“Império dos Sonhos”, David Lynch, 2006

É muito dificil falar desse filme sem contextualizar um pouco de quem é o diretor. Sem falar um pouco além do próprio filme….mas vamos lá.

“Império dos Sonhos” é mais que um filme. É uma experiência, como a maioria dos filmes de David Lynch, que nos convida a entrar num mundo de “sonhos” mesmo…desses sem lógica ou explicações palpáveis. Aí meu camarada, ou você entra e sonha com ele, ou você fica achando que está num pesadelo, principalmente se é daqueles que  acha que tudo tem que ter um inicio, meio e fim altamente explicativo.

Diferente da maioria dos filmes do cinema novo, onde os filmes eram experimentações infundadas, impíricas, e vazias (na minha humilde opinão claro), David Lynch é muito mais que um cineasta. É um artista completo. É artista plástico, videoartista, cineasta, performer, músico.

Na sua juventude, deixou tudo para trás  nos E.U.A  onde nasceu e foi a europa ter aulas de pintura com o pintor experssionista Oskar Kokoschka. De lá pra cá, só tem somado tudo que aprendeu ao cinema. David Lynch é cinema de referências, e seu cinema, se torna referência. Ou melhor, sua arte se torna referência.

Não atoa, seu seriado “Twin Peaks”, abriu as portas para seriados como “Arquivo X”, “Lost” e “Desparate Housewives”, alguns dos seriados de maior sucessos nas duas ultimas décadas.

Voltando a “Império dos Sonhos”. O filme tem um elenco maravilhoso. As belas Naomi Wats, Julia Ormond, Nastassja Kinski, o ótimo e esquisito William H. Macy, o espetacular Jeremy Irons, e Laura Dern, com sua curiosa trajetoria no cinema, indo de “Veludo Azul” a “Jurassic Park”.

O filme apresenta duas coisas que me incomodam. A fotografia as vezes borradas, confusa, enfim, esse é o primeiro filme do David Lynch totalmente em formato digital, e na minha opinião, o digital não deu certo pra ele. Além disso o tempo de duração. Com 3 horas de filme, mas poderia ter bem menos. Uma hora pelo menos. Acho que ficou uma “barriga”. Mas como falei, “Império dos Sonhos” é mais que um filme. De repente nem poderia ser classificado como simplesmente um filme. Ou pro mal, ou para o bem.

Para se ter uma ideia da polêmica do filme, em seu lançamento no Festival de Veneza, numa entrevista após a exibição, um jornalista italiano, chegou a lhe perguntar se o diretor estava se sentindo bem mentalmente. Um outro jornalista na mesma entrevista gritou “ele está pronto pra vestir uma camisa de força”. Lynh apenas se limitou a responder que estava muito bem. E do filme, falou apenas que o filme fala de uma mulher com problemas.

Não é um filme fácil. Não é acessivel a qualquer um. É preciso se distanciar do cinemão pra gostar de David Lynch. É preciso saber, que o cinema não é somente o retrato de nossa realidade ou mesmo a tentativa de retratar. É preciso querer uma experiência com talvez, um novo tipo de arte.

Dos cineastas contemporâneos, David Lynch é mais impactante de todos, essa sua forma de se relacionar com o palpável e o não-palpável, seu mistério, o estranho a violência implicita perduram além de suas projeções. Por isso também seus filmes são tão esperados por cinéfilos de todo o mundo.

Como um sonho, “Imperio dos Sonhos” é confuso. Como Lynch mesmo falou em uma entrevista. O filme foi o resultado de uma série de exercicíos de imagens que ele não essperava desenhar como um filme. E que no final, acabou como um filme. Apesar de todos os problemas claros do filme já citados. Vale a pena acompanhar a trajetoria de David Lynch.

Tá afim de algo que vai fazer você quebrar a cabeça? Se fazer perguntas sobre oque está vendo? Esta afim de ter uma experiência cinematografica realmente de vanguarda? De assistir um dos mais completos artistas do nosso tempo? De ver que o cinema não precisa de um incio ou um fim, como nos sonhos? Ou mesmo de repente, comprovar que cinema precisa sim de um inicio e fim? Ta afim e sonhar?

Assista “Império dos Sonhos”…ou melhor, assista David Lynch

Jair Santana

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3 Respostas

  1. oi jair. nao concordo quando dizes que a questão “duração”, neste filme, é um problema. aliás, nao é problema em filme algum. se tem uma ou dez horas, aquilo é parte da concepção do diretor/artista/realizador. podemos não concordar, mas dizer que isso foi um erro não faz muito sentido em se tratando de uma “obra de arte”, como você mesmo o qualifica – e de fato é.
    abraço.

  2. […] contrario do que podia se esperar com esse resultado,, pois não vimos um isso em “Império dos Sonhos” de David Lynch por exemplo, o resultado de “Inimigos Públicos” é surpreendentemente […]

  3. Lynch, é o inversao do anverso, colocado de cabeça prá baixo.
    Quem não quer voar, que assista as coisas convencionais do cinema lixo da America. David Lynch é o chute no saco do cinema babaca e convencional.

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