“Baixio das Bestas”, Diretor: Claudio Assis – 2007

 

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"Baixio das Bestas"

Pode-se dizer, que o Claudio Assis, mesmo com seu segundo longa, está construindo uma das carreiras, ou melhor, uma das filmografia mais coerentes e corajosas no novo cinema Brasileiro. Quem se surpreendeu com “Amarelo Manga” de 2003, seu primeiro longa, não vai se decepcionar em nada com “Baixio das Bestas”. É um filme que mantêm a mesma linha, mas que não se repete.

Claudio Assis se mostra mais uma vez visceral no seu trabalho. No verbete popular, poderíamos dizer que ele “se joga” em seu trabalho. Junto claro com uma equipe que acredita muito na “viagem” dele. Claudio vem trazendo uma decupagem milimetricamente pensada. A primeira e a ultima sequência são de chorar. Mas não somente essas, sua decupagem chama atenção em vários momentos do filme. Sem falar na sua direção de atores. Claudio, com a “Amarelo Manga” e agora com “Baixio das Bestas” vem provando saber trabalhar muito bem seus atores. No filme, percebe-se muito, a mão do diretor. Percebe-se que é, acima de tudo, um filme autoral. Nosso maior diferencial do cinema brasileiro, do americano.

A fotografia do Walter Carvalho e a câmera do Lula Carvalho, pai e filho respectivamente, são perfeitas. Poéticas, ao mesmo tempo que “secas”, e percebe-se o cuidado de tornar o comum ao olhos, um quadro espetacular. Seja esse quadro de denúncia ou apologia artística. E isso é alcançado.

Outro grande destaque são os atores, dos consagrados como o Matheus Nachtergaele e Dira Paes, a estrante Mariah Teixeira, e há ainda Caio Blat, Hermila Guedes, todos estão, como o diretor, numa entrega total.

Matheus executa como mestre personagem Everardo. Aliais, como é de costume. Um personagem duro, que manipula os outros que o acompanham, por ser mais velho que a maioria de seus amigos, consegue isso como se fosse a “voz da experiência. Dira, como a prostituta Bela, é protagonista de uma das mais belas e ousadas sequências do filme. Em que ela dança e logo depois é violentada pelo grupo de playboys da cidade. Dira chega a um nível de amadurencimento em sua carreira, sem dar costas a trabalho como o de Claudio, que mistura o intectual com o experimentalismo. Isso faz bem e dá credibilidade a carreira de uma das atrizes mais importantes do cinema brasileiro. Dira assim como em “Amarelo Manga”, dá um show de interpretação e de verdade ao seu personagem. Além de chamar atenção pela sua beleza, não produzida. Caio Blat é outro que se destaca. Cícero, um playboy do interior, nos coloca que os playboys não são muito diferentes de onde quer que eles sejam. E Blat construiu seu personagem também com uma naturalidade impressionante. Temos ainda Mariah Teixeira e Hermila Guedes em papeis menores, mas ainda assim, chamando atenção pelas atuações.

O filme toca, mostra, emociona, mas não é e nem pretende ser em nem um momento, um dramalhão ou mesmo um filme denuncia. Mais que isso, ele te mostra uma verdade pra te incomodar. Uma verdade que está ali do lado, perto de você, perto da sua cidade, ou na sua cidade.

“O que você faz com essa verdade?”.  Acho que é essa a pergunta do filme. Vai pra casa? Come uma pizza? Faz algo por um mundo melhor? 

O Baixio retratado no filme, como o subúrbio de uma cidade no interior, não é só um subúrbio.  O Baixio das Bestas, é apenas um lugar… que existe em cada um de nos. Traz a tona o pior que há em cada ser humano. A preguiça, inveja, ira. No Baixio, se mata, se estupra, usam-se pessoas, outras se submetem, enfim, é tudo muito palpável, muito real, e está tudo muito próximo.

Aplausos para filme. Para a equipe. Para um cinema pensante como é o de Claudio Assis. Que com toda certeza, depois de filmes como “Amarelo Manga” e “Baixio das Bestas” já deixa sua marca para historia do cinema brasileiro. Mesmo que, “Deus nos Livre” ele não venha mais fazer nada de hoje em diante.

Persebe-se que esse cara, que esse diretor, tem o cinema nas veias.

Jair Santana

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