“Um Lugar na Plateia”- Danièle Thompson – 2006

 

Um Lugar na Platéia

Quem disse que comédias românticas tem que ser bobas ou melosas? Franck Capra que o diga, o diretor fazia comédias românticas leves e inteligentes. Hoje temos esse estilo quase em extinção.

Bom, voltando a falar de “Um Lugar na Platéia”, pode parecer clichê, mas romance e Paris, parecem realmente terem sido criados um para o outro.

Um filme cheio de personagens interessantes, todos eles com atores maravilhosos. Cheio de historias paralelas que não nos confundem. A Jessica, interpretada pela atriz Cécile de France, é de um carisma impar. A fotografia de Jean-Marc Fabre é comportada, e até meio careta, mas funcional ao filme. O que realmente encanta no filme é o roteiro com conversas afiadas e inteligentes e os personagens MARAVILHOSOS. “Um Lugar na Platéia” e um filme sem vilões. O verdadeiro conflito em sua maioria são nossos problemas pessoais. A dificuldade de se relacionar, com as pessoas e com nossos problemas internos.

Curioso perceber como a arte está envolvida em todas as situações, seja através do cinema onde o fictício diretor Brian Sobinski é interpretado pelo real diretor Sydney Pollack, através de arte plástica ou da música. A arte no filme é vital em tudo. Seja como um veiculo para demonstrar amor e paixão, ira e prisão, ou ainda cobiça e conquista de poder. Tudo, ou melhor, todos esses sentimento, são externados através da arte. Seja pela construção ou posse, de uma obra de arte. Essa relação que a diretora e roteirista Danièle Thompson nos coloca com relação a arte como um todo é muito interessante.

Outro destaque é a boa trilha de Nicola Piovani. Alegre mas ao mesmo tempo com um toque nostálgico, e eu diria ainda, romântico como o filme se propõe  ser.

O filme, mesmo nos colocando essas situações sérias e reflexivas, consegue ser leve, engraçado e romântico. Um filme de domingo ( o dia que fui assistir), que acrescenta e diverte.

Tem boa música, bons atores, ótimo roteiro. Enfim…cumpre bem com o que promete.

Jair Santana

Anúncios

“Homem Aranha 3”, Diretor: Sam Raimi , 2007

https://i2.wp.com/www.adorocinema.com/filmes/homem-aranha-3/homem-aranha-3-poster01.jpgSinopse
O sucesso como herói faz com que Peter Parker adiquira uma confiança exagerada, deixando de lado as pessoas que se importam com ele. Até que precisa enfrentar o Homem-Areia e lidar com um estranho uniforme negro, que passa a usar

Opinião
Decepção. Essa é a primeira palavra que me veio a cabeça após assistir o filme “Homem Aranha 3”. Uma coisa é certa. Essa é a pior das aventuras cinematográficas do Aranha. O filme beira, pra não dizer que realmente o é, o cinema trash. O “Emo-Aranha”, como foi apelidado pelo público, pelo seu visual Emo, chega querer imitar os trejeitos do Jhon Travolta em “Embalos de Sábado a Noite”, e nem isso consegue. O Homem Aranha negro, deveria ser o melhor de todos na trilogia. Nos quadrinhos da MARVEL o Homem Aranha tem por excelência ter a parte psicológica muito forte, e o Homem Aranha Negro é o ápice desse momento psicológico nas historias do Aranha…mas diretor Sam Raimi errou a mão feio.

Mas o que se podia esperar de um diretor de filmes como “Uma Noite Alucinante 1,2 e 3”? Sam Raimi preferiu ir para esse lado de cinema trash que para o cinema mais sério. O Aranha da revista é cheio de piadinhas e comentários que tentam ser engraçados, mas o do filme é tragi-cômico. No pior sentido que isso possa nos parecer.

O próprio compositor da trilha dos dois outros filmes, Danny Elfman se recusou a trabalhar neste filme, devido a diferenças criativas que teve com Sam Raimi desse filme para os anteriores.

Os feitos especiais são ótimos, as cenas de ação muito bem feitas, mas essa é a única virtude do filme, e na verdade, esse é o mínimo que se pode esperar do filme mais caro da trilogia, chegando á módicos 250 milhões de dólares.

Mas efeito especial nem um salva um filme com roteiro fraco, onde parece quis se quis colocar 1000 aventuras em uma, sem o roteirista saber fazer isso. Decupagem fraca e preguiçosa, além de que, o filme, que teria que ser o mais sério da trilogia, tem sequências de se envergonhar, como a do Peter Parker, já como Aranha Negro, dançando no bar.

Esse é mais um desses filmes, que não deveria existir. Para não envergonhar o maravilhoso personagem “Homem Aranha”, para não envergonhar a historia do cinema, e até para não envergonhar o próprio diretor. O problema é ele nem se percebe disso.

Jair Santana

“Baixio das Bestas”, Diretor: Claudio Assis – 2007

 

baixio-das-bestas-poster01

"Baixio das Bestas"

Pode-se dizer, que o Claudio Assis, mesmo com seu segundo longa, está construindo uma das carreiras, ou melhor, uma das filmografia mais coerentes e corajosas no novo cinema Brasileiro. Quem se surpreendeu com “Amarelo Manga” de 2003, seu primeiro longa, não vai se decepcionar em nada com “Baixio das Bestas”. É um filme que mantêm a mesma linha, mas que não se repete.

Claudio Assis se mostra mais uma vez visceral no seu trabalho. No verbete popular, poderíamos dizer que ele “se joga” em seu trabalho. Junto claro com uma equipe que acredita muito na “viagem” dele. Claudio vem trazendo uma decupagem milimetricamente pensada. A primeira e a ultima sequência são de chorar. Mas não somente essas, sua decupagem chama atenção em vários momentos do filme. Sem falar na sua direção de atores. Claudio, com a “Amarelo Manga” e agora com “Baixio das Bestas” vem provando saber trabalhar muito bem seus atores. No filme, percebe-se muito, a mão do diretor. Percebe-se que é, acima de tudo, um filme autoral. Nosso maior diferencial do cinema brasileiro, do americano.

A fotografia do Walter Carvalho e a câmera do Lula Carvalho, pai e filho respectivamente, são perfeitas. Poéticas, ao mesmo tempo que “secas”, e percebe-se o cuidado de tornar o comum ao olhos, um quadro espetacular. Seja esse quadro de denúncia ou apologia artística. E isso é alcançado.

Outro grande destaque são os atores, dos consagrados como o Matheus Nachtergaele e Dira Paes, a estrante Mariah Teixeira, e há ainda Caio Blat, Hermila Guedes, todos estão, como o diretor, numa entrega total.

Matheus executa como mestre personagem Everardo. Aliais, como é de costume. Um personagem duro, que manipula os outros que o acompanham, por ser mais velho que a maioria de seus amigos, consegue isso como se fosse a “voz da experiência. Dira, como a prostituta Bela, é protagonista de uma das mais belas e ousadas sequências do filme. Em que ela dança e logo depois é violentada pelo grupo de playboys da cidade. Dira chega a um nível de amadurencimento em sua carreira, sem dar costas a trabalho como o de Claudio, que mistura o intectual com o experimentalismo. Isso faz bem e dá credibilidade a carreira de uma das atrizes mais importantes do cinema brasileiro. Dira assim como em “Amarelo Manga”, dá um show de interpretação e de verdade ao seu personagem. Além de chamar atenção pela sua beleza, não produzida. Caio Blat é outro que se destaca. Cícero, um playboy do interior, nos coloca que os playboys não são muito diferentes de onde quer que eles sejam. E Blat construiu seu personagem também com uma naturalidade impressionante. Temos ainda Mariah Teixeira e Hermila Guedes em papeis menores, mas ainda assim, chamando atenção pelas atuações.

O filme toca, mostra, emociona, mas não é e nem pretende ser em nem um momento, um dramalhão ou mesmo um filme denuncia. Mais que isso, ele te mostra uma verdade pra te incomodar. Uma verdade que está ali do lado, perto de você, perto da sua cidade, ou na sua cidade.

“O que você faz com essa verdade?”.  Acho que é essa a pergunta do filme. Vai pra casa? Come uma pizza? Faz algo por um mundo melhor? 

O Baixio retratado no filme, como o subúrbio de uma cidade no interior, não é só um subúrbio.  O Baixio das Bestas, é apenas um lugar… que existe em cada um de nos. Traz a tona o pior que há em cada ser humano. A preguiça, inveja, ira. No Baixio, se mata, se estupra, usam-se pessoas, outras se submetem, enfim, é tudo muito palpável, muito real, e está tudo muito próximo.

Aplausos para filme. Para a equipe. Para um cinema pensante como é o de Claudio Assis. Que com toda certeza, depois de filmes como “Amarelo Manga” e “Baixio das Bestas” já deixa sua marca para historia do cinema brasileiro. Mesmo que, “Deus nos Livre” ele não venha mais fazer nada de hoje em diante.

Persebe-se que esse cara, que esse diretor, tem o cinema nas veias.

Jair Santana