Ryuichi Sakamoto, Japão, 1952 –

Ryuichi Sakamoto

Ryuichi Sakamoto é sem dúvida dos mais crescentes compositores de cinema da atualidade. Claro, é um erro dizer que Sakamoto é um compositor de cinema somente. Pianista respeitado internacionalmente, Sakamoto passeia entre o erudito, o jazz, a bossa nova e o eletrônico.

Nascido no Japão em 1952, Sakamoto estudou na Universidade Nacional de Tóquio de Belas Artes e Música, onde formou-se bacharel em composição, e fez mestrado na mesma universidade, tornando-se Mestre, com ênfase em música eletrônica e música étnica. Para um compositor de trilhas pra cinema, nada mais perfeito.

Quando ainda estava no mestrado na Universidade em Tóquio, Ryuichi Sakamoto tornou-se membro da banda Yellow Magic Orchestra, juntamente com Haruomi Hosono e Yukihiro Takahashi. A banda conseguiu o topo da parada britânica com o sucesso “Firecracker” no final dos anos 70, e foram uma grande influência no surgimento de nada mais nada menos que o acid house e do movimento techno do final dos anos 80 e começo dos 90.

Em sua trajetoria fora do cinema, Sakamoto trabalhuo com nomes como Iggy Pop, DJ Dmitry (do grupo Deee-Lite), os brasileiros Caetano Veloso, Marisa Monte, além Paula e Jacques Morelenbaum.

No cinema, a carreira de Ryuichi Sakamoto não é nada discreta. Trabalhou em trilhas com diretores consagrados como Bernardo Bertolucci, Brian de Palma, Oliver Stone e Pedro Almodóvar por exemplo. Por sinal, entre outros, com Bertolicci, Sakamoto é compositor, juntamente com David Byrne e Cong Su, pela trilha de “O Ultimo Imperador”, um dos filmes que mais ganhou Oscars na historia do cinema. E claro, vencedor do Oscar de melhor trilha sonora.

Ryuichi Sakamoto e orquestra, apresentando o tema de “O Ultimo Imperador”;

Além de “O Ultimo Imperador”, Sakamoto é compositor também das trilas de filmes como “O Pequeno Buda” e “O Céu que nos Protege”, de Bertolucci, “Olhos de Serpente” e “Femme Fatalle” de Brian de Paula, “Tabu” do diretor japonês Nagisa Oshima, “De Sato Alto” de Pedro Almodóvar, entre outros inúmeros filmes. Ao todo, Sakamoto é responsável por mais de 20 filmes de cinema, além de suas músicas sempre aparecerem em filmes onde ele não é o responsável pela trilha, como em “Babel” onde podemos escutar “Bibo no Ozora” uma de suas mais lindas composições.

Com essa sabedoria, sensibilidade e dominação musical, que como já citei, vai do erudito ao eletrônico, Sakamoto torna-se hoje, dos compositores mais versáteis e completos para o cinema, e não se resume somente a isso. “Compositor de trilhas”. Se é que se pode usar a palavra “resumir” quando falamos de um compositor somente de trilhas de cinema.

Jair Santana

“Império dos Sonhos”, David Lynch, 2006

É muito dificil falar desse filme sem contextualizar um pouco de quem é o diretor. Sem falar um pouco além do próprio filme….mas vamos lá.

“Império dos Sonhos” é mais que um filme. É uma experiência, como a maioria dos filmes de David Lynch, que nos convida a entrar num mundo de “sonhos” mesmo…desses sem lógica ou explicações palpáveis. Aí meu camarada, ou você entra e sonha com ele, ou você fica achando que está num pesadelo, principalmente se é daqueles que  acha que tudo tem que ter um inicio, meio e fim altamente explicativo.

Diferente da maioria dos filmes do cinema novo, onde os filmes eram experimentações infundadas, impíricas, e vazias (na minha humilde opinão claro), David Lynch é muito mais que um cineasta. É um artista completo. É artista plástico, videoartista, cineasta, performer, músico.

Na sua juventude, deixou tudo para trás  nos E.U.A  onde nasceu e foi a europa ter aulas de pintura com o pintor experssionista Oskar Kokoschka. De lá pra cá, só tem somado tudo que aprendeu ao cinema. David Lynch é cinema de referências, e seu cinema, se torna referência. Ou melhor, sua arte se torna referência.

Não atoa, seu seriado “Twin Peaks”, abriu as portas para seriados como “Arquivo X”, “Lost” e “Desparate Housewives”, alguns dos seriados de maior sucessos nas duas ultimas décadas.

Voltando a “Império dos Sonhos”. O filme tem um elenco maravilhoso. As belas Naomi Wats, Julia Ormond, Nastassja Kinski, o ótimo e esquisito William H. Macy, o espetacular Jeremy Irons, e Laura Dern, com sua curiosa trajetoria no cinema, indo de “Veludo Azul” a “Jurassic Park”.

O filme apresenta duas coisas que me incomodam. A fotografia as vezes borradas, confusa, enfim, esse é o primeiro filme do David Lynch totalmente em formato digital, e na minha opinião, o digital não deu certo pra ele. Além disso o tempo de duração. Com 3 horas de filme, mas poderia ter bem menos. Uma hora pelo menos. Acho que ficou uma “barriga”. Mas como falei, “Império dos Sonhos” é mais que um filme. De repente nem poderia ser classificado como simplesmente um filme. Ou pro mal, ou para o bem.

Para se ter uma ideia da polêmica do filme, em seu lançamento no Festival de Veneza, numa entrevista após a exibição, um jornalista italiano, chegou a lhe perguntar se o diretor estava se sentindo bem mentalmente. Um outro jornalista na mesma entrevista gritou “ele está pronto pra vestir uma camisa de força”. Lynh apenas se limitou a responder que estava muito bem. E do filme, falou apenas que o filme fala de uma mulher com problemas.

Não é um filme fácil. Não é acessivel a qualquer um. É preciso se distanciar do cinemão pra gostar de David Lynch. É preciso saber, que o cinema não é somente o retrato de nossa realidade ou mesmo a tentativa de retratar. É preciso querer uma experiência com talvez, um novo tipo de arte.

Dos cineastas contemporâneos, David Lynch é mais impactante de todos, essa sua forma de se relacionar com o palpável e o não-palpável, seu mistério, o estranho a violência implicita perduram além de suas projeções. Por isso também seus filmes são tão esperados por cinéfilos de todo o mundo.

Como um sonho, “Imperio dos Sonhos” é confuso. Como Lynch mesmo falou em uma entrevista. O filme foi o resultado de uma série de exercicíos de imagens que ele não essperava desenhar como um filme. E que no final, acabou como um filme. Apesar de todos os problemas claros do filme já citados. Vale a pena acompanhar a trajetoria de David Lynch.

Tá afim de algo que vai fazer você quebrar a cabeça? Se fazer perguntas sobre oque está vendo? Esta afim de ter uma experiência cinematografica realmente de vanguarda? De assistir um dos mais completos artistas do nosso tempo? De ver que o cinema não precisa de um incio ou um fim, como nos sonhos? Ou mesmo de repente, comprovar que cinema precisa sim de um inicio e fim? Ta afim e sonhar?

Assista “Império dos Sonhos”…ou melhor, assista David Lynch

Jair Santana

“O Gangster”, Ridley Scott, 2007

“O Gangster”, novo filme de Ridley Scott, já chega ao cinema como um novo clássico do gênero. Scott conseguiu fazer um novo filme de gansters realmente. Ok, ok, Scorsese é o mestre de todos com seu “O Poderoso Chefão”, mas Ridley Scott trás um sopro novo ao estilo.

Eu já diria que “O Gangster” foi o grande injustiçado do Oscar 2008. Tem direção segura, e interpretações memoráveis de Denzel Washington e Russell Crowe. Princialmente de Denzel Washington, que com toda certeza deveria estar pelo menos entre os concorrentes de melhor ator. Além da fotografia, trilha sonora, etc…

O filme mais que um simples gangster, apresenta um “empresário” do crime realmente. No inicio do filme, Denzel, ou melhor, Franck Lucas perde seu chefe e amigo. Que até então era o chefe do tráfico no Harlem. Chefe este, que lhe explica todo processo da droga que vende, e dá a dica de ouro do filme. “Passar por cima dos atravessadores.” Em cima desse conceito, Franck Lucas constroi um império. Transformando sua droga em uma marca. A “Blue Magic”, e se torna um milhionário empreendedor, digo, traficante. Um dos mais poderosos de Nova York.

“O Gangster” é o filme indicado por várias universidades americanas de marketing atualmente. Não para se estudar a venda de drogas. Mas a forma que o mercado foi conquistado e o fortalecimento da marca. Não é um filme tradicional de máfia. Apesar de toda essência estar alí. A coorporação familiar, a competição, a violência. Franck Lucas não simplesmente elimina o concorrente. Ele nem mesmo os afronta. Ele simplesmente oferece o melhor produto.

Sinceramente, mesmo sendo um vilão frio, calculista, ao mesmo tempo tem um riquesa muito grande de humanidade. Como a preocupação com a familia, a fidelidade com as pessoas que gosta, como a mulher que escolheu pra casar por exemplo. O espectador acaba por criar uma empatia com esse vilão. O que é essêncial para o bom andamento do filme. E apesar de saber que ele dev ser punido. Chega-se (eu cheguei) a torcer para ele se sair bem no final.

A fotografia, a palheta de cor azulada e acinzantada do filme, trazem algo frio e sombrio. A fotografia de Harris Savides por sinal, faz referências ao filmes realizados na década de 70 como “Scarface”. Como o mundo que cerca Franck Lucas. A música de Marc Streitenfeld é belísima. Esse é apenas o segundo filme de Marc Streitenfeld como compositor. O primeiro foi “Um bom ano” também de Ridley Scott.

Infelizmente, como que uma consolação, “O Gangster” entra no Oscar concorrendo ao prêmio de melhor direção de arte, e atriz coadjuvante. Sinceramente, Ruby Dee como Mama Lucas está boa. Mas nada que mereça prêmio. Jà a direção de arte é mesmo maravilhosa.

“O Gangster” é mais um clássico do gênero, para ter nas prateleiras futuramente. Como “Scarfece”, “O Poderoso Chefão I, II e III” e “Os Bons Companheiros”, além claro do “Era uma vez na América”. É também um filme para não se perder a oportunidade de assistir, e se possível, nos cinemas.

Jair Santana