“Meu Tio Matou um Cara”, Jorge Furtado, 2005

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"Meu Tio Matou um Cara"

O melhor filme do ano? O filme mais inteligente dos ultimos tempos? Não. Nem um nem outro, mas um bom filme, uma história bem contada, boas interpretações, uma direção objetiva. Sabe quando você nota que o diretor sabe onde quer chegar. E chega. Assim é esse filme.

Filme pra assistir num domingo, cinema pipocão mesmo, mas cinema inteligente, não o cinema americano “idiotizado” que se acostumou o grande público. O filme contêm romance, policial, intriga, investigação, cotidiano familiar, sem ser um filme poluído de tramas. É sutil, é enfim, como já falei, uma historia simples e muito bem contada.

Assim são bons filme, bons livros, por mais simples que seja a historia a maneira como se conta que é a grande chave. Foi assim com William Shakespeare quando contou a simples historia de um amor proibido em “Romeu e Julieta”.

O diretor e roteirista do filme, Jorge Furtado, é um dos mais promissores diretores brasileiros, este é seu terceiro longa metragem, agora com a parceria da Globo filmes (que só distribui). Os outros dois filmes foram “Houve uma vez dois verões” e seu grande sucesso, “O homem que copiava”.

O filme é da comunhão das produtoras “Natasha Filmes” (leia-se Paula Lavigne) e da “Casa de Cinema de Porto Alegre”. Na verdade, “Meu Tio Matou um Cara”, mesmo com todas suas qualidades, é o mais fraco dos filmes de Jorge Furtado, que foi bem mais feliz nos outros dois.

 

 

No elenco temos, Darlan Cunha (Duca) um negro finalmente, e outra vez pelas mãos do Jorge Furtado, não fazendo papel de marginal e como protgonista no cinema, Dira Paes (Cléia), a atriz brasileira que mais faz cinema no pais, temos ainda Aílton Graça (Laerte), Deborah Secco (Soraya) funcional aqui, fazendo o papel dela, a gostosa. O papel pede mais corpo que atriz, Lázaro Ramos (Éder) sempre muito bom em suas interpretações, Sophia Reis (Isa) uma nova cara que se saiu muito bem.

Jorge Furtado caminha pro cinema mais difícil, e o menos valorizado pelo grande público, que é o cinema autoral. Que é o cinema de Woody Allen por exemplo, o de Frederico Felini, claro, cada um nas suas devidas proporções.

Outro ponto muito bem trabalhado no filme é sua trilha sonora. A cargo de Caetano Veloso e André Moraes. Caetano está cada vez mais presentes nas trilhas do cinema brasileiro. É verdade, muito em função de sua ex, Paula Lavigne, dona da Natasha Filmes, e também pela parceria com o Guel Arraes, que é co-roteirista do “Meu Tio Matou um Cara”. Caetano já partiu para carreira internacional em filmes do Almodovar e na produção “Eros” um longa que reune três médias,  dos diretores Steven Soderbergh (Solaris), Wong Kar-Wai (Amor à Flor da Pele) e Michelangelo Antonioni (O Eclipse).

O bom cinema brasileiro, se encontra, se identifica mais com o cinema europeu que com o americano, justamente pela liberdade de criação de nossos roteiristas e diretores. Netssa linha mais autoral temos nomes como  Jorge Furtado, Domingos de Oliveira, Heitor Dhalia, Claudio Assis entre muitos outros. Cinema autoral, ainda é realizado com frequência por aqui.

Porém, infelizmente, nosso público está mais acostumado com o contrário, por isso filmes como “Dois Filhos de Francisco”, “Sexo, Amor e Traição”, que são bem mais comerciais, lotam muito mais uma sala de cinema que “Meu Tio Matou um Cara” e “Nina” por exemplo.

Jair Santana

 

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