“Onde os Fracos não tem Vez”, Joel e Ethan Coen, 2007

Onde os Fracos Não Tem Vez

Sinopse
Um caçador pega uma valise cheia de dinheiro após encontrá-la com um traficante de drogas abandonado no deserto. Para recuperar o dinheiro é enviado um assassino psicótico, que precisará enfrentar também o xerife local.

Opinião
O filme, dos irmãos Coen, é uma crônica, da falta de crença na sociedade atual. O velho oeste americano, sobretudo o retratado em filmes com John Ford e John Wayne, onde ainda existia o mocinho e o bandido, aqui no filme dos Coen isso já não existe.

Quem é mocinho, quem é bandido? O ex-veterano do Vietnã Llewenly, interpretado aqui por Josh Brolin, é um homem que, apesar de amar sua esposa, a trata como um capacho. O xerife Ed Tom Bell, na sempre brilhante atuação de Tommy Lee Jones, esta cansado, desacreditado, é ateu e está sempre, um, ou vários passos atrás do bandido. E o bandido, um psicopata frio, metódico e inteligente, que caiu nas graças de Javier Barden, que está fabuloso.

O título original do filme “Nenhum país para homens de idade” diz muito mais do filme do que o título nacional. O velho oeste, os velhos hábitos, valores, costumes…não tem mais vez. Não existe mais país pra isso. Aí poderiamos até misturar os títulos, ou apenas pensar como o velho, sendo igual a fraco.

O filme é violento sim, como tudo o mundo ao nosso redor. É frio, como o a maioria das pessoas, a cena em que o Llewenly foge no meio da cidade, do louco Chigurh, de Javier Barden, tudo acontece no meio da cidade, e os “tiros” parecem de balas perdidas. Niguem sabe de onde vem. Como o dia-a-dia de uma grande cidade como o Rio de Janeiro, por exemplo.


O filme impressiona pela leitura descrente em tudo, inclusive na descrença em Deus. Uma das frases mais fortes, acredito eu, seja quanto o Xerife Bell, divagando sobre seu momento de vida, diz, “Sempre pensei, que quando envelhecesse, Deus entraria na minha vida. E ele não entrou”. A espera por algo melhor, que acabou não acontecendo. Agora, nada mais faz tanto sentido ou o encoraja.

A falta de “o bem vence o mal” desagradará alguns espectadores. A falta do encontro dos 3 personagens principais, ou mesmo do confronto, incomodará outros, como me incomodou. Mas o filme é de uma inteligência e sutileza, que nos ganha por outros motivos.

Os irmãos Coen utilizam do silêncio, a sonoridade diegética pra falar mais que com palavras e música. E isso, é o máximo no cinema. Falar com imagens. A fotografia de Roger Deakins é árida, monocromática, casa com o filme, mas não chama muita tenção. Apesar de ser uma fotografia ganhadora de prêmios. Os Coen assinam o roteiro, a direção e a edição. Essa ultima com o pseudônimo de Roderick Jaynes. Sei lá por qual motivo o uso desse pseudônimo.

Em “Onde os Fracos não tem Vez”, assim como “Fargo”, é uma grande crítica a sociedade americana. Então, os “velhos não tem vez”, e tudo é superficial, consumível (inclusive o silêncio dos dois adolescentes no final do filme) e caótico. Uma américa, onde não existe mais mocinhos e bandidos. Todos são cúmplices, ou melhor, todos fazem parte de uma mesma moeda.

Jair Santana

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Uma resposta

  1. […] no filme. Deakins é um diretor experiente e dos mais solicitados, fez a fotografia de filmes como “Onde os Fracos não tem Vez, “A Vila”, levou o Bafta esse ano por “O Leitor” e ja ganhou o Oscar por […]

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