“Proibido Proibir”, Jorge Duran, 2006

Depois de mais de 20 anos sem dirigir, o anterior foi “A Cor do Seu Destino” (1986), Jorge Durán nos presenteia com esse filme, despretencioso, com um ár jovem (não pelos personagens mas pela levaza que apresenta), bem feito, bem cuidado. Não é o filme do ano, nem o filme que queremos que concorra ao próximo Oscar, ou aquele que vai nos levar a Cannes (não quer dizer que ele não tenha qualidade pra tudo isso), mas é um filme em podemos nos apaixonar.

O roteiro inteligente de Jorge Durán e Dani Patarra, é atual, longe de estereotipar os personagens, tornando o filme, um dos que melhor apresenta o jovem universitário brasileiro atual, se não for O FILME que melhor faz isso. É supreendente como um roteirista tão experiente como Duran, tem uma visão tão fresca e verdadeira sobre os jovens. Com certeza, haverá muita identificação do jovens que vão ao cinema, com os personagens do filme.

Os três personagens principais, interpretados por Caio Blat (“Carandiru” e “Batismo de Sangue”), Alexandre Rodrigues (“Cidade de Deus”) e Maria Flor (“Diabo a Quatro” e “Cazuza”). funcionam muito bem entre si. Com destaque para interpretação do Caio Blat que dá um show de naturalismo, e foi vencedor do prêmio de melhor ator no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Talvez por ter o melhor personagem também, o que melhor dá pra trabalhar em cima. A Letícia, personagem de Maria Flor, é quem recebe a interpretação mais fraca. Maria Flor ainda não tem o tamanho da atriz, que merece muitos papeis que tem chegando à suas mãos. Já Alexandre Rodrigues dá o tamanho e ponto certo ao seu contido e ao mesmo tempo, forte, Leon.

A fotografia do Luis Abramo é simples, verdadeira e funcional, mas sem grandes destaques. O filme merecia uma fotografia mais trabalhada. Camera agil e muito bem realizada ajudam a nos prender ao filme.

A trama em si é muito atual, e trás muito do universo jovem, sem se perder. É meio policial, meio romântico, meio político, sem querer ser demagogo ou algo assim. O filme não quer ensinar nada e sim apresentar. Isso fundamental para o sucesso do roteiro. Parabéns mesmo para o roteiro de Duran e Dani Parrata, cheio de conversas ágeis e reais, algo que está faltando na maioria dos roteiros brasileiros.

O jovem brasileiro com certeza vai se ver nesse filme, pode não se ver nas situações em que os personagens se encontram em meio a tantas aventuras entre traficantes ou algo assim, mas nas atitudes comportamentais de cada um. Seus debates, suas músicas, seus livros, suas conquistas amorosas. A música por sinal é algo que chama atenção. Cheio de samba e poesia. Como uma leitura esperançosa a juventude brasileira.

O filme é uma clara prova que se pode fazer um filme muito bem realizado com um orçamento moderado. O orçamento de Proibido Proibir foi de R$ 1,2 milhões. Pra quem tem algum tipo de pré-conceito deixo o seguinte pensamento:

Pode-se dizer que “Proibido Proibir” é um filme pipoca diferente, pois é inteligente, ou um filme cabeça inovador, pois é agil e está longe de ser chato.

Jair Santana

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Uma resposta

  1. este filme é uma merda, mas esta sua frase é brilhante:

    “É meio policial, meio romântico, meio político, sem querer ser demagogo ou algo assim. ”

    é muito sincera,
    abraço, amigo.

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