Sobretudofilmes – Membros

São os membros responsáveis por tudo referente ao grupo e pela realização dos curtas. Estão em todos os projetos, podendo ser direta ou indiretamente envolvidos. Sempre atuando em suas áreas específicas.

 

Jair Santana

Diretor, Produtor, Publicitário e Editor do Blog

 

Ricardo Goes

Compositor, Professor de Canto 

 

Danielle Martins

Diretora de Arte e Cenógrafa

 

Marcelo de Andrade

Roteirista e Historiador

“O Filho da Noiva”, Juan José Campanella, 2001

Na minha opnião é um dos melhores filmes Argentinos dos últimos anos. A simplicidade do filme acho que é que o deixa tão fantástico. É emocionante sem ser meloso como os filmes americanos, ou melhor talvez seja mais sutil que a maioria do cinema americanos. É bem interpretado, pelo carismático Ricardo Darin (Nove Rainhas), o mais famoso ator do cinema argentino, e pela ótima Norma Alejandro, em uma interpretação emocionante e bem dosada. Norma foi vencedora de vários prêmio com esse filme.

O filme tem um roteiro que é bonito, e universal. Uma situação que poderia acontecer no Brasil, na Argentina ou em Roma. A falta de tempo para as pessoas mais velhas, a falta de tempo para nos mesmos. Tempo esse ocupado sempre por trabalho, obrigações, enfim. É nesse momento que Rafael Belvedere (Ricardo Darín) se encontra. E é se vê “mortal”, quando sente o quanto frágil é a vida, que ele para e começa a dar valor a coisas mais simples, e mais importantes. Uma sinopse aparentemente “clichê”, mas muito bem realizada. O filme foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, e ganhou o Grande Prêmio de Júri e de Melhor Filme Latino Americano no Festival de Montreal.


“O Filho da Noiva” é de 2001, e dirigido por Juan José Campanella, em seu segundo filme. Apesar de ter tudo para se transformar em um filme meloso ale novela mexicana, ele se supera e nos faz rir, nos faz pensar e também faz chorar.
O cinema latino americano, como um todo tem crescido, o Argentino em especial, com diretores com Campanella, Lucrecia Martel por exemplo.

Jair Santana

“Império do Sol”, Steven Spielberg, 1987

Império do Sol

Se tiver que escolher o filme mais emocionante da minha infância, escolho “Império do Sol”. Podem falar o que for, mas o Spielberg é um ótimo diretor. Mas, em especial essa sua fase anos 80, ele realizou filmes espetaculares. “Império do Sol” por exemplo é um deles. Uma fábula, da transformação de um menino em homem. Do fraco, em forte.

O menino que mesmo nas maiores dificuldades, não para de sonhar, não pousa nunca na triste realidade da guerra. Como um de seus aviões de brinquedo, ele flutua leve em cima de tudo aquilo. Transformando a triste realidade da guerra em momentos de amizade, humanidade, doação. Spielberg fez um filme sensível, tocante, emocionante.

A fotografia do filme também é um ponto de acerto, o fotógrafo responsável por ela é o premiado Allen Daviau, responsável por fotografias como a de “Bugsy”, “A Cor Púrpura” e “ET – O Extraterrestre”.

No elenco principal encontramos Christian Bale em seu primeiro filme, o Batman de hoje, além do versatil John Malkovich e a ótima Miranda Richardson (Paris, Te amo”, “Harry Potter e o Cálice de Fogo” entre outros).

O filme concorreu a 6 Oscars e não ganhou nem um, mas levou o Globo de Ouro de melhor filme. Prêmio esse bem mais sério, ou menos comprometido com a Industria que o Oscar. Ganhou o prêmio BAFTA de melhor trilha sonora daquele ano.

A trilha é de Jonh Williams, um mestre quando se fala de trilhas sonoras. A música composta para o filme é inesquecível e na minha opinião, é uma das mais bonitas trilhas feitas pro cinema.

Tive a oportunidade de assistir “Império do Sol” no cinema quando criança, e já nessa época esse filme me tocou. E ainda hoje, não canso de assistir esse filme mesmo quando reprisado pela enésima vez na TV.

Jair Santana

“Cinema, Aspirinas e Urubús”, de Marcelo Gomes, 2005

Cinema, Aspirinas e Urubús

Enfim, vamos ao “Aspirinas, Aspirnas e Urubús”, que na minha opinião é o melhor filme sobre o sertão nordestino, desde de “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos. Com historia simplista, despretrensiosa, e com elenco PERFEITO, leia-se Peter Ketnath, João Miguel e Hermila Guedes, ótima em mais esse personagem,  com especial destaque para o delicioso personagem de João Miguel, o azêdo,  sarcásticoe e reclamão Ranulpho. Por sinal, Ranulpho é inspirado no avô de Marcelo Gomes, e motivo principal do filme.

João Miguel ganhou vários prêmios com esse personagem, entre eles o de melhor ator no Festival do Rio, na Mostra de São Paulo e no Grande Prêmio de Cinema Brasil O “Aspirinas…” na minha opinião mais que qualquer coisa, fala como a guerra afeta as pessoas, afeta nossas vidas, indepentende o quanto distantes possamos estar dela.

Não há limites para a guerra. E fora a estoria de amizade, de companheirismo, existe esse outro lado. O lado cruel da Guerra, que mesmo longe do Brasil, mesmo longe interior de Pernambuco, atinge a vida daquelas pessoas. Fazendo sim, com que o rumo de suas vidas, mudem bruscamente.

A fotografia do filme é um show a parte, responsabilidade do fotógrafo Mauro Pinheiro. Ela é árida como clima no sertão. Comparável a fotografia de “Vidas Secas”. Comparável mas não imitável. A luz estourada nos cega, como o sol do Sertão Nordestino. Casando perfeitamente com o que o filme propõe.

O roteiro é do conjunto de três roteiristas, Marcelo Gomes, Paulo Caldas e Karim Aïnouz, e é inspirado em relato de viagem de Ranulpho Gomes, avô de Marcelo. O filme foi um fracasso de público. Alguns falam que em função da ruim proposta de marketing, cartaz feio e confuso. título impopular. O que não é nem uma surpresa, levando em consideração um público de cinema como o nosso. Num público como o o brasileiro, o título do filme já afasta.”CINEMA, ASPIRINAS E URUBÚS”.

O filme ganhou o prêmio Astor de Prata de Melhor Filme Ibero-Americano, no Festival de Mar del Plata.Vencedor ainda dos prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (João Miguel), Melhor Roteiro e Melhor Fotografia, no Prêmio Contigo! de Cinema.Levou duas, indicações ao Prêmio ACIE de Cinema, nas categorias de Melhor Filme e Melhor Fotografia e ainda o prêmio do Sistema Educacional de CANNES, mas CANNES tem todo ano, um filme como esse, aparece de 10 em 10 anos por essas bandas, isso quando temos sorte.


Jair Santana

“Meu Tio Matou um Cara”, Jorge Furtado, 2005

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"Meu Tio Matou um Cara"

O melhor filme do ano? O filme mais inteligente dos ultimos tempos? Não. Nem um nem outro, mas um bom filme, uma história bem contada, boas interpretações, uma direção objetiva. Sabe quando você nota que o diretor sabe onde quer chegar. E chega. Assim é esse filme.

Filme pra assistir num domingo, cinema pipocão mesmo, mas cinema inteligente, não o cinema americano “idiotizado” que se acostumou o grande público. O filme contêm romance, policial, intriga, investigação, cotidiano familiar, sem ser um filme poluído de tramas. É sutil, é enfim, como já falei, uma historia simples e muito bem contada.

Assim são bons filme, bons livros, por mais simples que seja a historia a maneira como se conta que é a grande chave. Foi assim com William Shakespeare quando contou a simples historia de um amor proibido em “Romeu e Julieta”.

O diretor e roteirista do filme, Jorge Furtado, é um dos mais promissores diretores brasileiros, este é seu terceiro longa metragem, agora com a parceria da Globo filmes (que só distribui). Os outros dois filmes foram “Houve uma vez dois verões” e seu grande sucesso, “O homem que copiava”.

O filme é da comunhão das produtoras “Natasha Filmes” (leia-se Paula Lavigne) e da “Casa de Cinema de Porto Alegre”. Na verdade, “Meu Tio Matou um Cara”, mesmo com todas suas qualidades, é o mais fraco dos filmes de Jorge Furtado, que foi bem mais feliz nos outros dois.

 

 

No elenco temos, Darlan Cunha (Duca) um negro finalmente, e outra vez pelas mãos do Jorge Furtado, não fazendo papel de marginal e como protgonista no cinema, Dira Paes (Cléia), a atriz brasileira que mais faz cinema no pais, temos ainda Aílton Graça (Laerte), Deborah Secco (Soraya) funcional aqui, fazendo o papel dela, a gostosa. O papel pede mais corpo que atriz, Lázaro Ramos (Éder) sempre muito bom em suas interpretações, Sophia Reis (Isa) uma nova cara que se saiu muito bem.

Jorge Furtado caminha pro cinema mais difícil, e o menos valorizado pelo grande público, que é o cinema autoral. Que é o cinema de Woody Allen por exemplo, o de Frederico Felini, claro, cada um nas suas devidas proporções.

Outro ponto muito bem trabalhado no filme é sua trilha sonora. A cargo de Caetano Veloso e André Moraes. Caetano está cada vez mais presentes nas trilhas do cinema brasileiro. É verdade, muito em função de sua ex, Paula Lavigne, dona da Natasha Filmes, e também pela parceria com o Guel Arraes, que é co-roteirista do “Meu Tio Matou um Cara”. Caetano já partiu para carreira internacional em filmes do Almodovar e na produção “Eros” um longa que reune três médias,  dos diretores Steven Soderbergh (Solaris), Wong Kar-Wai (Amor à Flor da Pele) e Michelangelo Antonioni (O Eclipse).

O bom cinema brasileiro, se encontra, se identifica mais com o cinema europeu que com o americano, justamente pela liberdade de criação de nossos roteiristas e diretores. Netssa linha mais autoral temos nomes como  Jorge Furtado, Domingos de Oliveira, Heitor Dhalia, Claudio Assis entre muitos outros. Cinema autoral, ainda é realizado com frequência por aqui.

Porém, infelizmente, nosso público está mais acostumado com o contrário, por isso filmes como “Dois Filhos de Francisco”, “Sexo, Amor e Traição”, que são bem mais comerciais, lotam muito mais uma sala de cinema que “Meu Tio Matou um Cara” e “Nina” por exemplo.

Jair Santana

 

“A Fantástica Fábrica de Chocolate”, Tim Burton, 2005

A Fantástica Fábrica de Chocolate

Mais uma vez, Tim Burton, esse louco, e maravilhoso diretor faz um filme de se deliciar. Na minha opinião um dos mais vanguardistas, dos comerciais diretores americanos. Seus filmes tem em comum a “viagem” pessoal do diretor, a fotografia alucinada, a leveza, a dispretenção com a realidade …e com tudo isso, consegue-se fazer filmes que são capazes de agradar público e crítica na maioria das vezes.

Sei que a maioria não concordará, mas pela primeira vez vi um filme em que o Johnny Depp interpretou de verdade. Em particular, acho ele um ator bem mediano, limitando seus personagens a ficarem parecido com… Johnny Depp. Porém, no  filme  “Fantástica Fábrica de Cholate” ele consegue ser um Willy Wonka de verdade.

O filme ainda conta com Christopher Lee no elenco, que faz uma ponta maravilhosa. O dócio garotinho Freddie Highmore de em “Em Busca da Terra do Nunca”. O Willy Wonka de Deep teve muito do astro pop Michael Jackson. Deep mesmo confessou ter se inspirado nele. É só vêr pra crer. Os gritinhos e  a voz suave,.

Algo curioso, é que, apesar de ser uma refilmagem, o filme tem identidade própria, e não tenta ser igual ao original, não  o imita, o que é algo comum em refilmagens. Na verdade, mais que refilmagem, “A Fantástica Fábrica de Chocolate” é uma nova adapitação do livro de Roal Dahl.

Dizem que a Fábrica de Tim Burton é mais fiel al livro que a primeira versão. Não dá pra fazer muitas comparações, mesmo que algumas sejam impossíveis de se evitar. Mesmo que uma legião de fãs saudosistas queiram cair fazer críticas à nova “Fábrica”, o filme tem qualidades sim, e é acima de tudo autêntico.

Claro, temos ser realistas, as músicas, apesar de boas, não tem a mesma força das músicas da primeira versão, isso sim, com toda certeza, os saudosistas podem encher a boca e falar que a versão antiga é bem melhor. É difícil para qualquer um imaginar uma “Fantástica Fábrica de Chocolate” sem aquelas músicas  de Walter Scharf. As músicas do novo filme não fazem feio, mas, não chegam perto das primeiras.

Outra coisa que deixou a desejar da primeira para a segunda versão, foram os “oompa loompas”, que computadorizados ficaram esquisitos e frios. Sem alma, sem vida. Os primeiros também são bem melhores. As vezes o excesso de tecnologia deixa o filme mais frio do que deveria ser.

“A Fantástica Fábrica de Chocolate” de Tim Burton, é um bom filme sim. Mas não deive-se deixar de assistir a Fábrica de Mel Stuart, filmada em 1971, que talvez não seja mais, porém é tão gostosa gostosa quanto a Fábrica moderna.

Jair Santana

“Casa Vazia”, Kim Ki-Duk, 2005

Casa Vazia

Mais um filme Coreano fazendo carreira internacional e mostrando o quanto o cinema oriental tem a nos mostrar e ensinar.

A verdade é que Kim Ki-Duk não é um diretor novo. É só ficarmos atentos ao cinema no resto do mundo e não só nos EUA e na Europa, e veremos que Kim Ki-Duck um diretor que já está sendo muito respeitado e comentado no mundo inteiro, por filmes como “Primavera, Verão, Outono, Iverno… e Primavera” de 2003, onde, assim como em “Casa Vazia”, ele assina a direção e roteiro, e usa o silêncio como sua maior forma de linguagem.

Maravilhoso, sensacional, espetacular. “Casa Vazia” é um dos mais surpreendentes filmes realizado nos ultimos anos, e nos trás a premissa maior do cinema. Falar através de imagens. E realiza isso, de maneira magnífica diga-se de passagem. É incrivelmente bem feito. Sem grandiosidades, conquista pela simplicidade.

O mais curioso desse filme muito bem realizado é que Kim Ki-Duk, escreveu o roteiro de “ Casa Vazia” em apenas um mês, as filmagens ocorreram em apenas 16 dias e a edição do filme foi concluída em 10 dias.

Se usa pouco as palavras nesse filme. Se mostra mais com as ações. É tenso, as vezes revoltante, as vezes engraçado. Um filme acima de tudo sério. Que fala de amor, de relações humanas, de submissão.

O roteiro conta a historia é de um garoto que passa a invadir casas onde seus donos estão ausentes, e na casa, o garoto mora por um ou dois dias, arruma, conserta coisas quebradas na casa, depois vai embora. Com isso, em uma dessas “visitas” conhece uma mulher, e com ela  começa uma historia envolvente, e muito inteligente.

As cenas, por vezes parecem como cenas uma dança. Outra hora como poesia aos olhos. O espectador só vem a se encantar, e mesmo sem uma apresentação cordial, ou uma palavra mais descritiva, acaba por se apaixonar pelo personagem principal e sua amante.

“A Casa Vazia” é um filme que vai agradar principalmente ao amantes do bom cinema.  Que estão cansados de cinema pipoca e auto-explicativos. E vai ser recebido com estranheza por quem quer tudo demasiadamente mastigado. Pois não nos entrega tudo em mãos.

No  cinema de Kim Ki-Duk, temos que buscar mais pelas imagens e pelos signos, que pelas palavras.

Jair Santana

“Ponto Final – Match Point”, Woody Allen, 2005

"Match Point - Ponto Final"

"Match Point - Ponto Final"

“Match Point” é o primeiro filme do diretor na Inglaterra. Ele conseguiu sair do clima Manhatan sem tropeçar um pouquinho sequer. Conseguiu sair do Jazz para Ópera como o grande maestro que é. Não foi dos filmes mais baratos dele, mas perto do que costumam gastar em Hollywood, “Match Point” custou apenas 15 milhões de dólares.

Eu diria que Wood Allen é o Domingos de Oliveira do mundo, ou o Domingos é o Woody Allen local tanto faz, pois os dois fazem bons filmes, ou melhor, filmes MARAVILHOSOS sem gastar muito.

“Match Point” é o filme mais longo da carreira de Allen, nem por isso se torna cansativo ou nele se fala mais do que se precisa. É um filme no tamanho certo. É diferente de muita coisa que ele fez, alguns diriam até que é diferente de tudo que ele já fez. Não sei se chega a tanto. Sua direção é muito requintada, seus planos estudados, as músicas muito bem usadas, e nisso tudo, é muito perceptível a direção do Woody Allen de sempre.

Adoro suas comédias, mas esse drama, esse suspense, ou melhor, essa opera de Woody Allen, assim como o estilo musical que ele se propõe a usar no filme, é de nos deixar de queixo caído.

Foi o primeiro filme do diretor com Scarlett Johansson, casamento que deu super bem, posteriormente veio “Scoop – O Grande Furo” em 2006. Scarlett Johansson, além de linda, prova ser uma atriz maravilhosa. Temos ainda inglesa Emely Mortiner, como a mocinha Chloe, também caindo como uma luva para o papel, e o sóbrio e apaixonante golpista, fica a cargo de Jonathan Rhys-Meyers. Os três sob a batuta de Woody Allen estão formidáveis.

Eu colocaria “Match Point” como um dos 10 melhores filmes de diretores americanos dos últimos 10 anos, e um dos cinco melhores de Woody Allen. Ele sempre foi assim. Sempre compartilhou muito com o público.

O filme nos apresenta aquele tipo de heroi “moralmente flexivel”, um novo personagem na dramaturgia, e também, nada vida real. Não precisamente novo, mas agora assumido e descompromissado com a justiça. É o personagem, ou o indivíduo que se dá bem na vida, porque dá golpes, aceita subornos, ganha em cima detralhadores explorados e coisas do tipo. E esse é o vencedor, o “cara” que todos adimiram, esse é o grande cidadão do século XXI, estamos com exemplos aí ao nosso alcance, como o banqueiro Daniel Dantas ou Eliana Tranchesi, dona da loja Daslu, que apesar de estarem comprovadamente envolvidos com falcatruas e transações ilicitas, são ditos como vencedores e invejados por muitos, e pior, defendidos públicamento por muitos formadores de opinião.

O anti-herói, Jonathan Rhys-Meyers (Chris Wilton), em momento algum é julgado pelo diretor. Ele deixa isso para o público. Que muitas vezes torce por Jonathan, mesmo ele sendo alguem “moralmente flexivel”. Seria ele um herói moderno, ou um vilão? Você torce por ele? Ou contra ele? O filme mostra os fatos, mas quem faz a torcida é o espectador.

Jair Santana

“Crash – No limite”, de Paul Haggis (2005)

O Oscar 2006, o prêmio maior da industria de cinema dos EUA, deu seu principal prêmio ao filme menos “insdustrial” de todos. O orçamento de Crash – No Limite foi de US$ 6,5 milhões. Realizado por um pool de estúdios desconhecidos (Bull’s Eye Entertainment / DEJ Productions / Bob Yari Productions / Harris Company / Blackfriars Bridge / ApolloProScream GmbH & Co. Filmproduktion KG ) e distribuido por Distribuidora na mesma linha ( Lions Gate Films Inc. / Imagem Filmes), o filme só veio trazer a tona, que apesar de ainda conservador, o Oscar está sim tentando mudar seu perfil.

Até mesmo pra não perder mais ainda a credibilidade, já que o Oscar vem perdendo espaço pra vários Festivais de menor porte, até mesmo no próprio Estados Unidos, como Sundance, que até alguns anos atrás era totalmente desconhecido do grande público. Hoje apesar de o Festival de Sundance ainda ser conhecido como o Festival de Cinema Independente Americano, suas produções já chegam a milhões facilmente e entre os Estúdios que nele investem esta a Miramax por exemplo umas das maiores ganhadoras de Oscar’s no últimos anos.

Esse amadurecimento é visível. Filmes como “Crash’, “O segredo de Brokeback Mountain”, “Beleza Americana” jamais concorreriam ao Oscar a 10 ou 15 anos atrás…mas os velhos da Academia estão morrendo, os concervadores diminuiram, mas ainda são muitos, e o novo cinema está aparecendo. “Crash”. de Paul Haggis, mesmo roteirista de “Meninos e Lobos” e “Menina de Ouro”, outros dois filmes densos e críticos, que também receberam atenção do “Oscar”, dirige seu primeiro filme e o resultado, Crash, é surpreendentemente polêmico, inteligente, emocionante e bem realizado.

UM VIVA AOS NOVOS CINEASTAS. Não os novos cineastas americanos, ou brasileiros, mas novos conceitos, experimentos, não uma nova formula, mas uma nova maneira estrutural de se fazer cinema. O cinema social. Mais real e menos romântico.

Mas voltando a “Crash”. O filme é cercado de histórias curiosas. Sandra Bullock, por exemplo, queria tanto fazer parte do elenco que pagou ela própria sua passagem de avião para se dirigir ao set de filmagens.

“Crash” e “O segredo de Brokeback Mountain”, dois filmes que falam de TABUS, de preconceito, dividiram os principais filmes da academia. “Crash” já chega no cinema como filmes histórico, fora Wood Allen(Noivo Neurótico, Noiva Nersosa), Terrence Mallick (Além da Linha Vermelha), poucos diretores são tão cultuados pelos atores como Paul Haggis. Não estou falando respeitado e sim, CULTUADO.

O filme tem fotografia boa e funcional. Mas não grandiosa. A proposta é como se fosse imagem de uma câmera jornalística, meio suja, funcional e sem roubar a cena. Tem atores fabulosos, do tipo que lhe faz acreditar em cada personagem.

Você acredita o tempo todo no comportamento de cada um alí. Mesmo a queridinha da américa Sandra Bullock funciona. Em especial, Matt Dillon está de roubar a cena. O rumo da historia, que assim como “Menina de Ouro” e “Meninos e Lobos”, tinha tudo pra ser um dramalhão, mas não é, e nem por isso deixa de tocar as pessoas. Ele se mantem firme, emociona, mas não apela.

Paul Haggis, com a segurança de também ser o autor do roteiro, segura a direção com mão firme, e não deixa nada escapar. “Crash” tem uma decupagem limpa, muito bem realizada, tem uma misencene cuidadosamente trabalhada, uma ótima direção de atores, tudo é uma a conjunção de ótimos trabalhos, em suma, é isso que deve ser uma boa direção. Fazer com que tudo no filme dialogue.

Saí do cinema maravilhado. Me emocionei, me arrepiei, chorei, fiquei irado. Acho maravilhoso o cinema que lhe faz sentir emoções fortes. Palmas sim para a tentativa de amadurecimento do Oscar, para Paul Haggis, para a equipe do filme, para o público que se rendeu ao cinema pensante, e principalemente, para produtoras que acreditaram na chegada de um novo cineasta.

Jair Santana