“Crash – No limite”, de Paul Haggis (2005)

O Oscar 2006, o prêmio maior da industria de cinema dos EUA, deu seu principal prêmio ao filme menos “insdustrial” de todos. O orçamento de Crash – No Limite foi de US$ 6,5 milhões. Realizado por um pool de estúdios desconhecidos (Bull’s Eye Entertainment / DEJ Productions / Bob Yari Productions / Harris Company / Blackfriars Bridge / ApolloProScream GmbH & Co. Filmproduktion KG ) e distribuido por Distribuidora na mesma linha ( Lions Gate Films Inc. / Imagem Filmes), o filme só veio trazer a tona, que apesar de ainda conservador, o Oscar está sim tentando mudar seu perfil.

Até mesmo pra não perder mais ainda a credibilidade, já que o Oscar vem perdendo espaço pra vários Festivais de menor porte, até mesmo no próprio Estados Unidos, como Sundance, que até alguns anos atrás era totalmente desconhecido do grande público. Hoje apesar de o Festival de Sundance ainda ser conhecido como o Festival de Cinema Independente Americano, suas produções já chegam a milhões facilmente e entre os Estúdios que nele investem esta a Miramax por exemplo umas das maiores ganhadoras de Oscar’s no últimos anos.

Esse amadurecimento é visível. Filmes como “Crash’, “O segredo de Brokeback Mountain”, “Beleza Americana” jamais concorreriam ao Oscar a 10 ou 15 anos atrás…mas os velhos da Academia estão morrendo, os concervadores diminuiram, mas ainda são muitos, e o novo cinema está aparecendo. “Crash”. de Paul Haggis, mesmo roteirista de “Meninos e Lobos” e “Menina de Ouro”, outros dois filmes densos e críticos, que também receberam atenção do “Oscar”, dirige seu primeiro filme e o resultado, Crash, é surpreendentemente polêmico, inteligente, emocionante e bem realizado.

UM VIVA AOS NOVOS CINEASTAS. Não os novos cineastas americanos, ou brasileiros, mas novos conceitos, experimentos, não uma nova formula, mas uma nova maneira estrutural de se fazer cinema. O cinema social. Mais real e menos romântico.

Mas voltando a “Crash”. O filme é cercado de histórias curiosas. Sandra Bullock, por exemplo, queria tanto fazer parte do elenco que pagou ela própria sua passagem de avião para se dirigir ao set de filmagens.

“Crash” e “O segredo de Brokeback Mountain”, dois filmes que falam de TABUS, de preconceito, dividiram os principais filmes da academia. “Crash” já chega no cinema como filmes histórico, fora Wood Allen(Noivo Neurótico, Noiva Nersosa), Terrence Mallick (Além da Linha Vermelha), poucos diretores são tão cultuados pelos atores como Paul Haggis. Não estou falando respeitado e sim, CULTUADO.

O filme tem fotografia boa e funcional. Mas não grandiosa. A proposta é como se fosse imagem de uma câmera jornalística, meio suja, funcional e sem roubar a cena. Tem atores fabulosos, do tipo que lhe faz acreditar em cada personagem.

Você acredita o tempo todo no comportamento de cada um alí. Mesmo a queridinha da américa Sandra Bullock funciona. Em especial, Matt Dillon está de roubar a cena. O rumo da historia, que assim como “Menina de Ouro” e “Meninos e Lobos”, tinha tudo pra ser um dramalhão, mas não é, e nem por isso deixa de tocar as pessoas. Ele se mantem firme, emociona, mas não apela.

Paul Haggis, com a segurança de também ser o autor do roteiro, segura a direção com mão firme, e não deixa nada escapar. “Crash” tem uma decupagem limpa, muito bem realizada, tem uma misencene cuidadosamente trabalhada, uma ótima direção de atores, tudo é uma a conjunção de ótimos trabalhos, em suma, é isso que deve ser uma boa direção. Fazer com que tudo no filme dialogue.

Saí do cinema maravilhado. Me emocionei, me arrepiei, chorei, fiquei irado. Acho maravilhoso o cinema que lhe faz sentir emoções fortes. Palmas sim para a tentativa de amadurecimento do Oscar, para Paul Haggis, para a equipe do filme, para o público que se rendeu ao cinema pensante, e principalemente, para produtoras que acreditaram na chegada de um novo cineasta.

Jair Santana

2 Respostas

  1. Crash é sensacional. Adorei o filme. Abraços

  2. […] em vários tempos de uma mesma historia. O roteiros que originalmente seria de Paul Haggis (“Crash – No Limite”  e “Menina de Ouro”), foi reescrito e ficou a cargo dsa dupla John D. Brancato e […]

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