“Dogville”, Lars Von Trier, 2003

Lars Von Trier, que pra mim, é um dos grandes diretores do cinema atual, depois de “Os Idiotas” e “Dançando no Escuro”, vem com inovador “Dogville”, dando uma balançada nas salas de cinema e dando uma reviravolta na sua filmografia. Lars escreveu, dirigiu e foi o camera do filme. Ou seja, cara é completo.

Nesse filme ele trabalha com marcação de teatro, com cenário de teatro, faz o espectador ter a sensação de estar lendo um livro, e contudo, nos mostra um cinema de primeira grandeza.

O roteiro faz parte de uma trilogia, que Lars diz falar sobre os EUA. Os americanos odeiam essa afirmação, mas o dono da obra é ele. Na verdade, trata-se do primeiro filme dessa trilogia do diretor Lars Von Trier sobre os Estados Unidos. Os demais filmes são “Marderlay”(2005) “Washington” (2007).

Claro que na verdade, os críticos americanos não se redem totalmente ao filme. Dizem ser impossível se escrever ou dirigir um filme, ou ainda uma trilogia, sobre um país, que Lars nunca pisou. Esse é o maior agumento que se tem?

E os filmes de guerra passado no Vietinã que os americanos tanto adoram?

A verdade é que na interpretação do próprio diretor, a doce e singela Grace é a própria imagem dos EUA. Alguns questionam essa imagem ou para o bem ou para o mal. Mas, pela visão de seu criador. Grace, com a aquele rosto meigo e doce. Chega em uma cidade estranha, e transforma tudo que acontece alí, de maneira que lhe convêm. E se isso não acontece, ela extermina a cidade. Facil assim. Isso nos faz pensar em um EUA invasor de paises como Iraque não? Nos faz lembrar, que os EUA, se julgam a corte do mundo. Sem levar em conta politicas, tradições, e culturas diferentes.

 

 

“Dogville” é visceral, forte, com um trabalho impressionante de Nicole Kidman, que é quem interpreta Grace, a personagem principal. Por sinal, ótima a idéia Lars Von Trier, de reunir estrelas de épocas tão distindas como Nicole Kidman e Laurem Baccal.

Não só o trabalho dos atores está fantástico, o roteiro e a direção, tem mãos firmes, e nos conduzem para uma situação, que no final, é impossível ficarmos apáticos ao que ele nos apresenta. Lars Von Trier é deliciosamente sarcástico e cruel. E faz com que nos vejamos em situações totalmente fora de nossa essência. Ou talvez na verdadeira. Essa é a “brincadeira” do filme.

Um filme que faz pensar, nos faz passar horas debatendo sobre ele em mesa de bar, ou numa banca universitária. Não tem a pretensão de ter grande público. Não foi feito pra isso. Mas com certeza, deve ter alcançado mais que o esperado.

“Dogville” é a prova que ainda se tem espaço para o cinema de crítica social. Esse filme realmente, foi uma reviravolta no que estavam fazendo por aí. Eu fiquei “pasme” com tamanha simplicidade de se fazer um bom filme.

Jair Santana

Uma resposta

  1. O final me surpreendeu, apesar de não estar acostumada a filmes um tanto “diferentões”. Um abraço

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