“Desejo e Reparação”, Joe Wright, 2007

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Desejo e Reparação

Direção sensível, um roteiro inteligente e uma boa realização. Assim resumo o filme de Joe Wright, mesmo diretor do decepicionante “Orgulho e Preconceito”. “Desejo e Reparação” é o segundo filme e a segunda adaptação literária para o cinema dirigida por Joe Wright.

Joe Wright é um diretor londrino, acostumado a dirigir para TV que entende bem a linguagem do cinema. Em seu segundo filme, e o segundo a concorrer ao Oscar de melhor filme, ele consegue um clima denso como um grande mestre a uma trama muito bem costurada.

Com movimentos de câmera fantásticos, em especial o longo plano sequência na praia durante a guerra, em que se mostra todo desespero da guerra, a desistência dos soldados, as coisas a quais podem se apegar, os soldados destruindo tudo que se os alemães poderiam aproveitar, inclusive matando os animais, enfim, o caos da guerra. Por sinal, um plano seqüência dificílimo de se fazer, com plano aberto, muita figuração, muita movimentação, enfim….fiquei maravilhado com a perfeição da cena. É um plano para pra entrar pra historia do cinema. O fotografo é o Seamus McGarvey, que é fotografo de filmes como “As Horas” e “Alta Fidelidade”.

Levamos em conta que “Desejo e Reparação” é sim um filme pra tocar e, sim, pra fazer chorar. É água com açúcar? Bom, pode até ser, mas isso não o desmerece. Fazer com que o espectador sinta emoções é o objetivo do cinema e de quase todo tipo de arte. Mas não é um filme apelativo ou manipulador. Pelo contrario, é de uma sutiliza dos grandes mestres. Os atores estão muito bem em todos os papeis, em especial Saoirse Ronan e Vanessa Redgrave, que interpretam o mesmo papel em fases diferentes da vida. O da pivô de toda trama, Briony Tallis.

Briony Tallis acusa, sem certeza, um jovem, a qual é apaixonada, Robbie Turner , vivido por James McAvoy de estrupar sua prima Lola (Juno Temple) quando ambas tinham 13 anos em paralelo ao romance que Robbie vivia com sua irmã mais velha Cecilia Tallis, na pele da bela e óitima Keira Knightley. Essa acusação faz com que sua vida e a vida de Robbie e Ceci tenham seus destinos completamente alterado. Com o passar dos anos Briony Tallis torna-se uma famosa escritora, e vive com a culpa em suas costas.

No fim de sua vida, escreve um livro com toda a verdade. Ou pelo menos a verdade que interessa. E modifica o final. Em uma entrevista, Briony Tallis, então na pele da maravilhosa Vanessa Redgrave, joga na mesa a cruel verdade que segurou a vida toda. Sente-se culpada por separar o casal que se amava, e consequentemente da morte de ambos.

Briony Tallis está com uma doença, a qual perde a memória gradativamente, até sua morte. O que li dentro da mensagem do filme, como um grande perdão. Alguém que leva uma vida inteira com uma enorme culpa, e escreve um livro, dando o final que gostaria que tivesse, e perde a memória. Tem sim o seu perdão. Briony Tallis está se livrando do fardo. Dando perdão a si mesma.

A entrada de Vanessa Redgrave na trama é emocionante. Ela dá uma verdade para a personagem que impressiona. Apesar de ser uma aparição rápida. É fundamental ser uma atriz com a experiência que ela tem.

Outro destaque é a belíssima música de Dario Marianelli, experiente compositor de filmes como “Os Irmãos Grinn”, “V de Vingança” e “Orgulho e Preconceito”. A música entra totalmente nas ações do filme. Isso passa a clara afinidade entre o diretor e compositor. A trilha sonora do filme foi vencedora do Oscar. Na verdade, é a primeira vez, que Dario me chama atenção.

O filme tem poucos tropeços, como os clichês da risível da cena em que Robbie sai correndo atrás do ônibus que leva sua amada. Totalmente descartável essa cena. Ou ainda o final com cena de novela, do casal andando na praia. Essa um pouco  mais aceitavel. Mas logo esquecemos esses foras, com  tudo o que o filme nos trás de bom.

“Desejo e Reparação” tem um formato mais clássico, mas não menos interessante. É um filme, acima de tudo, de cinema autoral. Percebe-se a mão do diretor em tudo. Tudo está muito bem casado com o filme. A fotografia é linda mas não aparece mais que as interpretações. As interpretações são ótimas mas não tiram a atenção da música. O figurino é maravilhoso, mas não grita “OLHA COMO SOU UM FIGURINO DE ÉPOCA”. Isso tudo é sinal de uma boa direção.

Jair Santana

Ryuichi Sakamoto, Japão, 1952 –

Ryuichi Sakamoto

Ryuichi Sakamoto é sem dúvida dos mais crescentes compositores de cinema da atualidade. Claro, é um erro dizer que Sakamoto é um compositor de cinema somente. Pianista respeitado internacionalmente, Sakamoto passeia entre o erudito, o jazz, a bossa nova e o eletrônico.

Nascido no Japão em 1952, Sakamoto estudou na Universidade Nacional de Tóquio de Belas Artes e Música, onde formou-se bacharel em composição, e fez mestrado na mesma universidade, tornando-se Mestre, com ênfase em música eletrônica e música étnica. Para um compositor de trilhas pra cinema, nada mais perfeito.

Quando ainda estava no mestrado na Universidade em Tóquio, Ryuichi Sakamoto tornou-se membro da banda Yellow Magic Orchestra, juntamente com Haruomi Hosono e Yukihiro Takahashi. A banda conseguiu o topo da parada britânica com o sucesso “Firecracker” no final dos anos 70, e foram uma grande influência no surgimento de nada mais nada menos que o acid house e do movimento techno do final dos anos 80 e começo dos 90.

Em sua trajetoria fora do cinema, Sakamoto trabalhuo com nomes como Iggy Pop, DJ Dmitry (do grupo Deee-Lite), os brasileiros Caetano Veloso, Marisa Monte, além Paula e Jacques Morelenbaum.

No cinema, a carreira de Ryuichi Sakamoto não é nada discreta. Trabalhou em trilhas com diretores consagrados como Bernardo Bertolucci, Brian de Palma, Oliver Stone e Pedro Almodóvar por exemplo. Por sinal, entre outros, com Bertolicci, Sakamoto é compositor, juntamente com David Byrne e Cong Su, pela trilha de “O Ultimo Imperador”, um dos filmes que mais ganhou Oscars na historia do cinema. E claro, vencedor do Oscar de melhor trilha sonora.

Ryuichi Sakamoto e orquestra, apresentando o tema de “O Ultimo Imperador”;

Além de “O Ultimo Imperador”, Sakamoto é compositor também das trilas de filmes como “O Pequeno Buda” e “O Céu que nos Protege”, de Bertolucci, “Olhos de Serpente” e “Femme Fatalle” de Brian de Paula, “Tabu” do diretor japonês Nagisa Oshima, “De Sato Alto” de Pedro Almodóvar, entre outros inúmeros filmes. Ao todo, Sakamoto é responsável por mais de 20 filmes de cinema, além de suas músicas sempre aparecerem em filmes onde ele não é o responsável pela trilha, como em “Babel” onde podemos escutar “Bibo no Ozora” uma de suas mais lindas composições.

Com essa sabedoria, sensibilidade e dominação musical, que como já citei, vai do erudito ao eletrônico, Sakamoto torna-se hoje, dos compositores mais versáteis e completos para o cinema, e não se resume somente a isso. “Compositor de trilhas”. Se é que se pode usar a palavra “resumir” quando falamos de um compositor somente de trilhas de cinema.

Jair Santana

“Império dos Sonhos”, David Lynch, 2006

É muito dificil falar desse filme sem contextualizar um pouco de quem é o diretor. Sem falar um pouco além do próprio filme….mas vamos lá.

“Império dos Sonhos” é mais que um filme. É uma experiência, como a maioria dos filmes de David Lynch, que nos convida a entrar num mundo de “sonhos” mesmo…desses sem lógica ou explicações palpáveis. Aí meu camarada, ou você entra e sonha com ele, ou você fica achando que está num pesadelo, principalmente se é daqueles que  acha que tudo tem que ter um inicio, meio e fim altamente explicativo.

Diferente da maioria dos filmes do cinema novo, onde os filmes eram experimentações infundadas, impíricas, e vazias (na minha humilde opinão claro), David Lynch é muito mais que um cineasta. É um artista completo. É artista plástico, videoartista, cineasta, performer, músico.

Na sua juventude, deixou tudo para trás  nos E.U.A  onde nasceu e foi a europa ter aulas de pintura com o pintor experssionista Oskar Kokoschka. De lá pra cá, só tem somado tudo que aprendeu ao cinema. David Lynch é cinema de referências, e seu cinema, se torna referência. Ou melhor, sua arte se torna referência.

Não atoa, seu seriado “Twin Peaks”, abriu as portas para seriados como “Arquivo X”, “Lost” e “Desparate Housewives”, alguns dos seriados de maior sucessos nas duas ultimas décadas.

Voltando a “Império dos Sonhos”. O filme tem um elenco maravilhoso. As belas Naomi Wats, Julia Ormond, Nastassja Kinski, o ótimo e esquisito William H. Macy, o espetacular Jeremy Irons, e Laura Dern, com sua curiosa trajetoria no cinema, indo de “Veludo Azul” a “Jurassic Park”.

O filme apresenta duas coisas que me incomodam. A fotografia as vezes borradas, confusa, enfim, esse é o primeiro filme do David Lynch totalmente em formato digital, e na minha opinião, o digital não deu certo pra ele. Além disso o tempo de duração. Com 3 horas de filme, mas poderia ter bem menos. Uma hora pelo menos. Acho que ficou uma “barriga”. Mas como falei, “Império dos Sonhos” é mais que um filme. De repente nem poderia ser classificado como simplesmente um filme. Ou pro mal, ou para o bem.

Para se ter uma ideia da polêmica do filme, em seu lançamento no Festival de Veneza, numa entrevista após a exibição, um jornalista italiano, chegou a lhe perguntar se o diretor estava se sentindo bem mentalmente. Um outro jornalista na mesma entrevista gritou “ele está pronto pra vestir uma camisa de força”. Lynh apenas se limitou a responder que estava muito bem. E do filme, falou apenas que o filme fala de uma mulher com problemas.

Não é um filme fácil. Não é acessivel a qualquer um. É preciso se distanciar do cinemão pra gostar de David Lynch. É preciso saber, que o cinema não é somente o retrato de nossa realidade ou mesmo a tentativa de retratar. É preciso querer uma experiência com talvez, um novo tipo de arte.

Dos cineastas contemporâneos, David Lynch é mais impactante de todos, essa sua forma de se relacionar com o palpável e o não-palpável, seu mistério, o estranho a violência implicita perduram além de suas projeções. Por isso também seus filmes são tão esperados por cinéfilos de todo o mundo.

Como um sonho, “Imperio dos Sonhos” é confuso. Como Lynch mesmo falou em uma entrevista. O filme foi o resultado de uma série de exercicíos de imagens que ele não essperava desenhar como um filme. E que no final, acabou como um filme. Apesar de todos os problemas claros do filme já citados. Vale a pena acompanhar a trajetoria de David Lynch.

Tá afim de algo que vai fazer você quebrar a cabeça? Se fazer perguntas sobre oque está vendo? Esta afim de ter uma experiência cinematografica realmente de vanguarda? De assistir um dos mais completos artistas do nosso tempo? De ver que o cinema não precisa de um incio ou um fim, como nos sonhos? Ou mesmo de repente, comprovar que cinema precisa sim de um inicio e fim? Ta afim e sonhar?

Assista “Império dos Sonhos”…ou melhor, assista David Lynch

Jair Santana

“O Gangster”, Ridley Scott, 2007

“O Gangster”, novo filme de Ridley Scott, já chega ao cinema como um novo clássico do gênero. Scott conseguiu fazer um novo filme de gansters realmente. Ok, ok, Scorsese é o mestre de todos com seu “O Poderoso Chefão”, mas Ridley Scott trás um sopro novo ao estilo.

Eu já diria que “O Gangster” foi o grande injustiçado do Oscar 2008. Tem direção segura, e interpretações memoráveis de Denzel Washington e Russell Crowe. Princialmente de Denzel Washington, que com toda certeza deveria estar pelo menos entre os concorrentes de melhor ator. Além da fotografia, trilha sonora, etc…

O filme mais que um simples gangster, apresenta um “empresário” do crime realmente. No inicio do filme, Denzel, ou melhor, Franck Lucas perde seu chefe e amigo. Que até então era o chefe do tráfico no Harlem. Chefe este, que lhe explica todo processo da droga que vende, e dá a dica de ouro do filme. “Passar por cima dos atravessadores.” Em cima desse conceito, Franck Lucas constroi um império. Transformando sua droga em uma marca. A “Blue Magic”, e se torna um milhionário empreendedor, digo, traficante. Um dos mais poderosos de Nova York.

“O Gangster” é o filme indicado por várias universidades americanas de marketing atualmente. Não para se estudar a venda de drogas. Mas a forma que o mercado foi conquistado e o fortalecimento da marca. Não é um filme tradicional de máfia. Apesar de toda essência estar alí. A coorporação familiar, a competição, a violência. Franck Lucas não simplesmente elimina o concorrente. Ele nem mesmo os afronta. Ele simplesmente oferece o melhor produto.

Sinceramente, mesmo sendo um vilão frio, calculista, ao mesmo tempo tem um riquesa muito grande de humanidade. Como a preocupação com a familia, a fidelidade com as pessoas que gosta, como a mulher que escolheu pra casar por exemplo. O espectador acaba por criar uma empatia com esse vilão. O que é essêncial para o bom andamento do filme. E apesar de saber que ele dev ser punido. Chega-se (eu cheguei) a torcer para ele se sair bem no final.

A fotografia, a palheta de cor azulada e acinzantada do filme, trazem algo frio e sombrio. A fotografia de Harris Savides por sinal, faz referências ao filmes realizados na década de 70 como “Scarface”. Como o mundo que cerca Franck Lucas. A música de Marc Streitenfeld é belísima. Esse é apenas o segundo filme de Marc Streitenfeld como compositor. O primeiro foi “Um bom ano” também de Ridley Scott.

Infelizmente, como que uma consolação, “O Gangster” entra no Oscar concorrendo ao prêmio de melhor direção de arte, e atriz coadjuvante. Sinceramente, Ruby Dee como Mama Lucas está boa. Mas nada que mereça prêmio. Jà a direção de arte é mesmo maravilhosa.

“O Gangster” é mais um clássico do gênero, para ter nas prateleiras futuramente. Como “Scarfece”, “O Poderoso Chefão I, II e III” e “Os Bons Companheiros”, além claro do “Era uma vez na América”. É também um filme para não se perder a oportunidade de assistir, e se possível, nos cinemas.

Jair Santana

“Guerra dos Mundos”, Steven Spielberg, 2005

Guerra dos Mundos

Guerra dos Mundos

Segunda adaptação para o cinema do livro de H.G. Wells, a primeira é de 53, do diretor Byron Haskin. Teve ainda uma adapitação para a TV, mas sem grande expressão.

O romance é do início do século, foi apresentado fora da literatura pela primeira vez pelas mãos de Orson Wells, através de uma novela de rádio. Wells foi convidado a realizar um filme a partir do romance, mas recusou. Alfred Hitchcock chegou a começar a produção mais desistiu. Esse é um romance que a tempos vem sendo aprecidado por grandes diretores. Em nossos tempos foi cair na mão do maior diretor “pop” do cinema mundial, que é Steven Spielberg.

Spielberg faz um filme de mestre ao que ele se propõe. O filme dá medo. Muito medo. Algo que me chamou muito atenção foram os efeitos sonoros. O som de anunciação dos andarilhos extraterrestres é assustador. Spielberg é mestre em grandes cenas de catástrofes. É dele por exemplo a cena de maior número de figurantes da historia do cinema, que é em “O Império do Sol” de 1987, no qual o diretor usou nada mais nada menos que 30.000 figurantes.

Em “Guerra dos Mundos” as cenas de desespero, de luta pela sobrevivência são dramáticas e espetaculares. O elenco principal está bem. Tom Cruise recebeu o “prêmio” Framboesa de Ouro como pior ator, mas discordo que esse seja seu pior trabalho. Dakota Fanning, que interpreta sua filha, faz um ótimo trabalho. Queria saber, o que o diretor ou o preparador de atores falava para aquela garotinha fazer aquele rosto de pânico. Com o filme, Dakota recebeu a sua segunda indicação ao MTV Movie Awards de Melhor Performance Assustada, a primeira por “O Amigo Oculto” (2004), e posteriormente “Guerra dos Mundos” (2005). Venceu por “O Amigo Oculto”. Aliais Dakota Fanning aos 8 anos se tornou a mais jovem indicada ao Screen Actors Guild Award, por sua atuação em “Uma Lição de Amor” (2001).

Outro destaque do filme é a atuação de Tim Robins, como o solitário Ogilvy, que aparece no meio do filme, para representar o alge da loucura e do desespero humano por tudo que se esta passando a humanidade. Nos fazendo chegar a extremos. Tim Robins rouba a cena e deixa Tom Cruise apagado. Curiosa também a presença do casal Daniel Franzese e Ann Robinson, que fazem os pais da ex mulher de Tom Cruise. O casal foi o protagonista da versão de“A Guerra dos Mundos” de 53.

Muitos reclamam de certa ingenuidade do roteiro. Sim, pode realmente ter essa ingenuidade, mas vamos convir que o romance original é do inicio do século passado. E sinceramente, acho muito interessante a saída para o final da historia. Simples. Nada mirabolante. Acho que aí está o mais interessante.

Apesar de toda grandiosidade, e da experiência de Spielberg nesse gênero. Em algumas horas, o cenário ficva com cara de estúdio, e isso me incomoda. Principalmente as cenas finais, onde os campos estão coberto de sangue. Ficou tudo muito artificial. As cenas iniciais, onde aparece o primeiro andarilho e as cenas da balsa, são antológicas. Mas infelizmente, deixa a desejar no final da trama.

A música, apesar de ser do mestre John Willians, não marca. É super funcional diegéticamente falando. Forte, dá ritimo a cenas, mas você sai do filme e não lembra da música, ao contrario do que acontece em várias trilhas de Willians.

Muito se fala da analogia de que o filme chega no momento em que os EUA não querem a chegada de “gente nova” em seu território. Comparam os ETs assustadores a terroristas. E lembram da fase dos extraterrestres amigos de Spielberg como “E.T.” e “Contatos Imediatos”. Não concordo com essa leitura. O roteiro é antigo. E abertamente, Spielberg briga pra filmar esse roteiro a pelo menos 10 anos.

O filme é uma boa diversão. E cumpre com que Spielberg promete. Tensão o tempo todo. Emoções fortes. Medo, pavor, bons sustos, bons efeitos visuais. E podemos ver um outro lado, o quanto a humanidade é fraca. Tão fraca quanto os Ets do filme. Que morrem em função de um vírus.

Sinceramente, pra mim, não é surpresa Spielberg cumprir com o que propõe. Ele erra muito pouco. Foi o diretor que criou o blockbuster no cinema,  com o filme “Tubarão” e tirou o cinema americano de uma  enorme recessão. Foi Spielberg que mudou a forma de vermos cinema. Graças a ele, o cinema de hoje tem um som maravilhoso, tem uma tela maior e arrasta multidões para sala escura. Enfim, Spielberg é um diretor apaixonado por cinema popular. Mas, pelo bom cinema popular.

Jair Santana

“Minha Mãe Gosta de Mulher”, Daniela Fejerman e Inés París, 2002

A Espanha vem apresentando cada vez mais bons filmes, e vem provando que nem só de Almodovar vive o cinema Espanhol.

Esse filme, das diretoras estreantes Daniela Fejerman e Inés París é de 2002 e só chegou ao Brasil em 2005, passando em poucas salas, mas fazendo relativo sucesso de público.

O filme conta a historia de uma mãe de familia, divorciada do marido, que apresenta o novo amor a suas filhas, já adultas, no dia do seu aniversário. Uma mulher. A partir daí a trama se desenvolve de maneira inteligente, sutil, engraçada, mas colocando situações sérias ao mesmo tempo.

Não é uma comédia como “A Vida é Bela” que brinca sarcásticamente com um assunto sério, “Minha Mãe Gosta de Mulher” trata de assuntos sérios, como preconceito, homossexualidade, familia, de maneira séria, porém leve.

Além de bom roteiro, assinado pelas diretoras do filme, Daniela Fejerman e Inés Paris, o filme tem uma fotografia, de David Omedes, altamente encaixada dentro da proposta do filmel, sai da estética hollywoodiana da fotografia “certinha” demais. É uma fotografia que nos aproxima da realidade. Não suja, mas discreta, onde, deixando claro que o mais importante é você embarcar na historia em si, além de uma trilha sonora que nos faz ficar até o ultimo minuto no cinema, nem que seja porque é divertida.

O filme, apesar de orçamento baixo e de distribuição fraca, concorreu a vários prêmios. Recebeu 3 indicações ao Goya, nas seguintes categorias: Melhor Atriz (Leonor Watling), Melhor Diretor Novato e Melhor Trilha Sonora. Ganhou o prêmio de Melhor Atriz (Leonor Watling), no Festival de Cartagena. Ganhou o Prêmio do Público e o de Melhor Atriz (Leonor Watling), no Festival Hispânico de Miami. Ou seja, tem feito sucesso, além de público, tambem de crítica.

Jair Santana

“Quase Todas as Mulheres do Mundo”, Jair Santana, 2005

 

Sinopse
Homem frustrado, por achar todas as mulheres que encontra iguais, ao mesmo tempo em que tenta se desligar da mãe, encontra pela primeira vez uma mulher que acha diferente de todas, e não consegue pensar mais em nem uma outra.

Elenco
Tatjana Vereza, Mauricio Rizzo e Rebeca Falcone
E com uma participação mais que especial da Renata Sorrah, empresantando sua voz a uma personagem.

Quase Todas as Mulheres do Mundo

Quase Todas as Mulheres do Mundo

 

 

Histórico
O curta foi produzido e gravado em 2005, através da Darcy Ribeiro. É primeiro trabalho de direção. Teve orientação em todos os passos do Walter Lima Jr que foi meu professor de direção cinematográfica. Foi apresentado pela primeira vez em Belém no Curta Pará, e participou também dos Festivais de Teresina, Mostra Mercado do Festival do Rio, Festival de Maringá de 2007 e também participou do Festival Curta a Noite no RJ onde ganhou melhor curta segundo opinião do Juri.

Depois desse curta, foi formado um grupo de realização. O coletivo “Sobretudo Filmes”, um grupo de amigos, que afim de produzir curtas, cada um na sua área, para isso, uniram forças para conseguir fazer seus curtas mesmo que sem patrocinio. Até mesmo porque qualquer edital pergunta oque vc já fez.

O grupo tem como “padrinhos”, a Dira Paes e o Domingos Oliveira, que são pessoas que abriram as portas pro grupo, e ajudam no que for preciso, seja uma indicação de atores, a ajudarem com os apoios etc..

OBS: Todos os profissionais envolvidos no filme, doaram seu trabalho, para que o curta pudesse ser realizado. Niguem recebeu nem uma ajuda financeira por seu trabalho.

 

Ficha Técnica

Roteiro : Marcus Santos
Diretor : Jair Santana
Produção : Priscila Manini
Ass. De Produção : Marcelo Andrade
Platô : Fernando Dilton
Técnico de Som : Aloysio Compasso
Microfonista : Marcelo
Direção de Arte : Paulo Samartino e Danielle Martins
Figurino : Tarliza Carneiro
Assis. De Figurino : Taise Viegas
Maquiagem : Carlos Borges
Diretor de Fotografia : Pedro Dumans
Câmera : Rodrigo Graciosa
Continuidade : Janeci
Música : Ricardo Góes
Montagem : Fábio de Melo
Cartaz: Samia Batista
Story Board: João Felipe (Zorro) e Rafael Goes

Premições e Festivais:
Festival de Cinema de Teresina,
III Mostra Curta Pará Cine-Brasil,
Mostra Mercado Festival do Rio
III Festival de Cinema de Maringa
Prêmio de Melhor Curta no I Festival Curta a Noite no Rio de Janeiro