“Bastardos Inglórios” é mais um delicioso, e forte, filme de vingança do diretor que mais fala sobre o assunto desse lado ocidental do planeta. Quentin Tarantino. O diretor, que afirma ter crescido com filmes de kung-fu e de western, onde a maioria os personagens se vingam de algo, chega agora com “Bastardos Inglórios” a sua maturidade cinematográfica.
Não desmerecendo clássicos seus maravilhosos como “Cães de Aluguel”, “Pulp Fiction” e “Kill Bil”, mas agora, mesmo com todos os argumentos de sempre como violência, vingança, muito sangue e piadas em meio a tudo isso, Tarantino aparece com um tema mais ousado, mais adulto, corajoso e sim, se supera.
Mudar a história da Segunda Guerra não é pra qualquer um, e o roteirista e diretor Tarantino consegue isso de maneira magistral, e ganha público e crítica, com uma guerra mundial, resolvida não por algum país, algum exercito, mas acima de tudo, por uma vingança pessoal.
Paralelo a isso, temos ainda o exercito de Aldo Raine, interpretado por Brad Pitt, o personagem Tarantino escreveu para ele mesmo, mas da metade pro final, percebeu que o melhor seria entregar a um ator mais experiente e então só lhe vinha a cabeça o Brad Pitt. Escolha muito bem feita o ator deu a Aldo o jeito caricato, o tom de sarcásmo e de ingênuidade bruta que o personagem merecia.
Seria o grande personagem do filme se um outro ator não aparecesse no filme. Christoph Waltz, o Coronal Hans Landa, conhecido com Caçador de Judeus. Christoph faz de Landa o melhor, mais odiado e ao mesmo tempo mais carismático personagem do filme. Interpretação que lhe rendeu a Palma de Ouro de melhor ator em Cannes.
A historia do filme é dividida em capítulos, como “Kill Bill”, mas a condução dos capítulos são bem diferentes. Em cada um deles há um grande momento de tensão impressionante. É assim do primeiro ao ultimo. Algumas situações comuns que levam, em tempos de guerra passam a ser o limite entre o estar vivo ou morto.
Aldo Raine é lider de um grupo de soldados, cada um com um motivo pessoal, que caça nazistas e os matam com requintes de crueldade. Cenas fortes mostrada pela câmera de Tarantino, que muitos no cinema não suportam olhar. O grupo, conhecido entre os nazistas como Bastardo Inglórios, é temido e até proibido de se comentar pelo alto escalão nazista.
Apesar de 2:33h de filme, o público não cansa, não se desliga e nas várias vezes que fui ao cinema assistir, mesmo depois de três semanas de estreia, o filme é aplaudido. Não sei se pelo próprio filme ou se pelo que nos é despertado pela grande tela.
A vingança sempre desperta o que há de pior e mais forte no ser humano. Ela movimenta e mesmo quando é racional, é também animal.
A decupagem do filme é sensacional. A escolha de posicionamento de câmera, os cortes, os planos sequências, tudo isso dá um detalhe mais sofisticado ao filme. Um trabalho de direção de um diretor maduro e acima de tudo seguro em suas escolhas.
A fotografia é outro ponto forte do filme. Robert Richardson que trabalhou com tarantino em Kill Bill 1 e 2, e também com nomes como Scorsese em “O Aviador” e Oliver Stone em “Nixo” e “JFK”, faz aqui um trabalho de mestre. Sua luz correta não rouba a cena e deixa os atores serem os maiores em todos momento.
O elenco é maravilhoso, fora Brad Pitt e Christoph Waltz, conta ainda com nomes como Daniel Brulh, Diane Krieger, Mike Myers e apresentando a fantástica Melaine Laurent como a Soshana Dreyfuss.
Alfo Raine é o alter-ego de Tarantino, que assumidamente, no final do filme olha para câmera com um olhar cínico e diz “Essa é minha obra de arte”. E é verdade, “Bastardos Inglórios” é um filme completo. Com um roteiro sem furos, com ótimas interpretações, boa música, fotografia certa e uma direção de mestre. E mais ainda, uma certa leveza despretensiosa típica dos filmes de Tarantino. Por isso mesmo o filme se torna tão grande. Pela responsabilidade que o diretor tem acima de tudo com seu público, e não com a crítica.
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