“Ponto Final – Match Point”, Woody Allen, 2005

"Match Point - Ponto Final"

"Match Point - Ponto Final"

“Match Point” é o primeiro filme do diretor na Inglaterra. Ele conseguiu sair do clima Manhatan sem tropeçar um pouquinho sequer. Conseguiu sair do Jazz para Ópera como o grande maestro que é. Não foi dos filmes mais baratos dele, mas perto do que costumam gastar em Hollywood, “Match Point” custou apenas 15 milhões de dólares.

Eu diria que Wood Allen é o Domingos de Oliveira do mundo, ou o Domingos é o Woody Allen local tanto faz, pois os dois fazem bons filmes, ou melhor, filmes MARAVILHOSOS sem gastar muito.

“Match Point” é o filme mais longo da carreira de Allen, nem por isso se torna cansativo ou nele se fala mais do que se precisa. É um filme no tamanho certo. É diferente de muita coisa que ele fez, alguns diriam até que é diferente de tudo que ele já fez. Não sei se chega a tanto. Sua direção é muito requintada, seus planos estudados, as músicas muito bem usadas, e nisso tudo, é muito perceptível a direção do Woody Allen de sempre.

Adoro suas comédias, mas esse drama, esse suspense, ou melhor, essa opera de Woody Allen, assim como o estilo musical que ele se propõe a usar no filme, é de nos deixar de queixo caído.

Foi o primeiro filme do diretor com Scarlett Johansson, casamento que deu super bem, posteriormente veio “Scoop – O Grande Furo” em 2006. Scarlett Johansson, além de linda, prova ser uma atriz maravilhosa. Temos ainda inglesa Emely Mortiner, como a mocinha Chloe, também caindo como uma luva para o papel, e o sóbrio e apaixonante golpista, fica a cargo de Jonathan Rhys-Meyers. Os três sob a batuta de Woody Allen estão formidáveis.

Eu colocaria “Match Point” como um dos 10 melhores filmes de diretores americanos dos últimos 10 anos, e um dos cinco melhores de Woody Allen. Ele sempre foi assim. Sempre compartilhou muito com o público.

O filme nos apresenta aquele tipo de heroi “moralmente flexivel”, um novo personagem na dramaturgia, e também, nada vida real. Não precisamente novo, mas agora assumido e descompromissado com a justiça. É o personagem, ou o indivíduo que se dá bem na vida, porque dá golpes, aceita subornos, ganha em cima detralhadores explorados e coisas do tipo. E esse é o vencedor, o “cara” que todos adimiram, esse é o grande cidadão do século XXI, estamos com exemplos aí ao nosso alcance, como o banqueiro Daniel Dantas ou Eliana Tranchesi, dona da loja Daslu, que apesar de estarem comprovadamente envolvidos com falcatruas e transações ilicitas, são ditos como vencedores e invejados por muitos, e pior, defendidos públicamento por muitos formadores de opinião.

O anti-herói, Jonathan Rhys-Meyers (Chris Wilton), em momento algum é julgado pelo diretor. Ele deixa isso para o público. Que muitas vezes torce por Jonathan, mesmo ele sendo alguem “moralmente flexivel”. Seria ele um herói moderno, ou um vilão? Você torce por ele? Ou contra ele? O filme mostra os fatos, mas quem faz a torcida é o espectador.

Jair Santana

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