lado denso e sério, com fortíssimas questões familiares, tem uma certeza leveza filosófica ao tratar esses assuntos. Com algumas frases fortes, como quando o personagem, que em determinado momento descreve a felicidade, como algo longe das relações humanas, mas sim e simplesmente, estar em contato com a natureza. Porém, no final de sua historia, conclui, de forma belíssima, que “A felicidade só existe quando é compartilhada”.

Jair Santana

” O Diabo Veste Prada” de David Frankel , 2006

https://i2.wp.com/www.adorocinema.com/filmes/diabo-veste-prada/diabo-veste-prada-poster01.jpgNão sabia que ia me surpreender tanto com esse filme, visto preconceituosamente como “filme de mulher” ou um “cinemão bobo”. Fui assistir mais em função da Meryl Streep, que dispensa apresentações e comentário, que qualquer outra coisa. Também pela curiosidade de se tratar de uma adaptação de um bestseller mundial. Depois tive a grata surpresa de reencontrar nas telas, a maravilhosa Anne Hathaway, que deu um belo show em “Brokeback Mountain”. Reunindo essas duas, fazer um filme ruim passar um atestado de incapacidade.

O diretor David Frankel, diretor de poucos filmes para o cinema e de séria para TV, surpreende, pela sutileza, pela boa administração do filme, pra objetividade, leveza e por aparentemente, conhecer o que esta dizendo.

Com roteiro do filme de Aline Brosh McKenna, baseado em livro de Lauren Weisberger, conta mais do que aparentemente se esta vendo em primeiro plano. “O mundo fútil da moda”. Sim, fala um pouco sobre isso, mas isso é apenas a grande vitrine do filme. O filme fala muito mais sobre a geração workaholic, do eterno debate de “moda arte” e “moda futilidade”, de relacionamentos, de lobbys, enfim…o filme é muito mais sério do que se pode observar a primeiro plano. Mas compsem perder a leveza como já falei.

E o melhor do filme está em perceber o que compõe esse plano de fundo. Suas sutilezas, seus desdobramentos, tentar chegar na profundidade do filme. Não se prendendo apenas ao que o filme nos mostra mastigado, sim o que ele nos trás nas entrelinhas.

“O Diabo Veste Prada” é uma boa surpresa. Um filme de domingo, com alguns vacilos na trilha sonora, mas ainda assim, uma boa trilha sonora. Com uma fotografia inteligente, grandiosa e muito funcional ao que o filme se propõe, com atores e atrizes perfeitos para os seus papéis, Meryl Streep merecia levar mais um Oscar, acabou não levando, seria seu quarto ou quinto, mas levou o Globo de Ouro e recebeu ainda indicação ao Bafta e ao MTV Movie Awards.

Sua personagem é deliciosamente má, com um momento único de humanidade, que não dura mais que 2 ou 3 segundos, com um sorriso de ponta de boca, mas que diz muito sobre o que passa pela cabeça da poderosa empresária Miranda Priestly. E essa é a maior prova de uma boa atriz….falar com os olhos, com o corpo, sem precisar somente usar palavras.

“O Diabo Veste Prada” surpreende, faz pensar, é agradável aos olhos, diverte, ou seja, é um filme que vale a pena. David Frankel, prova com o filme, que é de uma nova geração de diretores que chega pra se fazer “filmes de domingo” com algo a dizer.

Jair Santana

“Vida de Grace”, Angela Durans e Silas Matos, 2007

https://i1.wp.com/i264.photobucket.com/albums/ii191/jairsantana/Vida_de_Grace.jpgSinopse:

Jovem executivo, apaixonado pela mãe e pelos filmes de Grace Kelly. Depois de um dia estressante dia de trabalho, sai correndo pelas ruas,libertando as lembranças do passado, em busca de suas próprias fantasias.

Equipe do curta metragem Vida de Grace

DIREÇÃO: Silas Matos e Ângela Durans
ASS. DIREÇÃO: Jair Santana
DIREÇÃO DE ARTE: Jorge Uriel
FIGURINISTA: Fernanda Valente
ROTEIRO: Mariana Vielmond
FOTOGRAFIA E CAMERA: Bruno Diel
ASS. FOTOGRAFIA : Alfonso Coser –
MAQUIAGEM: Fernanda Santoro
MONTAGEM: Litza Godoy
PRODUÇÃO: Helio Lambass
ASS. DE PRODUÇÃO : Dani Vieira
PLATÔ : Silvio de Andrade, Lucas Brandão, Alan Caferro
STILL: Cyro Clemente
AUDIO: Cláudio Ribeiro Cerdeira e André Linhares Pereira de França (Bolinha)


Elenco


Roberto: Gustavo Moriconi Genton
Tenóerio: Roumer Canhães
Ava: Karla Dalvi
Grace: Rebeca Falcone
Adolfo: Victor Freeland
Roberto (10 anos): Renan Braga Nunes
Policial : Luiz Haguiar
Empresáios: Leandro Zanardi / Aldo Perrotta