“Desejo e Reparação”, Joe Wright, 2007

atonement1

Desejo e Reparação

Direção sensível, um roteiro inteligente e uma boa realização. Assim resumo o filme de Joe Wright, mesmo diretor do decepicionante “Orgulho e Preconceito”. “Desejo e Reparação” é o segundo filme e a segunda adaptação literária para o cinema dirigida por Joe Wright.

Joe Wright é um diretor londrino, acostumado a dirigir para TV que entende bem a linguagem do cinema. Em seu segundo filme, e o segundo a concorrer ao Oscar de melhor filme, ele consegue um clima denso como um grande mestre a uma trama muito bem costurada.

Com movimentos de câmera fantásticos, em especial o longo plano sequência na praia durante a guerra, em que se mostra todo desespero da guerra, a desistência dos soldados, as coisas a quais podem se apegar, os soldados destruindo tudo que se os alemães poderiam aproveitar, inclusive matando os animais, enfim, o caos da guerra. Por sinal, um plano seqüência dificílimo de se fazer, com plano aberto, muita figuração, muita movimentação, enfim….fiquei maravilhado com a perfeição da cena. É um plano para pra entrar pra historia do cinema. O fotografo é o Seamus McGarvey, que é fotografo de filmes como “As Horas” e “Alta Fidelidade”.

Levamos em conta que “Desejo e Reparação” é sim um filme pra tocar e, sim, pra fazer chorar. É água com açúcar? Bom, pode até ser, mas isso não o desmerece. Fazer com que o espectador sinta emoções é o objetivo do cinema e de quase todo tipo de arte. Mas não é um filme apelativo ou manipulador. Pelo contrario, é de uma sutiliza dos grandes mestres. Os atores estão muito bem em todos os papeis, em especial Saoirse Ronan e Vanessa Redgrave, que interpretam o mesmo papel em fases diferentes da vida. O da pivô de toda trama, Briony Tallis.

Briony Tallis acusa, sem certeza, um jovem, a qual é apaixonada, Robbie Turner , vivido por James McAvoy de estrupar sua prima Lola (Juno Temple) quando ambas tinham 13 anos em paralelo ao romance que Robbie vivia com sua irmã mais velha Cecilia Tallis, na pele da bela e óitima Keira Knightley. Essa acusação faz com que sua vida e a vida de Robbie e Ceci tenham seus destinos completamente alterado. Com o passar dos anos Briony Tallis torna-se uma famosa escritora, e vive com a culpa em suas costas.

No fim de sua vida, escreve um livro com toda a verdade. Ou pelo menos a verdade que interessa. E modifica o final. Em uma entrevista, Briony Tallis, então na pele da maravilhosa Vanessa Redgrave, joga na mesa a cruel verdade que segurou a vida toda. Sente-se culpada por separar o casal que se amava, e consequentemente da morte de ambos.

Briony Tallis está com uma doença, a qual perde a memória gradativamente, até sua morte. O que li dentro da mensagem do filme, como um grande perdão. Alguém que leva uma vida inteira com uma enorme culpa, e escreve um livro, dando o final que gostaria que tivesse, e perde a memória. Tem sim o seu perdão. Briony Tallis está se livrando do fardo. Dando perdão a si mesma.

A entrada de Vanessa Redgrave na trama é emocionante. Ela dá uma verdade para a personagem que impressiona. Apesar de ser uma aparição rápida. É fundamental ser uma atriz com a experiência que ela tem.

Outro destaque é a belíssima música de Dario Marianelli, experiente compositor de filmes como “Os Irmãos Grinn”, “V de Vingança” e “Orgulho e Preconceito”. A música entra totalmente nas ações do filme. Isso passa a clara afinidade entre o diretor e compositor. A trilha sonora do filme foi vencedora do Oscar. Na verdade, é a primeira vez, que Dario me chama atenção.

O filme tem poucos tropeços, como os clichês da risível da cena em que Robbie sai correndo atrás do ônibus que leva sua amada. Totalmente descartável essa cena. Ou ainda o final com cena de novela, do casal andando na praia. Essa um pouco  mais aceitavel. Mas logo esquecemos esses foras, com  tudo o que o filme nos trás de bom.

“Desejo e Reparação” tem um formato mais clássico, mas não menos interessante. É um filme, acima de tudo, de cinema autoral. Percebe-se a mão do diretor em tudo. Tudo está muito bem casado com o filme. A fotografia é linda mas não aparece mais que as interpretações. As interpretações são ótimas mas não tiram a atenção da música. O figurino é maravilhoso, mas não grita “OLHA COMO SOU UM FIGURINO DE ÉPOCA”. Isso tudo é sinal de uma boa direção.

Jair Santana

Ryuichi Sakamoto, Japão, 1952 –

Ryuichi Sakamoto

Ryuichi Sakamoto é sem dúvida dos mais crescentes compositores de cinema da atualidade. Claro, é um erro dizer que Sakamoto é um compositor de cinema somente. Pianista respeitado internacionalmente, Sakamoto passeia entre o erudito, o jazz, a bossa nova e o eletrônico.

Nascido no Japão em 1952, Sakamoto estudou na Universidade Nacional de Tóquio de Belas Artes e Música, onde formou-se bacharel em composição, e fez mestrado na mesma universidade, tornando-se Mestre, com ênfase em música eletrônica e música étnica. Para um compositor de trilhas pra cinema, nada mais perfeito.

Quando ainda estava no mestrado na Universidade em Tóquio, Ryuichi Sakamoto tornou-se membro da banda Yellow Magic Orchestra, juntamente com Haruomi Hosono e Yukihiro Takahashi. A banda conseguiu o topo da parada britânica com o sucesso “Firecracker” no final dos anos 70, e foram uma grande influência no surgimento de nada mais nada menos que o acid house e do movimento techno do final dos anos 80 e começo dos 90.

Em sua trajetoria fora do cinema, Sakamoto trabalhuo com nomes como Iggy Pop, DJ Dmitry (do grupo Deee-Lite), os brasileiros Caetano Veloso, Marisa Monte, além Paula e Jacques Morelenbaum.

No cinema, a carreira de Ryuichi Sakamoto não é nada discreta. Trabalhou em trilhas com diretores consagrados como Bernardo Bertolucci, Brian de Palma, Oliver Stone e Pedro Almodóvar por exemplo. Por sinal, entre outros, com Bertolicci, Sakamoto é compositor, juntamente com David Byrne e Cong Su, pela trilha de “O Ultimo Imperador”, um dos filmes que mais ganhou Oscars na historia do cinema. E claro, vencedor do Oscar de melhor trilha sonora.

Ryuichi Sakamoto e orquestra, apresentando o tema de “O Ultimo Imperador”;

Além de “O Ultimo Imperador”, Sakamoto é compositor também das trilas de filmes como “O Pequeno Buda” e “O Céu que nos Protege”, de Bertolucci, “Olhos de Serpente” e “Femme Fatalle” de Brian de Paula, “Tabu” do diretor japonês Nagisa Oshima, “De Sato Alto” de Pedro Almodóvar, entre outros inúmeros filmes. Ao todo, Sakamoto é responsável por mais de 20 filmes de cinema, além de suas músicas sempre aparecerem em filmes onde ele não é o responsável pela trilha, como em “Babel” onde podemos escutar “Bibo no Ozora” uma de suas mais lindas composições.

Com essa sabedoria, sensibilidade e dominação musical, que como já citei, vai do erudito ao eletrônico, Sakamoto torna-se hoje, dos compositores mais versáteis e completos para o cinema, e não se resume somente a isso. “Compositor de trilhas”. Se é que se pode usar a palavra “resumir” quando falamos de um compositor somente de trilhas de cinema.

Jair Santana

“Império dos Sonhos”, David Lynch, 2006

É muito dificil falar desse filme sem contextualizar um pouco de quem é o diretor. Sem falar um pouco além do próprio filme….mas vamos lá.

“Império dos Sonhos” é mais que um filme. É uma experiência, como a maioria dos filmes de David Lynch, que nos convida a entrar num mundo de “sonhos” mesmo…desses sem lógica ou explicações palpáveis. Aí meu camarada, ou você entra e sonha com ele, ou você fica achando que está num pesadelo, principalmente se é daqueles que  acha que tudo tem que ter um inicio, meio e fim altamente explicativo.

Diferente da maioria dos filmes do cinema novo, onde os filmes eram experimentações infundadas, impíricas, e vazias (na minha humilde opinão claro), David Lynch é muito mais que um cineasta. É um artista completo. É artista plástico, videoartista, cineasta, performer, músico.

Na sua juventude, deixou tudo para trás  nos E.U.A  onde nasceu e foi a europa ter aulas de pintura com o pintor experssionista Oskar Kokoschka. De lá pra cá, só tem somado tudo que aprendeu ao cinema. David Lynch é cinema de referências, e seu cinema, se torna referência. Ou melhor, sua arte se torna referência.

Não atoa, seu seriado “Twin Peaks”, abriu as portas para seriados como “Arquivo X”, “Lost” e “Desparate Housewives”, alguns dos seriados de maior sucessos nas duas ultimas décadas.

Voltando a “Império dos Sonhos”. O filme tem um elenco maravilhoso. As belas Naomi Wats, Julia Ormond, Nastassja Kinski, o ótimo e esquisito William H. Macy, o espetacular Jeremy Irons, e Laura Dern, com sua curiosa trajetoria no cinema, indo de “Veludo Azul” a “Jurassic Park”.

O filme apresenta duas coisas que me incomodam. A fotografia as vezes borradas, confusa, enfim, esse é o primeiro filme do David Lynch totalmente em formato digital, e na minha opinião, o digital não deu certo pra ele. Além disso o tempo de duração. Com 3 horas de filme, mas poderia ter bem menos. Uma hora pelo menos. Acho que ficou uma “barriga”. Mas como falei, “Império dos Sonhos” é mais que um filme. De repente nem poderia ser classificado como simplesmente um filme. Ou pro mal, ou para o bem.

Para se ter uma ideia da polêmica do filme, em seu lançamento no Festival de Veneza, numa entrevista após a exibição, um jornalista italiano, chegou a lhe perguntar se o diretor estava se sentindo bem mentalmente. Um outro jornalista na mesma entrevista gritou “ele está pronto pra vestir uma camisa de força”. Lynh apenas se limitou a responder que estava muito bem. E do filme, falou apenas que o filme fala de uma mulher com problemas.

Não é um filme fácil. Não é acessivel a qualquer um. É preciso se distanciar do cinemão pra gostar de David Lynch. É preciso saber, que o cinema não é somente o retrato de nossa realidade ou mesmo a tentativa de retratar. É preciso querer uma experiência com talvez, um novo tipo de arte.

Dos cineastas contemporâneos, David Lynch é mais impactante de todos, essa sua forma de se relacionar com o palpável e o não-palpável, seu mistério, o estranho a violência implicita perduram além de suas projeções. Por isso também seus filmes são tão esperados por cinéfilos de todo o mundo.

Como um sonho, “Imperio dos Sonhos” é confuso. Como Lynch mesmo falou em uma entrevista. O filme foi o resultado de uma série de exercicíos de imagens que ele não essperava desenhar como um filme. E que no final, acabou como um filme. Apesar de todos os problemas claros do filme já citados. Vale a pena acompanhar a trajetoria de David Lynch.

Tá afim de algo que vai fazer você quebrar a cabeça? Se fazer perguntas sobre oque está vendo? Esta afim de ter uma experiência cinematografica realmente de vanguarda? De assistir um dos mais completos artistas do nosso tempo? De ver que o cinema não precisa de um incio ou um fim, como nos sonhos? Ou mesmo de repente, comprovar que cinema precisa sim de um inicio e fim? Ta afim e sonhar?

Assista “Império dos Sonhos”…ou melhor, assista David Lynch

Jair Santana

“O Gangster”, Ridley Scott, 2007

“O Gangster”, novo filme de Ridley Scott, já chega ao cinema como um novo clássico do gênero. Scott conseguiu fazer um novo filme de gansters realmente. Ok, ok, Scorsese é o mestre de todos com seu “O Poderoso Chefão”, mas Ridley Scott trás um sopro novo ao estilo.

Eu já diria que “O Gangster” foi o grande injustiçado do Oscar 2008. Tem direção segura, e interpretações memoráveis de Denzel Washington e Russell Crowe. Princialmente de Denzel Washington, que com toda certeza deveria estar pelo menos entre os concorrentes de melhor ator. Além da fotografia, trilha sonora, etc…

O filme mais que um simples gangster, apresenta um “empresário” do crime realmente. No inicio do filme, Denzel, ou melhor, Franck Lucas perde seu chefe e amigo. Que até então era o chefe do tráfico no Harlem. Chefe este, que lhe explica todo processo da droga que vende, e dá a dica de ouro do filme. “Passar por cima dos atravessadores.” Em cima desse conceito, Franck Lucas constroi um império. Transformando sua droga em uma marca. A “Blue Magic”, e se torna um milhionário empreendedor, digo, traficante. Um dos mais poderosos de Nova York.

“O Gangster” é o filme indicado por várias universidades americanas de marketing atualmente. Não para se estudar a venda de drogas. Mas a forma que o mercado foi conquistado e o fortalecimento da marca. Não é um filme tradicional de máfia. Apesar de toda essência estar alí. A coorporação familiar, a competição, a violência. Franck Lucas não simplesmente elimina o concorrente. Ele nem mesmo os afronta. Ele simplesmente oferece o melhor produto.

Sinceramente, mesmo sendo um vilão frio, calculista, ao mesmo tempo tem um riquesa muito grande de humanidade. Como a preocupação com a familia, a fidelidade com as pessoas que gosta, como a mulher que escolheu pra casar por exemplo. O espectador acaba por criar uma empatia com esse vilão. O que é essêncial para o bom andamento do filme. E apesar de saber que ele dev ser punido. Chega-se (eu cheguei) a torcer para ele se sair bem no final.

A fotografia, a palheta de cor azulada e acinzantada do filme, trazem algo frio e sombrio. A fotografia de Harris Savides por sinal, faz referências ao filmes realizados na década de 70 como “Scarface”. Como o mundo que cerca Franck Lucas. A música de Marc Streitenfeld é belísima. Esse é apenas o segundo filme de Marc Streitenfeld como compositor. O primeiro foi “Um bom ano” também de Ridley Scott.

Infelizmente, como que uma consolação, “O Gangster” entra no Oscar concorrendo ao prêmio de melhor direção de arte, e atriz coadjuvante. Sinceramente, Ruby Dee como Mama Lucas está boa. Mas nada que mereça prêmio. Jà a direção de arte é mesmo maravilhosa.

“O Gangster” é mais um clássico do gênero, para ter nas prateleiras futuramente. Como “Scarfece”, “O Poderoso Chefão I, II e III” e “Os Bons Companheiros”, além claro do “Era uma vez na América”. É também um filme para não se perder a oportunidade de assistir, e se possível, nos cinemas.

Jair Santana

“Guerra dos Mundos”, Steven Spielberg, 2005

Guerra dos Mundos

Guerra dos Mundos

Segunda adaptação para o cinema do livro de H.G. Wells, a primeira é de 53, do diretor Byron Haskin. Teve ainda uma adapitação para a TV, mas sem grande expressão.

O romance é do início do século, foi apresentado fora da literatura pela primeira vez pelas mãos de Orson Wells, através de uma novela de rádio. Wells foi convidado a realizar um filme a partir do romance, mas recusou. Alfred Hitchcock chegou a começar a produção mais desistiu. Esse é um romance que a tempos vem sendo aprecidado por grandes diretores. Em nossos tempos foi cair na mão do maior diretor “pop” do cinema mundial, que é Steven Spielberg.

Spielberg faz um filme de mestre ao que ele se propõe. O filme dá medo. Muito medo. Algo que me chamou muito atenção foram os efeitos sonoros. O som de anunciação dos andarilhos extraterrestres é assustador. Spielberg é mestre em grandes cenas de catástrofes. É dele por exemplo a cena de maior número de figurantes da historia do cinema, que é em “O Império do Sol” de 1987, no qual o diretor usou nada mais nada menos que 30.000 figurantes.

Em “Guerra dos Mundos” as cenas de desespero, de luta pela sobrevivência são dramáticas e espetaculares. O elenco principal está bem. Tom Cruise recebeu o “prêmio” Framboesa de Ouro como pior ator, mas discordo que esse seja seu pior trabalho. Dakota Fanning, que interpreta sua filha, faz um ótimo trabalho. Queria saber, o que o diretor ou o preparador de atores falava para aquela garotinha fazer aquele rosto de pânico. Com o filme, Dakota recebeu a sua segunda indicação ao MTV Movie Awards de Melhor Performance Assustada, a primeira por “O Amigo Oculto” (2004), e posteriormente “Guerra dos Mundos” (2005). Venceu por “O Amigo Oculto”. Aliais Dakota Fanning aos 8 anos se tornou a mais jovem indicada ao Screen Actors Guild Award, por sua atuação em “Uma Lição de Amor” (2001).

Outro destaque do filme é a atuação de Tim Robins, como o solitário Ogilvy, que aparece no meio do filme, para representar o alge da loucura e do desespero humano por tudo que se esta passando a humanidade. Nos fazendo chegar a extremos. Tim Robins rouba a cena e deixa Tom Cruise apagado. Curiosa também a presença do casal Daniel Franzese e Ann Robinson, que fazem os pais da ex mulher de Tom Cruise. O casal foi o protagonista da versão de“A Guerra dos Mundos” de 53.

Muitos reclamam de certa ingenuidade do roteiro. Sim, pode realmente ter essa ingenuidade, mas vamos convir que o romance original é do inicio do século passado. E sinceramente, acho muito interessante a saída para o final da historia. Simples. Nada mirabolante. Acho que aí está o mais interessante.

Apesar de toda grandiosidade, e da experiência de Spielberg nesse gênero. Em algumas horas, o cenário ficva com cara de estúdio, e isso me incomoda. Principalmente as cenas finais, onde os campos estão coberto de sangue. Ficou tudo muito artificial. As cenas iniciais, onde aparece o primeiro andarilho e as cenas da balsa, são antológicas. Mas infelizmente, deixa a desejar no final da trama.

A música, apesar de ser do mestre John Willians, não marca. É super funcional diegéticamente falando. Forte, dá ritimo a cenas, mas você sai do filme e não lembra da música, ao contrario do que acontece em várias trilhas de Willians.

Muito se fala da analogia de que o filme chega no momento em que os EUA não querem a chegada de “gente nova” em seu território. Comparam os ETs assustadores a terroristas. E lembram da fase dos extraterrestres amigos de Spielberg como “E.T.” e “Contatos Imediatos”. Não concordo com essa leitura. O roteiro é antigo. E abertamente, Spielberg briga pra filmar esse roteiro a pelo menos 10 anos.

O filme é uma boa diversão. E cumpre com que Spielberg promete. Tensão o tempo todo. Emoções fortes. Medo, pavor, bons sustos, bons efeitos visuais. E podemos ver um outro lado, o quanto a humanidade é fraca. Tão fraca quanto os Ets do filme. Que morrem em função de um vírus.

Sinceramente, pra mim, não é surpresa Spielberg cumprir com o que propõe. Ele erra muito pouco. Foi o diretor que criou o blockbuster no cinema,  com o filme “Tubarão” e tirou o cinema americano de uma  enorme recessão. Foi Spielberg que mudou a forma de vermos cinema. Graças a ele, o cinema de hoje tem um som maravilhoso, tem uma tela maior e arrasta multidões para sala escura. Enfim, Spielberg é um diretor apaixonado por cinema popular. Mas, pelo bom cinema popular.

Jair Santana

“Minha Mãe Gosta de Mulher”, Daniela Fejerman e Inés París, 2002

A Espanha vem apresentando cada vez mais bons filmes, e vem provando que nem só de Almodovar vive o cinema Espanhol.

Esse filme, das diretoras estreantes Daniela Fejerman e Inés París é de 2002 e só chegou ao Brasil em 2005, passando em poucas salas, mas fazendo relativo sucesso de público.

O filme conta a historia de uma mãe de familia, divorciada do marido, que apresenta o novo amor a suas filhas, já adultas, no dia do seu aniversário. Uma mulher. A partir daí a trama se desenvolve de maneira inteligente, sutil, engraçada, mas colocando situações sérias ao mesmo tempo.

Não é uma comédia como “A Vida é Bela” que brinca sarcásticamente com um assunto sério, “Minha Mãe Gosta de Mulher” trata de assuntos sérios, como preconceito, homossexualidade, familia, de maneira séria, porém leve.

Além de bom roteiro, assinado pelas diretoras do filme, Daniela Fejerman e Inés Paris, o filme tem uma fotografia, de David Omedes, altamente encaixada dentro da proposta do filmel, sai da estética hollywoodiana da fotografia “certinha” demais. É uma fotografia que nos aproxima da realidade. Não suja, mas discreta, onde, deixando claro que o mais importante é você embarcar na historia em si, além de uma trilha sonora que nos faz ficar até o ultimo minuto no cinema, nem que seja porque é divertida.

O filme, apesar de orçamento baixo e de distribuição fraca, concorreu a vários prêmios. Recebeu 3 indicações ao Goya, nas seguintes categorias: Melhor Atriz (Leonor Watling), Melhor Diretor Novato e Melhor Trilha Sonora. Ganhou o prêmio de Melhor Atriz (Leonor Watling), no Festival de Cartagena. Ganhou o Prêmio do Público e o de Melhor Atriz (Leonor Watling), no Festival Hispânico de Miami. Ou seja, tem feito sucesso, além de público, tambem de crítica.

Jair Santana

“Quase Todas as Mulheres do Mundo”, Jair Santana, 2005

 

Sinopse
Homem frustrado, por achar todas as mulheres que encontra iguais, ao mesmo tempo em que tenta se desligar da mãe, encontra pela primeira vez uma mulher que acha diferente de todas, e não consegue pensar mais em nem uma outra.

Elenco
Tatjana Vereza, Mauricio Rizzo e Rebeca Falcone
E com uma participação mais que especial da Renata Sorrah, empresantando sua voz a uma personagem.

Quase Todas as Mulheres do Mundo

Quase Todas as Mulheres do Mundo

 

 

Histórico
O curta foi produzido e gravado em 2005, através da Darcy Ribeiro. É primeiro trabalho de direção. Teve orientação em todos os passos do Walter Lima Jr que foi meu professor de direção cinematográfica. Foi apresentado pela primeira vez em Belém no Curta Pará, e participou também dos Festivais de Teresina, Mostra Mercado do Festival do Rio, Festival de Maringá de 2007 e também participou do Festival Curta a Noite no RJ onde ganhou melhor curta segundo opinião do Juri.

Depois desse curta, foi formado um grupo de realização. O coletivo “Sobretudo Filmes”, um grupo de amigos, que afim de produzir curtas, cada um na sua área, para isso, uniram forças para conseguir fazer seus curtas mesmo que sem patrocinio. Até mesmo porque qualquer edital pergunta oque vc já fez.

O grupo tem como “padrinhos”, a Dira Paes e o Domingos Oliveira, que são pessoas que abriram as portas pro grupo, e ajudam no que for preciso, seja uma indicação de atores, a ajudarem com os apoios etc..

OBS: Todos os profissionais envolvidos no filme, doaram seu trabalho, para que o curta pudesse ser realizado. Niguem recebeu nem uma ajuda financeira por seu trabalho.

 

Ficha Técnica

Roteiro : Marcus Santos
Diretor : Jair Santana
Produção : Priscila Manini
Ass. De Produção : Marcelo Andrade
Platô : Fernando Dilton
Técnico de Som : Aloysio Compasso
Microfonista : Marcelo
Direção de Arte : Paulo Samartino e Danielle Martins
Figurino : Tarliza Carneiro
Assis. De Figurino : Taise Viegas
Maquiagem : Carlos Borges
Diretor de Fotografia : Pedro Dumans
Câmera : Rodrigo Graciosa
Continuidade : Janeci
Música : Ricardo Góes
Montagem : Fábio de Melo
Cartaz: Samia Batista
Story Board: João Felipe (Zorro) e Rafael Goes

Premições e Festivais:
Festival de Cinema de Teresina,
III Mostra Curta Pará Cine-Brasil,
Mostra Mercado Festival do Rio
III Festival de Cinema de Maringa
Prêmio de Melhor Curta no I Festival Curta a Noite no Rio de Janeiro

Bernard Herrmann, EUA, 1911-1975

Bernard Herman

Bernard Herman

Bernard Herrmann é dos compositores que está na galeria dos grandes compositores da Era de Ouro de Hollywood. Nascido em Nova York no dia 29 de junho de 1911, Herrmann foi um prodígio que iniciou a compor ainda adolescente, e aos 20 anos de idade formou uma orquestra.

A sua amizade com o então apenas promissor diretor Orson Welles levou-o a compor para muitos dos programas de rádio de Welles, e depois para o mais cultuado filme da historia do cinema: “Cidadão Kane” de 1941.

Herrmann trabalhou com os maiores da historia do cinema, sua lista vai de nomes como o proprio Orson Welles, à François Truffaut e Hitchcock. Herrmann compôs por exemplo a ESPETACULAR trilha do “Psiciose” (1960), com Hitchcock. Herrmann compôs ainda trilhas para filmes como “O Terceiro Tiro” (1955), um filme que parece ser todo musicado, sua trilha confundi-se com cada ação. Temos ainda “O Homem que Sabia Demais” (1956), segunda versão, “O Homem Errado” (1957), “Um Corpo que Cai” (1959), “Intriga Internacional” (1959), “Os Pássaros” (1963), e curiosamente, fez ainda a trilha de “Cortina Rasgada” que foi rejeitada pelo diretor. Com François Truffaut, trabalhou no mais que clássico, “FAHRENHEIT 451” em 1953.

Scorcese era fã declarado de Herrman, com o qual fez seu ultimo trabalho como compositor de trilhas. Herrmann morreu em 23 de dezembro de 1975, algumas horas após encerrar as gravações de “Taxi Driver” (1976).

Jair Santana

Jonh Williams, EUA, 1932 –

Jonh Willliams

A historia do cinema e mesmo da televisão confunde-se com a historia musical de John Williams. Desde seriados como “Perdidos no Espaço”, “Túnel do Tempo” ou “Terra de Gigantes“, a inesquecivel e meaçadora trilha de “Tubarão”, as notas de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau“, as trilhas épicas de “Guerra nas Estrelas” e a trilogia de “Indiana Jones”, dentre os mais de 80 filmes e programas de TV para os quais John Williams compôs.

Johnny Towner Williams, ou somente John Williams como viria a ser conhecido, nasceu em Long Island, cidade de Nova York, em 8 de fevereiro de 1932, filho de um músico da orquestra da CBS. Mudou-se em 1955 para Califórnia, onde posteriormente e evidentemente, com a proximidade que a Califórina oferece ao Estúdiso, começou sua carreira no cinema.

Logo logo, suas composições chegaram a filmes como os clássicos da catástrofe “O Destino do Poseidon” (1972) de Ronald Neame, “Terremoto” de Mark Robson, e “Inferno na Torre” ambos em (1974) com direção dupla de John Guillemin e Irwin Allen, e os primeiros filmes de Steven Spielberg “Louca Escapada” (1974) e “Tubarão” (1975).

John Williams é sem dúvida o mais pop de todos os compositores pra cinema. O preferido de 9 entre 10 cinéfilos. A filmografia de Williams é extensa, tendo ganho inúmeros Emmys, Grammys e Indicado nada menos que 45 vezes ao Oscar, conquistando o prêmio maior da Academia de Melhor Trilha Sonora com “Um Violinista no Telhado” (1971) de Norman Jewison, e ainda “Tubarão”(1975), “Guerra nas Estrelas”(1977), “ET – O Extraterrestre” (1982) e “A Lista de Schindler”(1993). Todos esse de Steven Spielberg.

Steven Spielberg por sinal é um dos maiores parceiros de John Willians, desde de 1974, a maioria, se não todos seus filmes, a trilha é assinada por ele. No final dos anos 70 destacam-se ainda as trilhas de Williams para “A Fúria”, de Brian De Palma, a inesquecível trilha de “Superman – O Filme” de Richard Donner em 1978 e “Drácula” em 1979, de John Badham.

A trilha de “Tubarão” por exemplo, é tão forte, para o próprio filme, que sua presença se torna objeto diegético. Na seqüência da praia lotada de turistas, no feriado, todos os truques que Spielberg utiliza para anunciar o tubarão (movimentos de câmera, etc.) estão presentes, menos a música. Realmente a cena termina em um alarme falso, com duas crianças brincando com uma barbatana falsa. Mas algum tempo depois ouvimos o tema assustador, e agora sabemos que a ameaça é real graças ao reaparecimento da música.

Em “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (1977), as primeiras idéias sobre a música haviam sido discutidas por Williams e Spielberg ainda durante a produção de “Tubarão”. Sua base seria a canção de “Pinóquio, “When You Wish Upon a Star”, de modo a exprimir a fantasia e o encantamento infantis que a maior parte dos adultos abandona com o passar dos anos. Contatos teve grande parte da música composta antes mesmo de se realizarem as filmagens, com base apenas no roteiro e nos storyboards desenhados por Spielberg. O resultado, como todos sabem, foi uma obra-prima, que só não recebeu o Oscar daquele ano porque John Williams foi derrotado por um concorrente mais que imbatível: ele mesmo, com “Guerra nas Estrelas”.

Nos anos 80, Williams continuou a compor trilhas inesquecíveis, como “O Império do Sol” (1987), de Spielberg, na minha opinião um das melhores dele e do cinema. É sensível e épica ao mesmo tempo, é grandiosa e suave, é acima de tudo inesquecível. Sou apaixonado por esse filme e essa trilha. Ainda com Spielberg veio ainda a trilogia “Indiana Jones” e posteriormente “Nascido a 4 de Julho” (1989) de Oliver Stone.

Na década de 90, o compositor estava mais requisitado que nunca, limitando-se a filmes de Spielberg na ótima trilha de “Jurassic Park” (1993), na lindíssima trilha de “A Lista de Schindler” (1993), ainda “Amistad” (1997), e a poucos projetos de diretores renomados, como “JFK” (1991), “Nixon” (1995), ambos de Oliver Stone, e “Sabrina” (1995), de Sidney Pollack e a inesquecivel trilha da comédia “Esqueceram de Mim” (1990) de Chris Columbus, cujo a música acabou se confundindo com músicas natalinas.

Tema de “A Lista de Shindler”:

A partir de 1999 o compositor parece ter ingressado em um novo ciclo de sua carreira, que teve início com o retorno ao universo de “Guerra nas Estrelas” em “Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma” (1999), com a volta direção de George Lucas, seguindo com “As Cinzas de Ângela” (1999) com a direção de Alan Parker e Emily Watson em “O Patriota”(2000) de Roland Emmerich, ambos indicados para o Oscar por trilha sonora.

Williams continua a nos fascinar com trabalhos como “A. I. – Inteligência Artificial” (2001), e “Harry Potter e a Pedra Filosofal”(2001), ele volta a trabalhar com Chris Columbus , depois ainda vieram, “Memorias De Uma Gueixa” de Rob Marshall e em “Munique”, novamente, Steven Spielberg.

Seus álbuns atingiram os primeiros lugares nas paradas, ficando lado a lado com as estrelas pop do momento como Madonna. Um exemplo é o álbum com a música de “Guerra nas Estrelas”, em apenas seis meses, vendeu dois milhões de cópias, a sua primeira gravação com a Boston Pops Orchestra, chegou ao 20º lugar na tabela de vendas do Natal de 1980. Sendo até hoje, um dos únicos discos orquestrados da historia da música a chegar em tal posição.

Jair Santana

Ennio Morricone, Italia, 1928 –

Ennio Morricone

Nascido em Roma, em 28, Enio Morricone é com certeza um dos maiores compositores de cinema de todos os tempos. Ainda pequeno começou a estudar trompete e logo estava na famosa Academia de Música Santa Cecília estudando composição. Na década de 50 começou a trabalhar com composições para teatro e cinema, e na década de 60 já trabalhada com nomes como, ninguém mais ninguém menos que Bernando Bertolucci.

Já havia feito bastantes filmes como “Por uns dólares a mais” e “Era uma vez no Oeste” ambos de Sergio Leone, quando em 1978, Morricone criou a trilha de “Cinzas no Paraíso” de 1978 do diretor Terrence Malick onde teve sua primeira indicação ao Oscar.

Com Sergio2 Leone, alguns anos mais tarde em “Era Uma Vez Na América” em 84, Morricone volta mais uma vez marcar seu nome na historia do cinema, com uma música melancolica, nostálgica e com um belíssimo tema principal. Mais uma música que ficara para historia do cinema.

Temos ainda a trilha de “A Missão” em 86, filme do diretor Roland Joffé, uma trilha menos popular, porém mais trabalhada, mais difícil e mais uma que concorreu ao Oscar, e logo depois em 87, temos a música tema de “Os Intocáveis” de Brian de Palma.

O comentado “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore em 1989, temos uma das trilhas mais inspiradas da história do cinema. Marca o início da bem sucedida parceria entre o diretor Giuseppe Tornatore e Ennio Morricone. O premiadíssimo trabalho da trilha deste belo filme conduz o drama de maneira única. É difícil imaginar o que seria do filme sem a música composta por Enio Morricone. É o casamento perfeito.

Morricone ainda compôs pra filmes como “Busca Frenética”, 1988, do diretor Roman Polanski, e “Pecados de Guerra”, em 1989, do diretor Brian de Palma, filmes de grande sucesso internacional.

Morricone ganhou sua quarta indicação ao Oscar pela trilha de mais um filme de gângsters. “Bugsy” (1991), do diretor Barry Levinson.

Mais tarde, Roland Joffé, o mesmo diretor de “A Missão”, Morricone compôs a trilha de “A Cidade da Esperança”, 1992, e nos anos seguintes voltou a trabalhar mais intensamente em vários títulos italianos dos quais se destaca a maravilhosa música de “A Lenda do Pianista do Mar”, 1999, outra feliz parceria com o diretor Giuseppe Tornatore.

Enni Morricone, regendo a música “Love Theme” de “Cinema Paradiso”:

Nos ultimos anos, ficou popular entre os jovens por trabalhar com Tarantino, declarado fã de Morricone, em “Kill Bill”.

Após suas cinco indicações sem conquistar nenhum prêmio, finalmente Ennio Morricone foi condecorado com um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra. A Academia de Hollywood decidiu premiá-lo “por sua magnífica e multifacetada contribuição à arte da música de cinema”.

Em 2007, mais uma vez, e além do Oscar honorário, Morricone está causando furor no mundo da música de cinema, ele aceitou pela primeira vez o convite para apresentar um grande concerto nos Estados Unidos, realizado no início de fevereiro em Nova Iorque.

Mais presenteados também foram os brasileiros, que puderam assistir Morricone em uma única a presentação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, fazendo parte da programação do “MÚSICA EM CENA – 1º Encontro Internacional de Música de Cinema”.

Aos 79 anos, Morricone mora até hoje em Roma, sem falar nada de inglês, dizem, ele se nega a aprender, faz alguns concertos espetaculares pela Europa, e não pretende parar de trabalhar com cinema até morrer. E eu, espero que ele chegue pelo menos aos 100 anos. Nos presenteando como tem feito, com músicas abençoadas.

Jair Santana

Nino Rota, Italia, 1911-1979

Nino Rota

Nino Rota nasceu em Milão, em 1937 onde desde criança estudou música, completando seus estudos na no Concervatorio de Milão e na famosa Academia Santa Cecília, casa responsável por diversos talentos da música no cinenam.

Rota compôs diversas óperas, balés, música de câmara que logo agradaram a crítica. Lecionou no Conservatório de Bari, assumindo a direção até a sua morte, em 10 de abril de 1979. A sua entrada para o cinema se deu a partir da década de quarenta, coincidindo com um período de grande efervescência cinematográfica através do movimento conhecido mundialmente como neo-realismo italiano.

Teve sucesso logo em suas primeiras trilhas, o filme inglês “The Glass Mountain” de 1949. Porém já tinha composto músicas para o Neo-Realismo Italiano em filmes como “Viver a Paz” em 46 , de Luigi Zampa e “Sob o Sol de Roma” em 48 do diretor Renato Castellari.

Trabalhou com cineastas como Federico Fellini, onde estabeleceu-se uma integração total desde “Abismo de Um Sonho” (1952), com Luchino Visconti, uma parceria que teve início em “Noites Brancas” (1957), seguindo-se as participações com as trilhas em “Rocco e seus Irmãos” (1960), “Bocaccio 70” (1961) e “O Leopardo” (1962).

No ano de 1968, ele aceita um convite de Franco Zefirelli para compor a música de “Romeu e Julieta” que é  dotada de  um lirismo e romantismo, que foi capaz de levar às lagrimas multidões do mundo inteiro. Tornou-se uma de suas trilhas mais famosas até então. Em 1972, Francis Ford Coppola foi até a Itália, convidar pessoalmente Nino Rota para fazer a música de “O Podereso Chefão” (1972), filme baseado no romance de Mario Puzo. Em 1974, a música de “O Poderoso Chefão 2” (1974), foi premiada com o Oscar e é até hoje uma das trilhas mais famosas do cinema e um dos temas que mais simbolizam seu trabalho como compositor de trilhas cinematográficas.

Nino Rota, com toda certeza é um dos nomes mais respeitados e adimirados da historia da música no cinema. Sua filmografia confunde-se com a historia do cinema europeu, mais espeficamente com o Italiano, acompanhando os maiores diretores e maiores movimentos. Nino Rota conseguiu ser pop sem perder em nada a qualidade erudita de sua formação, apesar de sua humildade ser tamanha, que ele fazia questão de se auto denominar um compositor marginal, por achar que compor para o cinema, diferente que para uma obra mais clássica, como uma obra erudita, era algo “menor”.

Quem dera, um terço dos “compositores margiais” tivessem o talendo e sensibilidade de Nino Rota ao compor. O mundo com toda certeza, seria um lugar melhor para nossos ouvidos.

Jair Santana

“Filhos da Esperança”, Afonso Cuarón, 2006

“Filhos da Esperança” foi um presente de final de ano em 2006. Um ano de poucos boas produções no estilo. O filme entra pra seleta lista de filmes de ficção do nível de “Laranja Mecânica” “2001- Uma Odissea no Espaço” e “Blade Runner”. Aliais, “Filhos da Esperança” está sendo aclamado como o novo “Blade Runner”

No elenco, Clive Owen (Theodore Faron), num papel dificil, com uma construção de personagem que exige muito, mas bem realizado, temos Julianne Moore (Julian Taylor), que SEMPRE está maravilhosa em tudo que faz, na minha opinão, a melhor atriz de sua geração, e aqui especialmente, Julian, a ativista-terrorista apesar de ter uma participação limitada, era um papel que realmente precisava de uma atriz com o peso de Julianne. E mais um presente do filme, Michael Caine (Jasper). Um presente pro espectador e para o próprio Caine. Jasper é diferente de tudo que Caine ja fez, o que o torna mais interessante, e talvez, melhor. Jasper é apaixonante, é o grande “oráculo” do filme. Caine merecia todas as prêmiações do ano por sua interpretação.

Alfonso Cuarón é mexicano e reside nos EUA, na verdeade é um dos novos-grandes diretores desse inicio de céculo. Diretor do melhor dos Harry Potter´s, o “Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (2004) “, do simples e ousado “E sua mãe também (2001)” e ainda do conto de fadas “A princesinha (1995)”. Alfonso Cuarón é dos poucos diretores autorais do cinema amaricano atual. No “Filhos da Esperaça” ele dirige e roteiriza, coisa que poucos diretores holywoodianos fazem hoje em dia, principalmente na maquina industrial americana que tem aversão ao cinema autoral.

A sociedade em que se vive no filme de ficção “Filhos da Esperança” não é muito diferente de nossa realidade em vários aspectos. Como de um povo migrando para viver em “bolsões” mais civilizados, e esses bolsões querendo se isolar cada vez mais. É muito do que realmente acontece em paises como EUA, França e a própria Inglaterra, onde se passa o filme. Uma sociedade onde só se valoriza os filhos da patria, e utiliza os filhos bastardos para limpar seus detritos.

O filme Recebeu 3 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição. Ganhou ainda 2 prêmios o BAFTA, o Oscar britânico, nas categorias de Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. Foi ainda indicado na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Infelizmente Michael Caine foi super injustiçado ficando de fora até das indicações.

O filme é bem realizado em tudo. Boas atuações, direção, direção de arte impecavel, e uma fotografia de Emmanuel Lubezki, supreendente, verdadeira, e com plano sequências que ficarão para a historia do cinema. Além de ter uma das cenas mais emocionantes realizadas no cinema nos ultimos anos. Onde a jovem Kee, interpretada com uma naturalidade impressionante por Claire-Hope Ashitey, atravessa os soldados juntamente com seu protetor Theodore Faron (Clive Owen) com um recem nascido nos braços, e tudo ao seu redor volta-se para aquela criança, que representa uma esperança pra humanidade. Não vejo uma cena tão emocionante desde a cena do enterro em “Soy Cuba”, o clássico do cineasta russo Mikhail Kalatozov, em seu filme de 1964.

“Filhos da Esperança” já nasce clássico. Não é um filme imperdivel, é mais que isso, é um filme obrigatorio.

Jair Santana

“Instantes”, de Nadine Stair

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.

 Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério. 

Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria  mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.  

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos imaginários. 

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida: só de momentos – não percas o agora.  

Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve. 

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera a continuaria assim até o fim do outono. 

Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

Da escritora americana Nadine Stair, e falsamente, a algum tempo no Brasil, atribuído a Jorge Luis Borges, poeta argentino

“SHITAKE É SHITAKE E PRONTO!”, de Marcello Gabbay e Michele Campos

Rio de Janeiro, terra de gente chique, granfina, não é pra qualquer mané. Num final de tarde típico de julho, carioca gosta de tirar do armário aquela jaqueta jeans, bota três camisas e faz o maior drama por causa de 19 graus Celsius. Imagina então paraense no inverninho do Rio, o drama é triplicado, o caboclo veste quaro camisas, duas cuecas, meião grosso e ainda põe um gorrinho “Hang loose”. Ridículo!!!

Foi neste contexto que três paraenses e um carioca, loucos pelo friozinho foram atrás de um happy hour tipicamente fluminense. Caminhando pela Lagoa – que luxo! – a procura de um drink, uma musiquinha ambiente, quem sabe um Coltrane, um Miles Davis, ou simplesmente Jobim. Estávamos eu, minha senhoura Michele, e nossos queridos correligionários Jair Santana e Ricardo de Amaral Pereira Góes, duas expoentes figuras da sociedade carioca, artistas de vanguarda. Caminhávamos pela calçada gélida quando de repente. Voalá!!! Um lugar agradável, arejado, de muito bom gosto. Um barzinho ma beira da Lagoa, cardápio seleto, coisa para poucos.
Acomodados numa mesa privilegiada, inicio de uma noite estava perfeita, momento ideal para o tão desejado drink.

– Garçom! Por favor!
– Pois não?

Pedimos umas bebidas quentes para espantar o friozinho. Depois de uns vinte minutos, deu-nos aquela vontade de beliscar uns canapés, talvez escargot, alguma coisinha leve, menos fondue porque duas noites antes havíamos tido experiências desagradáveis com queijo, carne e cebola, muita cebola. Olhando no cardápio, Michele despertou um estranho desejo por chitake, sim shitake, bonito nome, meio oriental, talvez uma espécie de chiclete japonês, sei lá. Esse era o problema, ninguém sabia o que diabos era shitake!!

– Garçom! Por favor! Você poderia nos explicar como é este prato. Shitake?
– Shitake? Ããã… É Shitake com queijo, torradas, molho…
– Sim, mas o que é shitake?
– Shitake? Ããã… É Chitake com queijo, torradas, molho…
– Moço, eu já entendi. Eu só queria saber o que é o shitake! – Michele já perdia a paciência.
– Bem, Ããã… É Shitake com queijo, torradas, molho…

Todos começaram a se aborrecer, mas temos que compreender a posição do garçom, que se perguntava, que cavalheiros são esses que não conhecem chitake? Que estirpe é esta?!

– Moço, vou perguntar mais uma vez. Eu sei que vem chitake , queijo, molho, mas eu quero saber o que é o chitake é uma carne, um tipo de legume, o que? Neste momento o garçom abriu um sorriso aliviado e exclamou:
– Aaaaah! Entendi!!! A senhora que saber o que é chitake, não é?
– É!
– Bem, chitake é chitake, queijo é queijo, torrada é torrada e molho é…
– Você só pode estar tirando sarro da gente, né? – Irritou-se Jair – Isso é uma palhaçada!!! – Ele lançou o guardanapo longe!!!
– Moço, pelo amor de Deus, o que é o chitake, uma planta, uma erva, excremento de unicórnio, testículos de hiena, o que é o SHI-TA-KE???
– Aaaaah!!! Entendi!!! Bem, chitake é chitake, queijo é quei…
– Ah não! Chega!!! Chame o gerente dessa pocilga! Agora! – Jair estava disposto a providenciar a demissão do atrevido, mal educado, assanhado, saliente… O garçom!!!
O gerente se aproxima com toda a calma do mundo, curva-se e pergunta?
– Posso ajuda-los?
– Nós perguntamos àquele garçom o que é chitake, ele ficou de palhaçada, parece que esta tirando sarro de nós e…
– Perdoem-me, mas os senhores não conhecem chitake?!
– Sim, mas o seu garçom é um grosso, estúpido e…
– Um minuto, por favor – O gerente retornou à postura ereta e com o nariz bem empinado bateu palmas duas vezes. Rapidamente dois gigantes, dois Manuel-Pinto-da-Silva’s humanos se aproximaram e enchotaram agente com mesa e tudo. O gerente afoito e descabelado berrou de dentro:
– Só me apareçam aqui quando tiverem categoria e classe para saborear um bom chitake. IGNORANTES!!!! FAVELADOS!!! Vão comer hot dog de picadinho, plebe escrota!!
Ficamos pasmos, arrasados pela alta sociedade carioca. Amanhã em todos os bons jornais do país nossa foto estaria estampada. Na sarjeta, como mendigos!!!
– Mas peraí, não tem paparazzis aqui, ninguém nos viu. Que alívio!!! – Exclamei.

A noite acabou e fizemos um pacto de sangue. Ninguém revelaria este acontecimento ultrajante, humilhante jamais! Cortamos os punhos com palito de dentes e cerramos o juramento, isso enquanto saboreávamos um delicioso e fino hot dog de picadinho com bastante maionese e batata palha. Foda-se o Shitake! Somos cafonas, isto é conosco sim. E que nos deixem em paz!

Marcello Gabbay é mestrando em Comunicação e Cultura  na UFRJ e Músico

Michele Campos é Mestranda em Artes Cênicas na UFRJ e Atirz

“ZIZI, O UFÓLOGO”, de Marcello Gabbay

Esta história tem como personagem um grande homem. Sebastião Miranda, o Seu Zizi , uma mente brilhante, um contador de estórias. Mistura ficção com realidade em fábulas e lendas. Seu Zizi poderia receber um prêmio por ser uma fábrica viva de lendas e causos na Amazônia. Graças a pessoas como ele a cultura popular oral mantém-se não só viva, mas renovada. Em Colares não há um cidadão que não conheça o Seu Zizi, aquele que lutou com o Saci, que viu discos voadores, que recebeu navegantes americanos em cruzada de guerra, e que trouxe a nado, no peito, cada um dos canhões de ferro que ornamentam a orla da praia. Um brasileiro, um cavalheiro, um caboclo amazônico, uma lenda viva. E se eu fosse você não duvidada das palavras de Zizi…

Colares é uma ilha localizada no nordeste do Estado do Pará, mais conhecida pelos freqüentes casos de aparição de OVNI’s. Nos anos 70 muita gente que vivia na ilha presenciou a visita de discos voadores e diversos casos de contato com seres extraterrestres. Muitas mulheres colarienses, atacadas por raios emitidos das naves, apresentaram queimaduras idênticas, em forma diagonal com duas leves perfurações no peito esquerdo. Acredita-se que os alienígenas extraíam amostras do tecido humano para análise ou qualquer outro fim fantástico.

O caso foi tão sério que uma base de observação do Exército brasileiro foi instalada na ilha por volta de 1973. Nesta época, uma das figuras mais expressivas da cidade, Senhor Zizi Miranda, também foi testemunha do fenômeno. Na verdade o Seu Zizi presenciou uma das mais arrepiantes aparições de discos voadores em Colares. Conta ele que num fim de tarde de 1973 ou 1974, uma nave foi vista flutuando sobre a praia, longe no horizonte. Aos poucos a população foi percebendo o objeto formando um aglomerado de gente ao longo da orla. Imediatamente a base militar ali instalada pôs-se a fotografar e registrar o evento. Como se percebesse que todos a observavam, a nave piscou e toda a luz da cidade apagou. Um breu total, rádios, lâmpadas e postes, tudo apagado! Em seguida a nave partiu, como uma flecha, desaparecendo no céu.

Há alguns meses atrás, mais de 30 anos depois da “invasão alienígena” em Colares, uma importante emissora de TV procurou diversas pessoas que vivam na ilha em 1973 para produzir um documentário sobre os discos voadores. Sem dúvida o Seu Zizi era peça fundamental neste quebra-cabeça extraterrestre. Não demorou muito para uma equipe de reportagem procura-lo em Belém, onde vive hoje no alto de seu 90 anos. Com muito prazer Seu Zizi marcou uma data e hora para receber os repórteres. Como testemunha ocular do fato alienígena, ele enriqueceria muito o documentário.

No dia e hora combinados a equipe de filmagem tocou o interfone no apartamento de Seu Zizi, autorizados a subir, trouxeram nas costas quilos de equipamentos. Câmeras, tripés, microfones, malas e malas de cabos, spots de luz, suportes de aço, foram umas três viagens no elevador apertado do prédio. Enquanto os técnicos descarregavam e montavam o improvisado set de filmagem na sala de estar, Seu Zizi, dispôs-se a introduzir a história para o repórter que o iria entrevistar. O jovem perguntou:

– Sr. Zizi, por favor, me conte com detalhes como e quando o senhor se deparou pela primeira vez com um disco voador?
Ele, endireitando-se na poltrona, respondeu:
– Olha rapaz, vou te contar, a história foi o seguinte. Eu estava caminhando pela praia, quando, de repente, me apareceu um Saci querendo brigar comigo. Ele veio com toda força, com os dois pés no meu peito, aí eu cerrei os punhos e…
Desconfiado, o repórter interrompeu:
– Seu Zizi, um Saci?!
– Sim! – Confirmou Seu Zizi.
– Mas com dois pés?!
– Ele era aleijado!! – Retrucou Zizi.
O rapaz coçou a cabeça e, revoltado, ordenou à equipe:
– Guardem tudo!! Vamos embora, é tudo lorota!!!

Marcello Gabbay