“Nina”, Heitor Dhalia, 2004

Na minha opinião, Heitor Dhalia, é um dos diretores no Brasil, que nada contra a corrente do cinema de fácil assimilação. “Nina” é ums dos mais diferentes filmes brasileiros desde a retomada. Com uma estética de mangá, um clima introspectivo bem “dostoievskiano” mesmo, e ainda de interpretações maestrais. Concordo que deixa um pouco a desejar no final mas ainda assim, não se perde no conjunto geral

“Nina” é uma adaptação livre e moderna de “Crime e Castigo” de Dostoievski. Mas vale ressaltar, e repetir que, é uma adaptação LIVRE. As duas protagonistas, Guta Strasser que é a personagem título Nina, e Miriam Muniz, que vive Dona Eulália,estão PERFEITAS no papel, não desmerecendo a Guta, mas a Mirian Muniz está ABSURDAMENTE PERFEITA. A composição dos dois personagens está ótima, agora, a Mirian Muniz brinca mais com a voz, com o corpo, com tudo. E o personagem é muito bom para uma atriz com a experiente Mirian. Ela pode brincar mesmo com a personagem. Infelizmente foi o ultimo trabalho da atriz no cinema, que faleceu no final de 2004.

Falando técnicamente do filme. “Nina” dá um show. A cor do sangue dos quadrinhos utilizados no filme, serviram de referência para o sangue em “Sin City” de Robert Rodriguez, Frank Miller e Tarantino por exemplo. A fotografia monocromática de José Roberto Eliezer é ótima, casando muito bem com tudo no filme. Assim como a arte e o figurino, que são muito bem realizados, tudo se encaixa.

A personagem Nina vive na Cidade de São Paulo, mas a linguagem do filme é tão universal que a historia poderia se passar em qualquer centro urbano. Nova York, Berlin, Tóquio. É compreendido por qualquer cultura.

A música também é muito bem escolhida. Vale obsersar, o casal de DJ’s Ana e David, a dupla “Pet Duo” fazem uma participação no filme, fazendo oque sabem melhor. Tocando em uma festa.

Heitor Dhalia, que recebeu o prêmio de melhor direção do Festival LAcinenmaFE de Nova York e prêmio de crítica no Festival de Moscou. Para um diretor estreante, “Nina” é seu primeiro longa metragem, depois Heitor veio com o também corajoso “Cheiro do Ralo”, Heitor prova que não entra no cinema pra brincar. Diríamos que ele entra mais pra balançar as mesmices produzidas por aí.

“Nina” é um cinema ousado, com bela fotografia, mas sem aquela cara de cartão postal que o cinema brasileiro adora, com um clima pesado, que enfim, o cinema brasileiro parece ter medo de se jogar. É um cinema autenticamente brasileiro, com cara de cinema livre de Hollywood. No melhor que isso possa significar.

Jair Santana

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