“Cloverfield – O Monstro”, Matt Reeves, 2007

“Cloverfield – O Monstro” é uma boa surpresa do gênero. Quando se achava que os monstros de Hollywood estavam esgotados, sem mais espaços para “Godzilas” e coisas do gênero, J.J. Abrams, produtor de “Lost”, chama seu amigo de infância, o roteirista Matt Reeves, para estrear na direção desse ousado filme.

“Cloverfield” é uma produção de 30 milhões de doláres, dinheiro que poderiamos dizer que foi realmente uma aposta da Paramount, entregando a direção a um diretor estreante. Mas deu tão certo, que “Cloverfield 2” já está em pré-produção.

Não temos como não comparar, o filme é uma mistura de “A Bruxa de Blair” com “Godzila”, porém, tirando o que poderia haver de melhor no dois filmes. Digamos que “A Bruxa de Blair” é sim original, mas realizado por amadores, e “Godzila” por produtores experientes mas pouco ousados, eu diria até meio limitados pois caprixaram muito pouco inclusive nos efeitos do filme, que dirá no roteiro. Enfim, “Cloverfiel” é inteligente, ousado e muito bem realizado.

Muitos com certeza odiarão a câmera balançando o tempo todo. Durante o 1º fim de semana de lançamento nos Estados Unidos vários cinemas exibiram avisos de que as cenas gravadas com câmeras de mão poderiam causar tonturas e enjôos.

Mas colocar o espectador, no lugar de pessoas comuns, onde a câmera, ou o diretor do filme, não é onipresente e onisciente é fabuloso. Estamos como qualquer um. Estamos colocados no meio de um grande ataque a cidade de Nova York sabendo tanto, quanto qualquer cidadão comum. Ou seja, quase nada.

O monstro vem aparecendo aos poucos, as informações chegam sempre incompletas, as imagens nunca revelam tudo, e o desespero é presente sempre. Claro, temos falhas, como o rapaz que quer salvar a namorada, e os amigos fieis que o acompanham, acho meio exagerado, meio clichê, mas ao mesmo tempo, podemos questionar, se seria fidelidade ou pânico de ficar sozinho? Exagerada aliais, a interpretação do personagem principal. Mas não chega a comprometer o filme.

O crítico do blog “O bonequinho viu”, do jornal O Globo, Tom Leão, escreveu uma ótima crítica sobre o filme. Falando, que “Cloverfield” fala muito mais do que de um monstro, fala de momentos em nossas vidas que não podemos perder. O que realmente importa, é o que está em baixo da fita que o filme é gravado. Que é o dia seguinte, a primeira noite de amor entre no mocinho e a mocinha do filme. Aquele era o único registro, e tudo ficou pra trás, também porque eles deixaram. O momento não mais se repetirá, temos que viver o hoje, pois o amanhã, ninguém sabe como será, pode mesmo, um monstro cair sobre nossas cabeças. Sim, pode ser um monstro, um terrorista, ou um assaltante.

O filme surpreende pelas cenas de pânico no meio da cidade, pelas cenas de devastação de uma grande cidade, no caso do filme Nova York, supreende pela veracidade do comportamento das pessoas em tal situação. Temos a impressão que nunca tivemos essa visão interna da catástrofe. Só vimos algo parecido em cenas de câmeras amadoras no ataque de 11 de setembro.

Na narração assumida pelo filme não temos música tema e nem trilha sonora, a música do filme inicia um minuto e meio depois de começarem os créditos. A música é linda, um tom meio épico, maravilhosa. Mas para o meu azar, sai do cinema após a música quando ainda não tinham acabado totalmente os créditos. Ao término dos créditos finais há uma transmissão de rádio, com informações sobre o filme.

J.J. Abrams, é com certeza, um novo respiro ao cinemão americano. Um respiro ousado, que prova que ainda podemos usar velhas formulas e reconstrui-las. Como o cinema de “monstros” por exemplo.

Jair Santana

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