“O Passado”, Hector Babenco, 2007

passado-poster01

"O Passado"

O pior filme de 2007, e o pior filme do Babenco (confesso, não ví todos, mas se ele tiver feito algo pior que isso…). Como o diretor de “Pixote” e “Carandiru” pode ter feito esse filme, que é uma sequência de constrangimentos.

Até o galã, Gael Garcia Bernal, ele conseguiu deixar feio, e com péssimas atuações. Na verdade, logo se vê que o erro é da direção pretenciosa, de um roteiro metido “cabeça” que está mais pra um roteiro de novela mexicana, dessas que passam no SBT.

A fotografia do Ricardo Della Rosa, é suja, escura, com cara de filme velho e essa, nem é essa a proposta do filme. Pelo menos a mensagem não tem nada haver. E o Ricardo Della Rosa tem fotogtrafias belíssimas, como o de “Casa de Areia” do Andrucha Waddington.

Os personagens principais, Gael García Bernal (Rímini) e Ana Celentano (Carmen), estão feios, confusos e inverossímeis. Falo o “feios” porque nem conseguir fazer com que o público se apaixone pelo casal principal, por serem bonitos, o filme consegue. Nem um personagem é bem apresentado, nem um está bem definido psicologicamente. Todos parecem saídos de um hospício.

O roteiro é da Marta Góes e do Hector Babenco, é pretensioso. Tenta falar de relacionamento. Tenta ser psicológico, visceral, e só consegue ser superficial, confuso e risível dele mesmo. Não por ser engraçado, mas por ser constrangedor, eu diria, ridículo mesmo. As conversas são as mais absurdas possíveis. As vezes, você parece estar assistindo “American Pie” do Paul Weitz, e o filme, quer ter cara de “Interiores” do Wood Allen.

 

 

A música passa mais que despercebida. Melhor assim, fico até com medo com que eu iria me deparar, naquele conjunto de equivócos. Até as cenas de sexo são contragedoras. Babenco filma uma cena sexo,  com uma única sequencia, e as trepadas de Rímini não duram mais que 10 segundos. Isso porque é feito em “plano sequência. O coitado sofre de ejaculação precoce tadinho. Se não sabe fazer cenas de sexo, pule do primeiro beijo para o dia seguinte, pelo menos as coisas ficam subtendidas. Agora, fazer uma cena de amor completa, onde TUDO durou não mais que 10 segundos é constrangedor.

Parece piada, mas foi considerado pelo jornal “O Globo”, um dos 10 melhores filmes do ano. Não sei se começo a acreditar que “O Globo” tem realmente materia paga, se o Babenco é um dos sócios do jornal, se ele foi a pessoa que fez a lista, ou ….sei lá, não consigo achar nem um motivo sério para o filme pertencer a essa lista.

Não perca seu tempo, não gaste seu dinheiro indo assistir no cinema ou alugando um dvd. É impressionante, o que uma direção equivocada consegue fazer com uma boa equipe. Como uma direção presunçosa pode acabar com uma proposta, por melhor que ela seja. O trailer do filme era fantástico. Achei que eu ia entrar no cinema e assitir um filme sério, sensivel, e oque assisti foi o mico do ano.

Ah, só pra constar. Dei uma pesquisada, e não achei nem um prêmio sequer que o filme tenha conquistado. Se alguem souber de um, por favor me informe. Talvez ganhe o “Framboesa” de Pior Filme. Vamos torcer.

Jair Santana

“Hotel Ruanda”, Terry George, 2004

Hotel Ruanda

Hotel Ruanda” foi o filme de Guerra mais emocionante que já assisti. Uma produção muito bem realizada, uma produção delicada, uma historia chocante, com cenas fortes mas não apelativas.

O filme é baseado em fatos reais. Como não conheço a historia da Guerra Civil em Ruanda, o filme as vezes fica meio confuso, mas ainda assim, consegue nos localizar nesse que foi um dos conflitos mais horríveis da historia recente mundial e poucos se dão conta. Afinal, negros africanos morrendo, não chocam, ou melhor, não “vendem” como brancos, judeus e europeus.

As atuações estão espetaculares, Don Cheadle (Paul Rusesabagina) e Sophie Okonedo (Tatiana Rusesabagina) receberam indicação ao Oscar e ao Globo de ouro de Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvantes respectivamente pelo trabalho no filme. O filme ainda recebeu prêmio de público no Festival de Toronto.

A direção do filme é de Terry George, diretor voltado para assuntos políticos. Foi roteirista de “Em Nome do Pai” em 1993, e diretor de roteirizou e dirigiu “Mães em Luta” em 1996. Terry George é jornalista, crítico e muito atuante em causas civís, principalmente as menos conhecidas da grande massa internacional. Terry tem uma direção clara, segura, e consegue fazer um drama político como poucos. Além de conduzir muito bem a linha informativa e fazer críticas sociais muito bem posicionadas.

No Brasil, o filme passou meio que silêncioso, sem campanha de divulgação, sem mídia. E o pior que é uma historia bem mais próxima do brasileiro que qualquer filme de guerra Hollywoodiano, mas enfim, o grande público prefere assistir “Rambo” ou coisas do tipo. Pra quem gosta de caras conhecidas no cinema, o filme conta ainda com participações de Joaquin Phoenix, interpretando o jornalista Jack Daglish, e Nick Nolte como Coronel Oliver.

Algo ainda que chama atenção em “Hotel Ruanda” é a belíssima música, muito bem elaborada e utilizada pelo filme, e por falar nisso, a música também ganhou prêmio. Globo de Ouro de Melhor Canção Original ,com a música “Million Voices”. O filme  conquistou ainda o BAFTA de melhor roteiro original para Keir Pearson e Terry George. Terry que é também diretor, foi o roteirista de “Em Nome do Pai

É um filme que não se pode deixar de assistir. Não pela música, premiações ou pelas interpretações, mas pela historia política, pela realidade de uma Guerra Civil, pelo belo filme que é “Hotel Ruanda”. Mas prepare-se, pois é um filme forte. de fazer pensar, oque as vezes incomoda muita gente, de fazer chorar, e não o clichê do cheio de explosões como a maioria dos filmes de guerra que o público se acostumou.

O filme é uma produção, EUA, Itália e África do Sul, talvez por isso seja diferente de filmes de produção somente americana. Não estou generalizando ou desmerecendo todos os filmes de guerra americanos, pois também temos filmes maravilhosos, mas não podemos negar que a grande maioria são fracos e tendenciosos. ”Hotel Ruanda” é uma dessas exceções.

Jair Santana

“Nina”, Heitor Dhalia, 2004

Nina

Na minha opinião, Heitor Dhalia, é um dos diretores no Brasil, que nada contra a corrente do cinema de fácil assimilação. “Nina” é ums dos mais diferentes filmes brasileiros desde a retomada. Com uma estética de mangá, um clima introspectivo bem “dostoievskiano” mesmo, e ainda de interpretações maestrais. Concordo que deixa um pouco a desejar no final mas ainda assim, não se perde no conjunto geral

“Nina” é uma adaptação livre e moderna de “Crime e Castigo” de Dostoievski. Mas vale ressaltar, e repetir que, é uma adaptação LIVRE. As duas protagonistas, Guta Strasser que é a personagem título Nina, e Miriam Muniz, que vive Dona Eulália,estão PERFEITAS no papel, não desmerecendo a Guta, mas a Mirian Muniz está ABSURDAMENTE PERFEITA. A composição dos dois personagens está ótima, agora, a Mirian Muniz brinca mais com a voz, com o corpo, com tudo. E o personagem é muito bom para uma atriz com a experiente Mirian. Ela pode brincar mesmo com a personagem. Infelizmente foi o ultimo trabalho da atriz no cinema, que faleceu no final de 2004.

Falando técnicamente do filme. “Nina” dá um show. A cor do sangue dos quadrinhos utilizados no filme, serviram de referência para o sangue em “Sin City” de Robert Rodriguez, Frank Miller e Tarantino por exemplo. A fotografia monocromática de José Roberto Eliezer é ótima, casando muito bem com tudo no filme. Assim como a arte e o figurino, que são muito bem realizados, tudo se encaixa.

A personagem Nina vive na Cidade de São Paulo, mas a linguagem do filme é tão universal que a historia poderia se passar em qualquer centro urbano. Nova York, Berlin, Tóquio. É compreendido por qualquer cultura.

A música também é muito bem escolhida. Vale obsersar, o casal de DJ’s Ana e David, a dupla “Pet Duo” , que hoje vive na Alemanha, fazem uma participação no filme, fazendo oque sabem melhor. Tocando em uma festa.

Heitor Dhalia, que recebeu o prêmio de melhor direção do Festival LAcinenmaFE de Nova York e prêmio de crítica no Festival de Moscou. Para um diretor estreante, “Nina” é seu primeiro longa metragem, depois Heitor veio com o também corajoso “Cheiro do Ralo”, Heitor prova que não entra no cinema pra brincar. Diríamos que ele entra mais pra balançar as mesmices produzidas por aí.

“Nina” é um cinema ousado, com bela fotografia, mas sem aquela cara de cartão postal que o cinema brasileiro adora, com um clima pesado, que enfim, o cinema brasileiro parece ter medo de se jogar. É um cinema autenticamente brasileiro, com cara de cinema livre de Hollywood. No melhor que isso possa significar.

Jair Santana

“Dogville”, Lars Von Trier, 2003

Dogville

Dogville

Lars Von Trier, que pra mim, é um dos grandes diretores do cinema atual, depois de “Os Idiotas” e “Dançando no Escuro”, vem com inovador “Dogville”, dando uma reviravolta na sua filmografia. Lars escreveu, dirigiu e foi o camera do filme. Ou seja, cara é completo.

Nesse filme ele trabalha com marcação de teatro, com cenário de teatro, faz o espectador ter a sensação de estar lendo um livro, e contudo, nos mostra um cinema de primeira grandeza.

O roteiro faz parte de uma trilogia, que Lars diz falar sobre os EUA. Os americanos odeiam essa afirmação, mas o dono da obra é ele. Na verdade, trata-se do primeiro filme dessa trilogia do diretor Lars Von Trier sobre os Estados Unidos. Os demais filmes são “Marderlay”(2005) “Washington” ainda sem previsão de estreia.

Claro que na verdade, os críticos americanos não se redem totalmente ao filme. Dizem ser impossível se escrever ou dirigir um filme, ou ainda uma trilogia, sobre um país, que Lars nunca pisou.

Esse é o maior argumento que se tem? E os filmes de guerra passado no Vietinã que os americanos tanto adoram? Nem todos os diretores estiveram no Vietnã ou ainda, não estiveram em uma guerra.

A verdade é que na interpretação do próprio diretor, a doce e singela Grace é a própria imagem dos EUA. Alguns questionam essa imagem ou para o bem ou para o mal. Mas, pela visão de seu criador, Grace, com a aquele rosto meigo e doce, chega em uma cidade estranha, e transforma tudo que acontece alí, de maneira que lhe convêm. E se isso não acontece, ela extermina a cidade. Facil assim. Isso nos faz pensar em um EUA invasor de paises como Iraque não? Nos faz lembrar, que os EUA se julgam a corte do mundo. Sem levar em conta políticas, tradições, e culturas diferentes.

“Dogville” é visceral, forte, com um trabalho impressionante de Nicole Kidman, que é quem interpreta Grace, a personagem principal. Por sinal, ótima a idéia Lars Von Trier, de reunir estrelas de épocas tão distindas como Nicole Kidman e Laurem Baccal.

Não só o trabalho dos atores está fantástico, o roteiro e a direção, tem mãos firmes, e nos conduzem para uma situação, que no final, é impossível ficarmos apáticos ao que ele nos apresenta. Lars Von Trier é deliciosamente sarcástico e cruel. E faz com que nos vejamos em situações totalmente fora de nossa essência. Ou talvez na verdadeira. Essa é a “brincadeira” do filme.

Um filme que faz pensar, nos faz passar horas debatendo sobre ele em mesa de bar, ou numa banca universitária. Não tem a pretensão de ter grande público. Não foi feito pra isso. Mas com certeza, deve ter alcançado mais que o esperado.

“Dogville” é a prova que ainda se tem espaço para o cinema de crítica social. Esse filme realmente, foi uma reviravolta no que estavam fazendo por aí. Eu fiquei abismado com tamanha simplicidade  e inteligência desse que com certeza esta na minha lista dos melhores filmes da década.

Jair Santana

“Capitão Sky e o Mundo do Amanhã”, Kevin Conran, 2004

Filme ousado do diretor estreantte Kevin Conran, que onta com um elenco de peso, com nomes como Gwyneth Paltrow, Jude Law, Giovanni Ribisi, Angelina Jolie, e acreditem, Laurence Oliver, pós-mortem. Para ter Laurence Olivier no filme, que faleceu em 1989, Kerry Conran utilizou imagens de arquivo do ator e fez uma edição de forma que Oliver pudesse “atuar” como o vilão de “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”. Mesmo com um mega-orçamento de 70 milhões de dólares, com efeitos especiais inovadores, muitas referências a filmes dos anos 30 e 40, mas … não convence.

A atuação de todos os atores está dígna de um seriado B, a música não decola e os efeitos especiais são excessivos e confusos. ADORO Filmes de ficção científica, mas me decepcionei com Capitão Sky. Aguardei muito esse filme. Sua inovação e até lí boas críticas dele. Foi um dos filmes mais esperados do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro de 2004, um dos mais esperados do Festival de São Paulo também. A Revista SET veio com ele na capa do mês de novembro com a chamada “Capitão Sky Reinventa a forma de se fazer cinema”. Se bem, que não podemos esperar muito de uma revista que tem como editor o egocêntrico, equivocado e mais arrogante pseudo-crítico do país, que é Roberto Sadovski.

O filme realmente tem algo inovador, filme foi inteiramente rodado com os atores atuando a frente de uma tela azul. Com exceção dos próprios atores, todo o restante do filme foi inserido através de computadores, o próprio diretor criou o programa de computador. Mas não adianta. O filme parece não ter linguagem própria. Parece querer reinventar uma linguagem, o que é muito dificil fazer. A fotografia é referêncial de filmes da década de 30 e 40, a maquiagem idem, mas ao mesmo tempo, confusas. Não chegando a lugar nem um.
Acho válida a tentativa, mas não sei até que ponto vale 70 milhões de dólares. Parece um “SteamBoy” ( do Katsuhiro Otomo), que virou filme e não deu certo.

Porque não deu certo?
Tenta ser irônico e sério ao mesmo tempo. Se perdendo no seu objetivo. É sem dúvida nem uma um filme grandioso. Você vê o dinheiro gasto. Tudo é muito rico, detalhado, original, as vezes as máquinas parecem ter saído de um desenho do Professor Pardal, e acabam perdendo a seriedade proposta. Mas apesar de ser grandioso, não é um grande filme. Um filme que pode ficar pra historia do cinema pela sua nova forma de realização, mas não pela sua historia, não pelo roteiro, não pela atuação dos atores, não pela fotografia, ou seja, não pelo filme que se realizou com essa nova fórmula.

Jair Santana

ify”>Jair Santana

“A Vila”, M. Nigth Shyamalan , 2004

A Vila

Desculpem os fãs do M. Nigth Shyamalan, diretor de o “Sexto Sentido” e “Sinais”, mas esse seu terceiro filme é também, minha terceira decepção com esse diretor.

O filme tem um ótimo clima, consegue dar bons sustos, bons atores, em especial Bryce Dallas Howard que vive a cega Ivy Walker, e Joaquin Phoenix como Lucius Hunt. Joaquin Phoenix por sinal é sempre um ótimo ator. “A Vila” é um filme bem realizado tecnicamente falando. É bem fotografado pelo diretor de fotografia Roger Deakins, que é mestre em filmes de suspense, como “Fargo” dos irmãos Coen por exemplo.

Mas só técnica não preenche um filme sem historia. Sem roteiro. O climax do filme é muito longe do final, oque na maioria dos roteiros acaba prejudicando o filme, a não ser quando o diretor é bom demais, o que não é o caso do Shyamalan.

O filme é cheio de perguntas não respondidas, ou melhor, perguntas que não tem respostas mesmo. Não são aquelas pergunta que nos fazem pensar, que deixam as coisas no ár, são perguntas que NAO TEM COMO RESPONDER, ou poderiamos simplesmente dizer, que são erros de roteiro mesmo. O filme tenta ser “filosófico” acaba como uma grande piada dele mesmo.

Certa vez, falei que esse diretor era um blefe. Agora, a cada filme que assisto um dele tenho  mais certeza dessa afirmação. Esse diretor é mais um blefe do cinema americano. Por mais que sua nacionalidade seja Indiana, foi nos EUA que ele conseguiu sucesso. Mais um produto da boa publicidade. Ele adora trabalhar com elemento surpresa. Mas cinema não é só isso. É bom um filme de suspense onde vamos ter um final surpreendente, mas quando o filme é só isso, seu roteiro todo se volta pra isso somente, o melhor é fazer um curta-metragem, ou comerciais de 30 segundos.

Quem duvida, convido a fazer comigo o seguinte exercício. Vamos pensar em Woody Allen, ou no mestre do suspense, Alfred Hitchock. Os dois diretores, de estilos bem diferentes, por muitas vezes, nos apresentaram roteiros com finais surpreendentes cert? Mas seus filmes continuam eternos. Passamos agora pra filmografia de M. Nigth Shyamalan. Filmes como “O Sexto Sentido” depois da primeira vez perde a toda, eu disse, TODA a graça. Assim é com toda sua filmografia. Logo, temos um diretor, que por mais sucesso que faça, tem uma filmogradia rasa, superficial e momentânea. Daqui a dez anos, ninguém lembrará de seus filmes.

Vale a pena assistir, mais pela curiosidade, pela técnica, e interpretação de alguns atores. Isso, M. Nigth Shyamalan sabe. Dirigir atores. Ele consegue tirar deles a tensão desejada. Agora só falta descobrir um bom roteiro. Pois, até agora, com sua arrogância de só querer filmar seus próprios roteiros. De nada acrescentou ao mundo cinematográfico.

Jair Santana