“Na Natureza Selvagem”, Sean Penn, 2007

http://www.adorocinema.com/filmes/na-natureza-selvagem/na-natureza-selvagem-poster01.jpg“Fuga do mundo ou talvez de si mesmo”. Se tivesse que sintetizar seria essa a frase principal pra resumir a vida do personagem Christopher McCandless vivido no aqui por Emile Hirsch, no filme “Na Natureza Selvagem”, ultimo filme de Sean Pean como diretor.

O filme é de uma sutileza e de tão denso quanto os outros filmes do diretor, mas se perde um pouco na construção narrativa. Sean Peen parece parece estar se especializando sua filmografia em filmes densos, seja atuano ou dirigindo.

Mais que um road movie,o filme é uma forte crítica ao socialmente aceito ou o socialmente certo. O famoso “american way of life”, que aqui, é revisto e julgado pela nova geração, no caso, representado pelo personagem principal. Christopher foge, não como Renton em Trainspotting de Danny Boyle, que fugia por simplesmente se revoltar contra a sociedade, mas aqui, Cristopher foge dos falsos valores, da construção de uma falsa imagem de uma família feliz, do “ter” que é pregado a felicidade americana, e que sem saber como se portar diante de tanta hipocrisia, ele se retira de um mundo que conclui que não pode mudar.

Apesar de muitos acertos, o filme tem erros também. Como talvez na questão do tempo do filme, que poderia em vez de 240 minutos, ser um pouco mais sucinto, e permanecer nos tradicionais 90 minutos. O filme poderia ser contato sim com menos tempo, pois vê-se muito tempo se perder em imagens que não acrescentam. Outra mudança que poderia ajudar o filme, mas isso uma opinião bem pessoal, talvez seja a construção narrativa realizada de forma desconstruida, onde existe o presente e a historia contada em flashback. Diz-se entre os roteirista que “flashbacks” são os últimos refúgios de uma historia que não se explica. Então usa-se o argumento do flashback para se explicar o que a historia linear não conseguiu.

Algo muito positivo no filme é a belíssima fotografia de Eric Gautier, fotografo dos ótimos “Medos Privados em Lugares Públicos” e “Paris, Eu e amo”. A fotografia de paisagens, são as mais difíceis de se realizar, acertar a luz natural com o rosto do ator, enfim…é uma fotografia difícil, mas quando acertada, muito confortável e agradável aos olhos. E esse foi o caso de “Na Natureza Selvagem”.

Outro acerto muito claro foi a trilha do filme de Michael Brook, Kaki King e Eddie Vedder,que não atoa, foi ganhadora do Oscar de melhor trilha sonora de 2008. Uma trilha sensível, melancolia e bem casada na proposta do filme.

“Na Natureza Selvagem” é um filme que apesar seu lado denso e sério, com fortíssimas questões familiares, tem uma certeza leveza filosófica ao tratar esses assuntos. Com algumas frases fortes, como quando o personagem, que em determinado momento descreve a felicidade, como algo longe das relações humanas, mas sim e simplesmente, estar em contato com a natureza,. Porém, no final de sua historia, conclui, de forma belíssima, que “a felicidade não existe se não é compartilhada”.

Jair Santana

” O Diabo Veste Prada” de David Frankel , 2006

http://www.adorocinema.com/filmes/diabo-veste-prada/diabo-veste-prada-poster01.jpgNão sabia que ia me surpreender tanto com esse filme, visto preconceituosamente como “filme de mulher” ou um “cinemão bobo”. Fui assistir mais em função da Meryl Streep, que dispensa apresentações e comentário, que qualquer outra coisa. Também pela curiosidade de se tratar de uma adaptação de um bestseller mundial. Depois tive a grata surpresa de reencontrar nas telas, a maravilhosa Anne Hathaway, que deu um belo show em “Brokeback Mountain”. Reunindo essas duas, fazer um filme ruim passar um atestado de incapacidade.

O diretor David Frankel, diretor de poucos filmes para o cinema e de séria para TV, surpreende, pela sutileza, pela boa administração do filme, pra objetividade, leveza e por aparentemente, conhecer o que esta dizendo.

A historia, o roteiro do filme, Aline Brosh McKenna, baseado em livro de Lauren Weisberger, conta mais do que aparentemente se esta vendo em primeiro plano. “O mundo fútil da moda”. Sim, fala um pouco sobre isso, mas isso é apenas a grande vitrine do filme. O filme fala muito mais sobre a geração workaholic, do eterno debate de “moda arte” e “moda futilidade”, de relacionamentos, de lobbys, enfim…o filme é muito mais sério do que se pode observar a primeiro plano. Mas compsem perder a leveza como já falei.

E o melhor do filme está em perceber o que compõe esse plano de fundo. Suas sutilezas, seus desdobramentos, tentar chegar na profundidade do filme. Não se prendendo apenas ao que o filme nos mostra mastigado, sim o que ele nos trás nas entrelinhas.

“O Diabo Veste Prada” é uma bela surpresa, um filme de domingo, com alguns vacilos na trilha sonora, mas ainda assim, uma boa trilha sonora. Com uma fotografia inteligente, grandiosa e muito funcional ao que o filme se propõe, com atores e atrizes perfeitos para os seus papéis, Meryl Streep merecia levar mais um Oscar, acabou não levando, seria seu quarto ou quinto, mas levou o Globo de Ouro e recebeu ainda indicação ao Bafta e ao MTV Movie Awards.

Sua personagem é deliciosamente má, com um momento único de humanidade, que não dura mais que 2 ou 3 segundos, com um sorriso de ponta de boca, mas que diz muito sobre o que passa pela cabeça da poderosa empresária Miranda Priestly. E essa é a maior prova de uma boa atriz….falar com os olhos, com o corpo, sem precisar realmente usar palavras.

“O Diabo Veste Prada” surpreende, encanta, faz pensar, é agradável aos olhos, ou seja, é um filme que vale a pena. David Frankel, prova com o filme, que é de uma nova geração de diretores que chega pra se fazer “filmes de domingo” com algo a dizer.

Jair Santana

“Vida de Grade”, Angela Durans e Silas Matos, 2007

http://i264.photobucket.com/albums/ii191/jairsantana/Vida_de_Grace.jpgSinopse:

Jovem executivo, apaixonado pela mãe e pelos filmes de Grace Kelly. Depois de um dia estressante dia de trabalho, sai correndo pelas ruas,libertando as lembranças do passado, em busca de suas próprias fantasias.

Equipe do curta metragem Vida de Grace

DIREÇÃO: Silas Matos e Ângela Durans
ASS. DIREÇÃO: Jair Santana
DIREÇÃO DE ARTE: Jorge Uriel
FIGURINISTA: Fernanda Valente
ROTEIRO: Mariana Vielmond
FOTOGRAFIA E CAMERA: Bruno Diel
ASS. FOTOGRAFIA : Alfonso Coser –
MAQUIAGEM: Fernanda Santoro
MONTAGEM: Litza Godoy
PRODUÇÃO: Helio Lambass
ASS. DE PRODUÇÃO : Dani Vieira
PLATÔ : Silvio de Andrade, Lucas Brandão, Alan Caferro
STILL: Cyro Clemente
AUDIO: Cláudio Ribeiro Cerdeira e André Linhares Pereira de França (Bolinha)


Elenco


Roberto: Gustavo Moriconi Genton
Tenóerio: Roumer Canhães
Ava: Karla Dalvi
Grace: Rebeca Falcone
Adolfo: Victor Freeland
Roberto (10 anos): Renan Braga Nunes
Policial : Luiz Haguiar
Empresáios: Leandro Zanardi / Aldo Perrotta