“O Hospedeiro”, de Bong Joon-ho, 2006

Supreendente, engraçado, assustador, tenso. Essas são algumas das qualidades desse despretensioso filme Coreano, que passou quase que despercebido no Brasil. Apesar de ter alcançado ótimas críticas, o filme foi vendido de maneira errada, como mais um “enlatado” sobre monstros, e acabou se dando mal no mercado.

“O Hospedeiro” é bem mais que isso. É um filme sobre monstros, sobre o sistema, sobre familia, sobre desordem urbana, sobre ecologia.

Direção de Bong Joon-ho, que também assina o roteiro com mais dois roteiristas. Muito bem amarrado, inteligente, mas sem pretensões. Pelo contrário, é por vezes, bobão, no melhor sentido que esse “bobão” possa ser usado, e também engraçado.

Conta com atores que não fazem feio, em especial, a garotinha, Hyun-seo (Ko Ah-sung), está ótima no papel que lhe é cabido. Os efeitos especial são muito bem realizados, e o filme, não tem esse medo todo de mostrar o monstro no ininio mesmo, como fazem os filmes americanos. O que surpreende, e ao mesmo tempo, nos prende mais ainda.

Preste atenção, na cena do ataque inicial, num parque com restaurantes de rua e traillers. E impressionantemente bem realizada e assustadora. Muito melhor que a maioria dos filmes de monstros americanos, que fora King-Kong, só tem nos trazido filmes realmente abomináveis como “Tentáculos”,  que nada mostra e tenta prendere o espectador por isso(por nada mostrar), e “Godzila” por exemplo, que foi o mais abominável de todos.

O cinema Coreano, ou melhor, o cinema oriental como um todo, tem, em sua maioria, nos trazido ótimas surpresas. É preciso estar mais atento a esse cinema, e a alguns diretores em especial, como Kim-Ki-Duk, Park Chan-wook, Hirokazu Koreeda e Wong Kar-Wai por exemplo.

Voltando ao, “O Hospedeiro”. O filme é uma ótima pedida. É leve e tenso ao mesmo tempo. Coisa rara de se conseguir. Tem boas cenas de ação e é politicamente correto sem ser chato e demagogo. Sem essa de pedir muitas explicações ao filme, sem essa de levar tudo a sério demais (sendo assim estariamos pedindo cenas de silêncio total nas guerras espaciais de filmes como “Star Wars”), é preciso entender a proposta do filme, é preciso entender que cinema, não é novela, e não tem que se explicar tudo. “O Hospedeiro” é pra quem gosta, acima de tudo, de “CINEMA”.

Jair Santana

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