“Filhos da Esperança”, Afonso Cuarón, 2006

“Filhos da Esperança” foi um presente de final de ano em 2006. Um ano de poucos boas produções no estilo. O filme entra pra seleta lista de filmes de ficção do nível de “Laranja Mecânica” “2001- Uma Odissea no Espaço” e “Blade Runner”. Aliais, “Filhos da Esperança” está sendo aclamado como o novo “Blade Runner”

No elenco, Clive Owen (Theodore Faron), num papel dificil, com uma construção de personagem que exige muito, mas bem realizado, temos Julianne Moore (Julian Taylor), que SEMPRE está maravilhosa em tudo que faz, na minha opinão, a melhor atriz de sua geração, e aqui especialmente, Julian, a ativista-terrorista apesar de ter uma participação limitada, era um papel que realmente precisava de uma atriz com o peso de Julianne. E mais um presente do filme, Michael Caine (Jasper). Um presente pro espectador e para o próprio Caine. Jasper é diferente de tudo que Caine ja fez, o que o torna mais interessante, e talvez, melhor. Jasper é apaixonante, é o grande “oráculo” do filme. Caine merecia todas as prêmiações do ano por sua interpretação.

Alfonso Cuarón é mexicano e reside nos EUA, na verdeade é um dos novos-grandes diretores desse inicio de céculo. Diretor do melhor dos Harry Potter´s, o “Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (2004) “, do simples e ousado “E sua mãe também (2001)” e ainda do conto de fadas “A princesinha (1995)”. Alfonso Cuarón é dos poucos diretores autorais do cinema amaricano atual. No “Filhos da Esperaça” ele dirige e roteiriza, coisa que poucos diretores holywoodianos fazem hoje em dia, principalmente na maquina industrial americana que tem aversão ao cinema autoral.

A sociedade em que se vive no filme de ficção “Filhos da Esperança” não é muito diferente de nossa realidade em vários aspectos. Como de um povo migrando para viver em “bolsões” mais civilizados, e esses bolsões querendo se isolar cada vez mais. É muito do que realmente acontece em paises como EUA, França e a própria Inglaterra, onde se passa o filme. Uma sociedade onde só se valoriza os filhos da patria, e utiliza os filhos bastardos para limpar seus detritos.

O filme Recebeu 3 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição. Ganhou ainda 2 prêmios o BAFTA, o Oscar britânico, nas categorias de Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. Foi ainda indicado na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Infelizmente Michael Caine foi super injustiçado ficando de fora até das indicações.

O filme é bem realizado em tudo. Boas atuações, direção, direção de arte impecavel, e uma fotografia de Emmanuel Lubezki, supreendente, verdadeira, e com plano sequências que ficarão para a historia do cinema. Além de ter uma das cenas mais emocionantes realizadas no cinema nos ultimos anos. Onde a jovem Kee, interpretada com uma naturalidade impressionante por Claire-Hope Ashitey, atravessa os soldados juntamente com seu protetor Theodore Faron (Clive Owen) com um recem nascido nos braços, e tudo ao seu redor volta-se para aquela criança, que representa uma esperança pra humanidade. Não vejo uma cena tão emocionante desde a cena do enterro em “Soy Cuba”, o clássico do cineasta russo Mikhail Kalatozov, em seu filme de 1964.

“Filhos da Esperança” já nasce clássico. Não é um filme imperdivel, é mais que isso, é um filme obrigatorio.

Jair Santana

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